A intuição deve falar mais alto

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“O que houve com a intuição?” foi o tema da palestra de Regina Augusto, diretora editorial do Meio & Mensagem e uma das maiores especialistas brasileiras no mercado de comunicação, no 19º Festival Mundial de Publicidade de Gramado, que aconteceu recentemente na Serra Gaúcha. O painel teve participação de Hiran Castelo Branco, presidente do Conselho Nacional de Propaganda e vice-presidente da ESPM; e Marcelo Pires, diretor da agência Ideia da Silva. A mediação foi do presidente do Festival, o publicitário Mauro Dorfman.

Regina falou sobre as mudanças na comunicação e destacou uma nova forma de pensar a publicidade, reunindo razão e emoção. “Nunca antes o pensamento complexo foi tão importante para lidarmos com a realidade. Separar razão da emoção não faz mais sentido”, disse a jornalista. Além disso, para ilustração, ela mostrou exemplos de frases de pensadores consagrados como Edward Bono, Bauman e Gilles Lipovetsky. “A teoria desses autores pode parecer chata, mas é muito importante para o aprendizado de todos nós e para entender os perfis das agências”, disse ao indicar as leituras.

Na prática, conforme disse Regina, o maior exemplo de uma marca que se apropriou dos conceitos de Bauman é a Coca-cola. “É simples, é a capacidade da criação de histórias que poderão ser expressas através de toda conexão possível, fluindo por qualquer meio”, explicou. A especialista garante que a marca é uma das maiores e mais bem pensadas do mundo.

Nos primórdios da publicidade, ainda no século passado, a racionalidade era permanente. “Isso foi até 2005, quando as marcas ainda tratavam as campanhas sem emoção, dando a ideia técnica do produto e nada mais”, disse. Como exemplos, ela citou OMO e Nivea, mostrando anúncios completamente racionais. “A partir da metade do século XX, primeiro nos EUA e na Inglaterra, os conceitos começaram a mudar”, complementou. “O Brasil foi muito importante nesse processo, pois o improviso, a informalidade e a ginga brasileira serviram de incentivo para uma nova forma de pensar”, falou.

Além disso, Regina destaca outras mudanças na publicidade brasileira. “Os donos das agências estão falando mais com os clientes, com os donos das empresas, por exemplo”. Para ela, essa interlocução é essencial e fundamental no avanço das empresas. “Não é fácil se diferenciar no mercado atualmente, mas a intuição ainda precisa falar mais alto. É preciso correr riscos para vencer, é preciso viver a vida com razão e emoção”, concluiu Regina.

Hiran Castelo Branco enfatizou que toda decisão humana é de origem emocional. “Decidimos emocionalmente e justificamos racionalmente. Os homens têm uma tendência maior a não valorizar a emoção, o que torna muito difícil aceitar que a intuição é uma grande verdade”, revelou. Marcelo Pires complementou: “Intuição é ver as coisas de uma forma interior. No mundo globalizado, o valor de ver o interior é o que faz toda diferença”, disse. Para ele, as agências estão completas no sentido da razão, mas quando falamos em emoção, a maioria deixa a desejar. “A maior prova de inteligência é a intuição”, finalizou.

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