Educação e Produtividade

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“Nossos alunos do Ensino Médio precisariam ainda de muitos anos para atingir o estágio atual dos alunos dos países mais ricos. Precisamos dar um salto, como fizeram outros países”, afirma Rodrigo Rollemberg.

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Não há dúvida de que, nas últimas décadas, o Brasil avançou nos quesitos de estabilidade, redistribuição de renda e consolidação democrática. Entretanto, apesar da diminuição das desigualdades sociais e de alguns avanços nas áreas econômica e de gestão pública, ainda restam grandes tarefas a cumprir. Se de fato almejamos continuar no rumo certo, não vislumbramos outra alternativa a não ser buscar a melhoria contínua em um conjunto de indicadores. Necessitamos alcançar mais alto nível educacional, promover maior inovação tecnológica, infraestrutura adequada, justiça social, defesa dos valores democráticos, responsabilidade ambiental, boas condições de saúde da população, taxa elevada de investimento e gestão eficiente e moderna, tanto do setor público quanto do privado.

Sem dúvida que um tema central é o da produtividade. Estudos especializados são unânimes em apontar que sua participação no crescimento do PIB e do PIB per capita do país ainda é relativamente modesta. Fator muito mais importante foi, por exemplo, a redução do desemprego, que apresenta hoje a taxa de 5,5%. Isso quer dizer que temos muito mais brasileiras e brasileiros participando do mercado de trabalho, o que é extremamente positivo. Porém, quer dizer igualmente que a produtividade do trabalho não aumentou muito, o que é tremendamente desafiador. Os últimos índices de crescimento do Produto Interno Bruto, 2,7% em 2011 e 0,9% em 2012, são um alerta de que o aumento do emprego e do consumo está próximo do limite.

Se de fato almejamos prosseguir em nosso caminho rumo ao desenvolvimento, um dos desafios mais sérios e urgentes com que o país se defronta é a melhora da nossa performance educacional, principalmente nas questões que concernem à Educação básica. Hoje, a população tem mais acesso à Educação do que há duas décadas. Mas os indicadores de Ensino médio ainda são desalentadores — a reprovação e o abandono chegam a 23%, segundo o IBGE — e a qualidade da Educação ainda é baixa. Nas Escolas públicas do Ensino fundamental, somente 70% dos Professores têm nível superior e a distorção de idade/série chega a 30%.

Uma breve comparação, levando-se em conta os anos de estudo da população economicamente ativa, indica que o Brasil está muito atrás de uma grande quantidade de países. Enquanto, em 2010, o Brasil apresentava uma média de 7,5 anos de estudo per capita, os países de língua inglesa, por exemplo, apresentavam média de 11,7 anos; os Tigres Asiáticos, de 10,7 anos; a Europa Ocidental, excluídos Grécia, Espanha e Portugal, de 10,6 anos, e assim por diante.

Quanto à batalha da qualidade, os desafios são muito maiores. A gravidade do problema pode ser percebida no fato de que há países que, embora se encontrem, assim como o nosso, na condição de países de renda média, apresentam melhor qualidade educacional. Nos exames do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), por exemplo, ficamos atrás de México, Uruguai, Chile. Avançamos mais em termos econômicos do que em termos intelectuais, científicos e tecnológicos.

Essa é uma situação que não pode durar, em virtude da inequívoca correlação entre performance educacional e desempenho econômico. Mantida a defasagem atual por longo tempo, a economia brasileira deverá retroceder, devido a nossos medíocres indicadores educacionais. E isso torna-se particularmente sério quando sabemos que existe uma questão demográfica importantíssima: não teremos uma população jovem por muito tempo, e estamos perdendo uma grande janela de oportunidade para o crescimento.

É justo dizer que estamos em meio a uma transição, mas é igualmente justo sublinhar que essa transição ocorre em passo excessivamente lento. Mantido o nosso ritmo, nossos Alunos do Ensino médio, por exemplo, precisariam ainda de muitos anos para atingir o estágio atual dos Alunos dos países mais ricos. Precisamos dar um salto, como fizeram outros países — Coreia do Sul, China, Irlanda.

A lição que devemos tirar disso é que priorizar investimentos em Educação é tão importante quanto investir de forma eficiente e efetiva. Não basta alocar recursos, é preciso geri-los de forma competente. Pilar de sustentação das sociedades modernas, a Educação é essencial ao desenvolvimento, refletindo-se diretamente na economia. Os países que valorizam e investem maciçamente em Ensino e atividades produtivas consequentemente terão economias bem alicerçadas. Cidadãos mais preparados recebem melhores salários, adquirem mais bens e serviços, intensificando assim o fluxo econômico e proporcionando vários outros benefícios ao conjunto da população.

Fonte: Correio Brazilense (DF)

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