Livro analisa as manifestações sob ótica esquerdista

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

 

Cidades rebeldes capa Final.indd

A chacoalhada produzida pelas manifestações que tomaram as ruas do país em junho não ficou restrita à classe política. Com as marchas ainda nas ruas, intelectuais e acadêmicos (como se despertados no susto) se puseram a refletir sobre o fenômeno na busca por causas e efeitos.

“Cidades Rebeldes – Passe Livre e as Manifestações que Tomaram as Ruas do Brasil”(Boitempo) é um exemplo dessa tentativa.

Com apresentação da urbanista Raquel Rolnik, a obra reúne 15 pequenos ensaios alinhados ideologicamente à esquerda, que analisam sob parâmetros políticos, sociais e urbanísticos as chamadas “jornadas de junho”.

Entre os autores estão desde brasileiros como o historiador Lincoln Secco, o jurista Jorge Luiz Souto Maior e o filósofo Paulo Arantes, o jornalista Leonardo Sakamoto, até estrangeiros como o historiador americano Mike Davis, o geógrafo britânico David Harvey.

Estes abordam fatos que, embora passados fora do Brasil, são de certo modo análogos à realidade local. Davis, por exemplo, fala de como o debate sobre transporte urbano e coletivo se deu na Califórnia.

O livro traz ainda um manifesto do Movimento Passe Livre, responsável por desenrolar o cordão das “jornadas”.

Além de um histórico do grupo, que faz uma ponte entre os protestos que pararam Salvador (BA), em 2003 (origem do MPL), e os que aconteceram em São Paulo dez anos depois, expressões como “retomada do espaço urbano” e “ação direta” jogam luzes sobre as metas e o pensamento do movimento.

Contradições

Entre críticas à política econômica do governo petista (onde elas estavam guardadas?), que, segundo a tônica geral do livro, aliou traços mais à esquerda como a distribuição de renda, e mais conservadores como o privilégio do transporte individual, há análises sobre o uso do espaço público e a necessidade de integração dos grandes centros por meio do transporte coletivo gratuito ou de baixo custo.

As manifestações, admite Rolnik a certa altura, se assemelham a um terremoto “que perturbou a ordem de um país que parecia viver uma espécie de vertigem benfazeja de prosperidade e paz (…), e fez emergir agendas mal resolvidas, contradições e paradoxos”.

Encerrando, o esloveno Slajov Zizek (espécie de Charlie Sheen da filosofia) relaciona os eventos brasileiros a estrangeiros recentes como o Occupy e a Primavera Árabe.

O livro traz ainda fotos e ilustrações de Laerte, cartunista da Folha, Rafael Grampá, Fido Nesti e outros.

 

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone