Rococó, a Ponte do Barroco para o Clássico

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

rococo

Monastério Beneditino de Ottobeuren

O período Barroco foi extremamente fértil no terreno das artes. A Escola Holandesa de Pintura, encabeçada por Rembrandt van Rijn, Frans Hals e Jan Vermeer e os escritores Pierre Corneille, Jean Baptiste Molière, Jean Racine, John Milton e William Shakespeare foram responsáveis pelo surgimento de novos estilos. Versailles na França, El Escorial na Espanha e a Catedral de São Paulo em Londres, fazem paralelo com a grandeza de um Dido e Enéias de Henry Purcell, o Messias de Handel e a Paixão Segundo São Mateus de Bach.

Alguns autores se referem a esse período como um degenerado bastardo da Renascença. Tudo isso foi uma reação ao novo. O Barroco marcou a evolução de modernos conceitos na composição e nas performances musicais. Houve um crescimento nas formas de criatividade e na interpretação. Muitas das composições que existem hoje têm sua origem no Barroco. Seus maiores representantes foram Albinoni, Bach, Handel, Monteverdi, Pachelbel, Purcell, Scarlatti e Vivaldi.

Os anos de 1776 e 1789, marcados pelas revoluções americana e francesa, deram início à mudanças políticas, sociais, econômicas e culturais que alteraram o curso da história. Poucos anos antes da revolução americana, d¢Alembert, Diderot, Rousseau (que além de filósofo era músico) e Voltaire compilaram a Encyclopedie ou Dictionaire Raisonné des Sciences, des Arts, et des Métiers. A Idade da Razão estava entregando para a humanidade o seu mais detalhado documento literário. Enquanto isso, a música que imperava nos salões europeus ainda era no estilo Rococó, ultimo derivado do Barroco.

Esse tipo de música se situava entre a opulência da aristocracia e as maneiras elegantes da burguesia. O termo rococó tem sua origem nas artes plásticas e suas raízes são as palavras rocailles e coquilles. Era moda na França, o hábito de utilizar em projetos arquitetônicos pequenas esculturas em forma de rochas ou conchas. Esse estilo leve e gracioso foi imitado em toda a Europa, principalmente na Alemanha e na Áustria.  Muitas igrejas desses dois paises foram construídas no estilo rococó. A minha preferida é a Wieskirche, que se ergue solitária numa floresta do Allgau, na Baviera. Outro belo exemplo é a Igreja do Monastério Beneditino de Ottobeuren, construída a partir de 1737 por Johann Michel Fischer, o maior mestre arquiteto do Rococó na Alemanha.

Já o estilo musical que leva esse nome, não é de fácil definição, sendo bem representado pelas obras ligeiras da escola francesa. A música no estilo rococó chega perto das fronteiras da frivolidade e é caracterizado pelas sarabandas, gigas, minuetos e outras galanteries.

Um dos compositores do rococó foi Johann Christian Bach, filho mais novo de Johann Sebastian, que brilhou nas cortes de Milão e Londres. Mozart quando jovem assistiu vários concertos do Bach londrino e assimilou muito do seu estilo.

Ante um século XVIII racionalista no pensamento e classicista na arte, o período Rococó foi efêmero. A Escola de Mannheim na Alemanha desenvolveu um novo estilo de música instrumental e de orquestração. Começava a nascer a forma sonata que foi uma reação aos excessos do Barroco. A Escola Clássica de Viena assume a liderança dessas mudanças e vai formar Haydn, Mozart e Beethoven. Começam a ser compostas sonatas, quartetos de cordas e sinfonias. É o nascimento do período Clássico.

O plágio de Bach – O editor Estienne Roger publicou em 1712, os Concerti Grossi de Vivaldi sob o nome de Estro Armonico op. III. Um dos mais conhecidos é o Concerto nº 10 em si menor, para Quatro Violinos. Entre 1730 e 1735, Bach começou a escrever concertos para três e quatro cravos. A bibliografia registra que Bach, seus filhos Wilhelm Friedemann e Carl Philipp Emanuel e o aluno Johann Ludwig Krebs executaram o famoso Concerto para 4 Cravos e Cordas em Lá Menor. Esse trabalho é uma transcrição perfeita do Concerto nº10 de Vivaldi. Existem várias versões que justificam os “arranjos” de Bach como sendo uma homenagem ao compositor veneziano. Na verdade, herdamos dois belos concertos que merecem ser escutados.

Clique aqui para escutar o Concerto de Vivaldi, mais tarde plagiado por Bach:

Assinatura e_mail

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone