Separatismo já

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Esse texto foi publicado no livro O SAPATO DO PIRATA, de Léo Lolovitch, em 1995, bem antes de surgirem os sites que ironizam o bairrismo gaúcho. Com ligeiras atualizações feitas pelo autor, ele está sendo publicado na Revista Digital.

O Brasil inteiro ficou rindo dessa conversa de separatismo. Um desconhecido inventou a tal República do Pampa. Uma reportagem da TV explorou o assunto e nós gaúchos temos que agüentar a gozação. Toda hora estamos explicando, para o resto do país, que não é coisa séria, não é bem assim ou que não somos separatistas.

O que ninguém perguntou é como os tais separatistas imaginam a vida no novo Estado? Pois conseguimos algumas respostas. Vale a pena conferir :

Quando alguém fosse de férias para Santa Catarina, poderia comprar moeda estrangeira, após carimbar o passaporte gaúcho. Porém, na volta, correria o risco de ter os camarões apreendidos na alfândega, ali no rio Mampituba.
As novelas da Globo seriam dubladas. Em vez de você teríamos tu ou tchê, além de guri, prenda, chinoca, macanudo, barbaridade, cusco, polvadeira,etc,etc.

Na hora do noticiário o quadro mudaria: Seriam 5 minutos de Jornal Nacional e 20 de noticiário local. Rede Globo, SBT, Record e Bandeirantes só entrariam aqui através da TV a cabo.

A Brigada Militar seria transformada em Exército, o Departamento Aeroviário do Estado em Força Aérea e o SPH (Superintendência de Portos e Hidrovias) em Força Naval, com possibilidades de aquisição de um submarino para patrulhar a Lagoa dos Patos.

Os Deputados Estaduais seriam promovidos a Federais e os Federais seriam nomeados Embaixadores nos Estados Amigos. Além disso o Governador passaria a ser Presidente e os Secretários de Estados se transformariam em Ministros.

Como prova de soberania o Presidente do Brasil não seria convidado para a Expointer ! O convite seria dirigido apenas ao Obama …

Grêmio e Internacional disputariam apenas a Libertadores da América e o Gauchão seria transformado em Campeonato Nacional.

Sete de Setembro não seria mais feriado e o dia 20 seria a nova data nacional.

A moeda seria o pila. Cada pila valeria um dólar e mais uma manta de charque. Só para dificultar as contas dos economistas.

Reivindicaríamos um lugar na ONU e uma parcela da Antártida, ali colocaríamos uma base científica com os homens rã do Corpo de Bombeiros. Nossa possível participação no Mercosul seria cautelosamente examinada, talvez aderindo apenas à Aliança do Pacífico.

Entre os aspectos vantajosos, é bom lembrar que, os vôos para o Rio, São Paulo e Brasília seriam considerados internacionais, com direito a compras no free shop.

O único perigo, ainda que remoto, que poderia preocupar, é a hipótese que os condenados de outros Estados do Brasil, como o Zé Dirceu ou o Delúbio, Marcos Valério, Genoino, João Paulo Cunha e outros possam vir a refugiar-se aqui. Diante da inexistência de acordo de extradição entre as duas nações amigas…

Autor: Léo Lolovitch

 

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