O Réquiem de Verdi

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Verdi escreveu poucas obras fora do estilo operístico. Apesar de ser um ateu estava disposto em seus momentos mais contemplativos a amenizar sua atitude para o agnosticismo. Ao chegar ao fim da vida, quem sabe movido pela ideia da mortalidade, dedicou-se a escrever algumas obras sacras. Entre as de maior destaque citamos o Quarteto de Cordas e as Quatro Peças Sacras. Mas a que mais comove e ficou para a posteridade é a impressionante Missa de Réquiem, escrita entre 1873 e 1874, em memória do escritor nacionalista Alessandro Manzoni.

Se tomarmos padrões como os de Bach e Mozart, iremos reparar que o Réquiem de Verdi está mais afetado por emoções religiosas do que pela religião. Sinais operísticos, às vezes, chegam até a superfície da obra em mais de uma ocasião. Por exemplo, no momento dramático e atemorizante do Dies Irae, bem como no lirismo de algumas passagens interpretadas pelos solistas.

Voltemos às origens desta obra. Em 22 de maio de 1873, o herói do compositor, o romancista Alessandro Manzoni, morreu em Milão, aos 89 anos de idade. Verdi ficou muito abalado pela morte de Manzoni, mas decidiu não ir aos funerais. Quatro dias após Verdi viajou para Milão para estar só junto ao túmulo do amigo. Após profunda reflexão, o compositor decidiu qual a maneira mais eficiente de honrar a memória de Manzoni. Numa longa carta para Tito Ricordi, ele escreveu:

Gostaria de compor uma Missa pelos Mortos, para ser executada no próximo ano, no primeiro aniversário da morte de Manzoni. A Missa teria dimensões muito vastas e, além de uma grande orquestra e um grande coro, ela também exigiria quatro ou cinco cantores solistas.

Você acha que a municipalidade assumiria as despesas de execução? Eu providenciaria cópias da música às minhas próprias custas e eu próprio regeria a apresentação, tanto nos ensaios quanto na igreja. Se achar que isto é possível, fale com o prefeito. Dê-me uma resposta o mais rápido que puder, pois pode considerar esta minha carta como um compromisso.

Em nome da cidade, o prefeito de Milão aceitou a oferta do compositor. Em junho de 1873, o compositor e a esposa Giuseppina partiram para Paris, onde Verdi começou a escrever seu Réquiem para Manzoni, usando o Libera me, que havia composto cinco anos antes como sua contribuição para o frustrado Réquiem para Rossini.

De volta à Itália ele continuou a trabalhar no Réquiem durante todo outono e o inverno. Em abril de 1874, a partitura estava composta e, no começo de maio, o compositor foi a Milão, a fim de começar os ensaios para a apresentação em 22 de maio, aniversário da morte de Alessandro Manzoni. O local escolhido, como tendo a melhor acústica, foi a Igreja de São Marcos. Os solistas do Réquiem foram quatro cantores, que haviam brilhado nas execuções da ópera Aída: Teresa Stolz (soprano), Maria Waldmann (mezzo-soprano), Giuseppe Capponi (tenor) e Ormondo Maini (baixo).

A apresentação da Missa de Réquiem, regida por Verdi, com um coro de 120 pessoas e uma orquestra de 150 músicos, foi um sucesso enorme. Três dias após Verdi teve que reger uma segunda apresentação de sua obra, no La Scala. O jornal milanês Il Sole deixa claro que, desde o começo, esta Missa agnóstica, dramática e popular foi recebida pelas plateias mais como uma experiência musical do que religiosa.

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Existem muitos registros históricos do Réquiem de Verdi. Dentre eles destacamos o DVD Messa da Requiem com Price, Cossotto, Pavarotti, Ghiaurov e a Orchestra e Coro del Teatro Alla Scala sob a direção de Herbert von Karajan. Duas curiosidades nesta gravação: a direção de filmagem esteve a cargo de George Henri-Clouzot, afamado diretor do cinema francês, realizador de filmes de suspense como O Salário do Medo e As Diabólicas. Pavarotti, jovem tenor em ascensão, ainda não usava sua tradicional barba, mas já brilhava como solista.

Clique aqui para escutar o Dies Irae do Réquiem de Verdi com a Filarmônica de Berlim:

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