Alunos de MBA realizam projetos sociais no Brasil

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Alunos de MBA da Saïd Business School, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, estiveram recentemente no Brasil para visitar uma organização não-governamental com sede no Rio de Janeiro, a Pro-Natura. O objetivo da viagem: transferir conhecimento para a instituição que combate problemas sociais, econômicos e de meio ambiente em comunidades de países em desenvolvimento.

“É uma oportunidade para os alunos conhecerem melhor os desafios das regiões visitadas, assim como a cultura corporativa e as formas de negociar”, diz Tara Sabre Collier, vice-presidente para Brasil e Moçambique do Saïd Business School Venture Fund, fundo de investimento coordenado por estudantes da escola inglesa.

Segundo Tara, o objetivo do fundo, inaugurado em 2006, é apoiar com conhecimento e investimento negócios que reduzam danos ambientais e promovam benefícios sociais em comunidades vulneráveis. Mas, ela diz que é fundamental que eles deem retorno de capital.

A participação nas atividades do fundo é opcional para os alunos do MBA. Nessa viagem ao Brasil, vieram quatro estudantes. “A cada ano, os estudantes organizam viagens para diferentes regiões. Este ano foram sete: Brasil, China, Japão, Estados Unidos (Vale do Silício), África do Sul, Emirados Árabes e Canadá”, afirma Tara.

Para a Pro-Natura, ONG fundada no Brasil em 1985 e que tornou-se internacional – hoje tem escritórios na Inglaterra, França, Gana, Estados Unidos e Nigéria -, o apoio dos alunos da Saïd vai ajudar na implementação de um projeto de produção de energia com a queima do lixo em favelas pacificadas do Rio de Janeiro. “Os estudantes vão elaborar um estudo de viabilidade e um plano de negócios”, afirma Marcelo de Andrade, fundador da Pro-Natura. “Eventualmente, eles poderão também coinvestir no projeto.”

Os alunos de MBA da escola inglesa não são os únicos interessados em negócios com impacto social. Embora ainda não seja prioridade entre os estudantes, existem outros exemplos similares ao redor do mundo.

Na Fuqua School of Business, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, os alunos podem viajar para fora do país através do programa Global Academic Travel Experience (Gate).

Jennifer Francis, reitora associada dos cursos da escola, explica que em alguns casos essas viagens estão relacionadas a projetos sociais, mas nem sempre. “Nossos estudantes são expostos e envolvidos em projetos sociais quando estudam em diferentes partes do mundo, mas nossas viagens procuram expor os alunos a vários aspectos, positivos e negativos, de um país em particular”, ela diz.

Os destinos prioritários dessas viagens atualmente são Brasil, África do Sul e China. “As consultorias nesses países quase sempre são voltadas para as áreas sociais”, diz Jennifer, que cita duas delas. Uma delas está relacionada a uma organização global sem fins lucrativos que procura disponibilizar acesso a produtos de saúde reprodutiva de alta qualidade para mulheres. Em outra iniciativa, na China, os alunos trabalham com uma incubadora de negócios sem fins lucrativos e apoiam empreendedores sociais.

A Iese Business School, da Espanha, é outra escola que promove o contato de seus estudantes de MBA com projetos sociais. “Ensinamos habilidades gerenciais e conceitos, mas assegurando sempre que todas as decisões levem em conta o seu impacto social”, afirma o professor Franz Heukamp, reitor associado dos programas de MBA da instituição.

A escola espanhola oferece aos alunos a opção de realizar projetos sociais ao redor do mundo. Há, por exemplo, um módulo do MBA em Nairóbi, capital do Quênia. Além de ter aulas por uma semana em uma escola de negócios local, os estudantes trabalham em projetos específicos com líderes de negócios do país. “É uma maneira de ajudar essas comunidades por meio de negócios que tenham impacto no desenvolvimento da sociedade”, afirma Heukamp.

Em outro projeto, batizado como Iese MBA Social Challenge, os alunos aplicam os conhecimentos adquiridos no primeiro ano do curso em projetos reais de impacto social no bairro do Raval, que abriga principalmente imigrantes e pessoas mais pobres em Barcelona.

Ainda na Iese, durante o summer job, estágio que os alunos de MBA fazem entre o primeiro e o segundo ano do curso, é possível escolher entre atuar em um projeto corporativo em uma empresa tradicional ou em um social, em qualquer parte do mundo. No verão do ano passado, alguns alunos foram para projetos sociais relacionados à saúde nos Estados Unidos, Etiópia e Suíça e empreendedorismo no Quênia e na Nigéria. “Institucionalmente, faz parte dos programas promover a importância que os líderes de negócios têm em causar um impacto positivo na sociedade”, afirma Heukamp.

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Por Adriana Fonseca para o jornal Valor Econômico

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