O sul e os gigantes

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sonho grandeOs empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira são os personagens principais de Sonho Grande, livro-reportagem da jornalista Cristiane Correa que mostra como o triunvirato construiu – em pouco mais de quatro décadas – o maior império da história do capitalismo brasileiro. E aqui vai um aviso: a história nem sempre foi recheada por conquistas gloriosas e façanhas admiráveis. Cristiane conta em detalhes o dia a dia do trio que, para expandir seus negócios, impunha uma filosofia que aliava alta competição e cobrança desmedida à possibilidade de rápido crescimento pessoal e financeiro. Nas empresas de Lemann, Telles e Sicupira – que são donos da AB InBev, da Burger King e da Heinz, além da Lojas Americanas –, os funcionários são convidados a se tornar sócios. E são tratados como tal. No Banco Garantia, era comum colegas aplaudirem (em tom de ironia) quem deixava o trabalho mais cedo que o habitual.

Cristiane também conta a relação do trio com companhias e executivos da região sul do Brasil. Um dos nomes mais representativos é o de Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau. Citado no livro, ele próprio dá seu testemunho sobre as características de Lemann, Telles e Sicupura: “Cada um tem um perfil diferente, mas eles reconhecem que essa é uma das suas forças. Eles se complementam. Separados, provavelmente não teriam chegado aonde chegaram”, opina Johannpeter.

O livro também resgata o episódio em que o fundo de investimentos GP adquiriu a concessão da malha sul da Rede Ferroviária Federal – que, mais tarde, daria origem à América Latina Logística (ALL). Alexandre Behring, um dos sócios da empresa de private equity, foi deslocado para a presidência da ALL. Sicupira logo percebeu que Behring não entendia nada do ramo. E foi pragmático na forma de lidar com o assunto: “Durante o primeiro ano, você e seu time não façam absolutamente nada que tenha a ver com o negócio. Façam coisas que exijam apenas bom senso, enquanto aprendem como funciona a empresa. Se vocês fizerem muitas coisas ligadas ao negócio propriamente dito, há grandes chances de sair bobagem”, aconselhou ele. A receita deu certo e a GP fez da ALL a maior operadora ferroviária do país.

Nem todos os episódios foram tão bem-sucedidos. Cristiane lembra que a GP também cometeu erros, como no caso da aquisição da Artex, uma fabricante de produtos para cama, mesa e banho de Blumenau (SC). Os resultados vieram abaixo do esperado e o fundo se viu obrigado a fazer uma associação com a Coteminas, formando a Toalia. Mas o acordo não funcionou e as sócias foram parar em um confronto na Justiça. Como se vê, até mesmo os grandes vencedores têm seus dias de infortúnio.

Fonte: Marcos Graciani / Revista Amanhã
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