A Dinastia de Richard Wagner (I)

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Neste ano de 2013 são comemorados os 200 anos de nascimento de Richard Wagner. Seu legado musical é a maior prova da perenidade das obras deste discutido compositor.

Seus familiares, através das gerações que o sucederam, não só apenas continuam como guardiões do Santo Graal – assim Cosima, esposa de Richard Wagner se referia ao Teatro dos Festivais de Bayreuth – como volta e meia os dramas e escândalos que envolvem esta turbulenta família continuam a ocupar  espaços na mídia europeia, em especial da Alemanha.

Todos os descendentes do compositor foram fruto de sua união com Cosima von Büllow, filha de Franz Liszt. Cosima ainda era casada com o maestro Hans von Büllow quando se envolveu emocionalmente com Wagner. Deste relacionamento nasceram duas filhas. Isolde (1865) e Eva (1867), batizadas com o nome das mais importantes personagens de óperas que foram estreadas naquele período: Tristão e Isolda e Os Mestres Cantores de Nurenberg. À época, as meninas eram consideradas filhas de von Büllow.

Wagner foi forçado por Ludwig II a se retirar da Baviera e se auto exilar na Suíça. Cosima abandonou definitivamente o marido e seguiu os passos do amante. Oficialmente ela viajara para tornar-se a secretária particular do compositor. O casal passou a residir na Villa Tribschen, nas cercanias de Lucerna e no dia seis de junho de 1869, Cosima deu à luz ao primeiro filho do casal, que recebeu o nome Siegfried Helferich Wagner. Nascia enfim o tão desejado varão, futuro herdeiro do legado musical do compositor. Após muito hesitar, von Büllow concedeu o divórcio para Cosima, possibilitando à mesma casar-se com Wagner, em Lucerna, no dia 25 de agosto de 1870.

Foi nesta época que Wagner decidiu construir o seu Teatro dos Festivais na cidade de Bayreuth, localizada ao norte de Nurenberg, na Franconia. Com o apoio financeiro do rei Ludwig e das dezenas de Sociedades Wagnerianas fundadas na Alemanha, França e Espanha entraram os fundos necessários para dar início às obras do primeiro teatro erigido para sediar as montagens das óperas de um único autor. A pedra fundamental foi colocada no dia 22 de maio de 1872, dia em que o músico completava 59 anos. As doações permitiram a Wagner erigir na mesma cidade uma suntuosa residência por ele denominada Villa Wahnfried.

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Teatro dos Festivais, em Bayreuth

O Teatro dos Festivais foi inaugurado no dia 13 de agosto de 1876. Pela primeira vez na história, o ciclo do Der Ring des Nibelungen foi encenado na íntegra. Diversas apresentações tiveram lugar até o dia 30 do mesmo mês.

Apesar do grande número de autoridades e nobres presentes, bem como a participação em massa dos grandes compositores da época, representando todo o cenário musical europeu, as apresentações foram deficitárias. O teatro só iria reabrir suas portas em julho de 1882 para a estréia da ópera Parsifal.

Wagner veio a falecer em Veneza, durante suas férias, no dia 13 de fevereiro de 1883. Seus restos mortais foram trasladados para Bayreuth e enterrados no jardim da Villa Wahnfried, onde se encontram até hoje. Cosima assumiu a direção do teatro com mão de ferro e após alguns tropeços iniciais conseguiu consolidar a frequência e a grandeza dos festivais, iniciando uma nova era em Bayreuth. É desta época que vem o culto à personalidade de Richard Wagner.

O jovem Siegfried começou a ser preparado como o novo guardião do Graal. Suas primeiras aulas de harmonia foram ministradas pelo avô, Franz Liszt. Logo após concluiu sua formação musical com Engelbert Humperdinck, em Frankfurt e com Felix Mottl, em Karlsruhe. Durante quatro anos ele trabalhou em Bayreuth como assistente do maestro Hans Richter. Em 1896 ele regeu seu primeiro ciclo do Der Ring des Nibelungen.

Suas irmãs mais velhas já haviam se casado. Isolde, com Franz Beidler e Eva com o inglês Houston Stewart Chamberlain, filósofo e pregador do arianismo, do antisemitismo e da superioridade das raças. Ele escreveu Die Grundlagen des Neunzehnten Jahrhundert (As fundações do século XIX), obra que teve grande sucesso, principalmente junto à imperadores e chefes de estado. No futuro, este homem seria o responsável por mitificar Adolf Hitler como o salvador da Alemanha.

Neste meio tempo, Siegfried, homossexual, viajava para o Oriente Médio com o jovem compositor inglês Clement Hugh Gilbert Harris, com quem mantinha uma relação amorosa. Ele se dedicara à música por imposição familiar e por ser filho de Richard Wagner. Sua verdadeira vocação era para a arquitetura. Cosima e as filhas chegaram à conclusão de que teriam que administrar a vida amorosa de Siegfried, para manter a linhagem sucessória de Richard Wagner.

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Siegftried e Winifred Wagner

 

Para isso escolheram uma órfã inglesa, Winifred Williams, adotada aos nove anos por Karl Klindworth, um velho amigo de Richard Wagner. Em 1914, com 17 anos, ela foi convidada a visitar Cosima Wagner na cidade dos festivais. Decorrido menos de um ano ela subia ao altar, em 22 de setembro de 1915, para casar-se com Siegfried Wagner.

No próximo artigo: Bayreuth sob o comando de Siegfried e Winifred Wagner; a suástica sobre o Teatro dos Festivais e a chegada dos novos herdeiros.

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