Cultura do carro nos EUA vive marcha a ré

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bike

 

Dos jovens americanos entre 20 e 24 anos de idade, 20% não têm carteira de habilitação; 40% dos que têm 18 anos tampouco. Nos dois casos, o número de jovens que não dirigem no país das autoestradas dobrou em 30 anos.

Desde 2001, o total de quilômetros dirigidos pelos americanos está em declínio, muito antes da crise de 2008.

Assim como Detroit -berço das montadoras, cuja prefeitura entrou em concordata e que encolheu de 1,8 milhão de habitantes nos anos 70 para 700 mil hoje-, a cultura automobilística dos EUA vive momento de marcha a ré.

“Minha geração quer cada vez mais morar nas cidades e fugir dos subúrbios. O uso de bicicleta e de transporte público nas maiores cidades está em alta”, disse à Folha de São Paulo o urbanista Owen Washburn, 29, do Instituto Brookings.

Estudos dizem que os aparelhos tecnológicos substituíram os carros como objetos de desejo dos mais jovens. E que a vida na cidade, onde os empregos da chamada nova economia se concentram, também ficou mais atraente.

Apesar do barulho provocado pelo grande sistema de compartilhamento de bicicletas em Nova York, lançado em maio com 7.000 bikes, a surpresa é que cidades médias e até no interior americano seguem a tendência.

San Antonio, Austin (Texas) e Atlanta (Georgia) têm criado várias ciclovias -Austin terá compartilhamento de bicicletas no fim do ano.

“Há forte redução do uso do carro em Austin. Mas, no interior, ainda há caminhonetes por todo lado”, diz o professor mineiro Fernando Lara (Universidade do Texas).

Washington e Seattle criam 20 km por ano de ciclovias. Em vários casos, há financiamento federal para as obras.

É o caminho oposto das políticas dos EUA que nos anos 40 e 50 estimularam o uso de veículos, da criação do sistema de rodovias à concentração de empregos em distritos aonde só se chegava de carro.

Um dos prefeitos que mais investiram na mudança acaba de virar o secretário dos Transportes dos EUA. Anthony Foxx, 42, fez do transporte público prioridade na Prefeitura de Charlotte, a maior cidade da Carolina do Norte -algo incomum nos conservadores Estados do Sul.

Estendeu um metrô de superfície e ressuscitou uma rede de bondes. A economia ajudou: Charlotte virou o segundo maior centro financeiro do país, após Wall Street, e muitos de seus novos trabalhadores são jovens que preferem viver perto do trabalho.

Fonte: Raul Juste Lores / Folha de S.Paulo

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