Jonas Kaufmann – Um novo Heldentenor

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O heldentenor ou tenor heroico é considerado possuidor de uma das maiores e mais dramáticas vozes do grupo dos tenores. É o timbre exigido pelos principais personagens das óperas de Richard Wagner, mas também pode atuar em outros papéis, como Florestan de Fidélio, Don José de Carmem, Cavaradossi de Tosca e Conde de Almaviva de O Barbeiro de Sevilha.

Durante o século XX, a cena wagneriana foi iluminada por tenores heroicos inesquecíveis, como Max Lorenz, Lauritz Melchior, Set Svanholm, Ramón Vinay, Leo Slezack e Wolfgang Windgassen. Após este último, a safra de novos intérpretes já foi menos rica, sem demérito para as atuações dos cantores René Kollo, Peter Hoffmann, Siegfried Jerusalém e Plácido Domingo.

Apesar de ser muito criticada, achei correta a interpretação de Plácido Domingo como Siegmund, em Bayreuth e como Parsifal na Ópera de Viena. Creio que sua única falha como heldentenor foi sua interpretação de Tristão, na gravação do CD Tristan und Isolde.

O maior desafio para um heldentenor é sua iniciação por Tannhäuser, Lohengrin e Parsifal. Após cumprir estas etapas ele poderá participar no Der Ring des Nibelungen, inicialmente no papel de Siegmund, um dos principais personagens da ópera Die Walküre. Vencido este obstáculo ele poderá ganhar o papel de Siegfried, que significa o auge de desempenho de um tenor heroico. Este personagem tem participação fundamental em duas óperas do ciclo: Siegfried e Götterdämmerung.

Pois eis que nos aparece neste começo do século XXI um novo heldentenor que acreditamos poderá ser o digno sucessor dos representantes que abrilhantaram o século XX. Ele se chama Jonas Kaufmann e nasceu em Munich, em julho de 1969. Após graduar-se, em 1994, pela Universidade de Música e Belas Artes de sua cidade natal deu início a uma carreira até hoje coroada de sucesso e em constante ascensão. Seus primeiros trabalhos foram nas óperas de Stuttgart e Hamburgo. Em paralelo deu início a sua carreira internacional, passando pelo Festival de Salzburg, óperas de Milão, Paris e Chicago.

Sua primeira consagração deu-se no Covent Garden, em 2007, quando interpretou Cavaradossi, ao lado de Ângela Gheorghiu e Bryn Terfel respectivamente nos papéis de Tosca e Scarpia.

Após interpretar vários personagens das óperas iniciais do cânon wagneriano, Jonas Kaufmann foi convidado a participar da estreia da nova montagem do Der Ring no Metropolitan Opera House de New York. Isto ocorreu em abril de 2011 e a ele coube o papel de Siegmund na segunda ópera do ciclo. Seu desempenho lhe valeu o convite para o papel principal da ópera Parsifal encenada em fevereiro de 2013, no mesmo teatro.

A Decca acaba de lançar um CD no qual Jonas Kaufmann interpreta várias cenas de Rienzi, Tannhäuser, Lohengrin, Meistersinger, Die Walküre e Siegfried. Todos os trechos são bastante conhecidos pelos apreciadores destas óperas. Mas a grande atração deste CD foi a quebra de paradigma feita pelo intérprete, ao gravar os Wesendonck-Lieder, obra tradicional de Wagner, escrita para ser interpretada por voz feminina. Kaufmann ousou ao cantar com seu registro de heldentenor, estas canções tradicionalmente reservadas a intérpretes do sexo feminino.

O resultado foi extremamente positivo e podemos afirmar que estas canções soam muito bem interpretadas por um tenor heroico. Recomendamos este disco, não só pela qualidade do intérprete, bem como pelas inovações nele contidas.

Clique aqui para escutar Jonas Kaufmann interpretando Siegmund, no clássico Ein Schwert Verhiess Mir der Vater:

 

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torelly@polors.com.br

 

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