Leituras de outubro

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As minhas leituras de outubro foram enriquecedoras. Pela qualidade de seu conteúdo recomendo para meus leitores os seguintes livros que certamente serão apreciados:

Imagem2O Enigma de Espinoza – o autor deste livro é Irvin Yalom, autor dos best-sellers Quando Nietzsche Chorou e A Cura de Schopenhauer.

Em sua nova obra, o escritor traça um paralelo entre a vida de Baruch Espinoza e Alfred Rosenberg. O primeiro nasceu na Holanda em 1632, filho de pais portugueses. Seu nome era Bento, mas hoje o filósofo é universalmente conhecido como Baruch, palavra equivalente na língua hebraica. Espinoza pertencia à florescente comunidade sefardita de Amsterdã.

Após ter estudado os livros sagrados do judaísmo com os rabinos de sua sinagoga, passou a frequentar a Escola de Latim e Estudos Clássicos do professor Franciscus van den Enden. Ali ele foi introduzido à filosofia de Platão, Sócrates, Aristóteles e Epicuro. A partir desses novos conhecimentos ele passou a adotar uma postura de criticismo bíblico. O jovem filósofo aceitava os textos da sagrada Torá, mas não admitia as diversas interpretações dadas à mesma pelos rabinos.

Ele foi instado a abandonar suas novas ideias, mas manteve-se irredutível em sua posição. Como resultado sofreu um cherem por parte da Sinagoga Portuguesa da cidade. O cherem equivale à excomunhão na religião católica e é irrevogável. A partir de sua leitura feita publicamente na sinagoga, todos os judeus inclusive seus familiares, se afastaram definitivamente de Espinoza. Nenhum membro da comunidade poderia falar com ele, ler seus escritos, corresponder-se ou até aproximar-se do banido.

Após o cherem, Espinoza adotou o nome latino Benedictus e retirou-se para a pequena localidade de Rijnsburg. Para sobreviver, fabricava lentes para óculos e lunetas. O restante do tempo era dedicado a uma busca sobre novos conceitos filosóficos e religiosos. Sua obra maior chama-se Ética e é dividida em cinco partes. A última, denominada A Potência do Intelecto ou A Liberdade Humana, é a síntese da filosofia de Espinoza.

Yalom intercala a narrativa sobre Espinoza, com a abordagem da trajetória de Alfred Rosenberg. Este homem, seguidor fanático de Hitler e um dos ideólogos do Partido Nacional Socialista foi o autor da política racial do III Reich. Ele aplicou as teorias de Houston Stewart Chamberlain, descritas no livro as Fundações do Século XIX, obra que o inspirou desde a juventude. Rosenberg era fixado na figura de Espinoza. Quando jovem, descobriu que Goethe, seu ídolo, era um ardoroso admirador da obra do filósofo judeu. Ao ler o livro O Enigma de Espinoza, poderemos acompanhar a sofrida caminhada do filósofo em busca de respostas a seus dilemas, bem como avaliar as inquietações do racista Rosenberg, tentando entender o que aproximara Goethe de um filósofo judeu.

Imagem3Berlim: 1961 – Berlim foi o epicentro do conflito conhecido como Guerra Fria que quase levou o mundo à catástrofe de uma guerra termonuclear. O ano de 1961 foi decisivo, ao ocorrer a maior crise desse conflito. Tanques soviéticos e americanos ficaram frente a frente, na Friedrichstrasse de Berlim, ponto onde se localiza até hoje o famoso Checkpoint Charlie.

O autor Friedrich Kempe teve acesso a material recentemente liberado pelas nações envolvidas na Guerra Fria e nos traça um perfil magistral dos principais personagens do conflito: Nikita Kruschóv, John Kennedy, Konrad Adenauer e Walter Ulbricht.  Seguem alguns exemplos das revelações do livro:

Em 1961 Kennedy recém assumira a presidência, e o que lhe sobrava em carisma lhe faltava em experiência, principalmente na esfera de relações internacionais. Ao terminar a Cúpula de Viena, primeiro encontro dos dois líderes, Kruschóv declarou: Esse homem é muito inexperiente e imaturo.

Kennedy foi brutalmente honesto em relação ao seu fraco desempenho. Antes de deixar a cidade concedeu uma entrevista exclusiva a James Reston, jornalista mais influente e lido em Washington. Ao iniciar, Reston perguntou ao presidente: Como é que foi?

A pior coisa de minha vida. Ele arrasou comigo.

A Cúpula ocorreu em junho. Informado por Kruschóv que Kennedy não se opunha às atividades desenvolvidas por russos e alemães orientais dentro dos limites zonais estabelecidos em Berlim, Walter Ulbricht entrou em ação, antecipando os acontecimentos.

Os americanos haviam recebido dos russos um prazo de seis meses para uma decisão final sobre o futuro da ocupação da antiga capital da Alemanha. Kennedy deixara implícito de que não era a favor de uma unificação no curto prazo. Num lance digno de um grande mestre de xadrez, Walter Ulbricht escolheu o dia 13 de agosto de 1961 para separar Berlim Oriental de Berlim Ocidental. Numa complexa operação logística e militar planejada por Erich Honecker a fronteira foi fechada, durante a madrugada de sábado para domingo, com arame farpado e policiamento ostensivo. Em poucos dias, centenas de operários ergueram o famoso Muro de Berlim que iria isolar fisicamente a zona oriental da zona ocidental.

Segundo Zbigniew Brzezinski, Conselheiro Nacional de Segurança do governo Jimmy Carter, o livro de Kempe disseca magistralmente o mais importante confronto já ocorrido entre o leste e o oeste e seu texto ilumina nosso conhecimento sobre a complexidade dos primórdios da Guerra Fria.

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