Efemérides e o polêmico Norman Lebrecht

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O ano de 2013 registra uma série de datas que merecem ser lembradas e até mesmo comemoradas. Transcorrem em 2013 os duzentos anos do nascimento dos dois maiores gênios da ópera, Richard Wagner e Giuseppe Verdi. Registre-se há cem anos nasciam Benjamin Britten e Witold Lutoslawski, o primeiro inglês e o segundo polonês, autores de obras até hoje presentes nos repertórios internacionais das grandes orquestras e casas de ópera, como Peter Grimes, War Requiem, (Britten) bem como os concertos, sinfonias e as três peças orquestrais conhecidas como Chains, escritas originalmente para o violinista Pinchas Zuckerman, mas adotadas e divulgadas com entusiasmo por Anne-Sophie Mutter (Lutoslawski).

Agora iremos nos ater a outra importante comemoração, que é um marco para os responsáveis pela Revista Digital. Hoje ela está atingindo sua edição de número 700, prova de que atingiu seus objetivos junto à seus inúmeros leitores. Eu escrevia a coluna Adagio para as edições dominicais do jornal Correio do Povo, quando fui contatado por Inácio Knapp, editor da Revista Digital. Na primeira reunião que mantivemos, com a presença de Ronald Krummenauer, Diretor Executivo da Polo RS – Agência de Desenvolvimento, fui informado que a Revista Digital era o canal de comunicação entre a Polo RS e as empresas representativas de diferentes setores da economia de nosso Estado. Ao perguntar qual a razão de uma coluna versando sobre música clássica e eventualmente literatura, imiscuir-se numa pauta especializada em economia tradicional, nova economia e finanças, parques tecnológicos e políticas de incentivo, fui informado que eles consideravam necessária a presença de temas culturais junto às matérias tradicionais.

Julguei procedente a estratégia, pois a cultura em nosso país está sendo abandonada gradativamente, enquanto as massas aderem às novas tecnologias. Cabe lembrar que ao final da II Guerra Mundial, o grande economista Maynard Keynes solicitou verbas públicas para serem aplicadas no Conselho de Artes e na restauração da Royal Opera House. Sua meta era a de reviver, passados os horrores do conflito, a riqueza cultural do povo inglês.

Numa época em que havia racionamento de pão e Londres era uma cidade em escombros, a cultura não foi relegada a um segundo plano e os recursos foram providenciados para criar uma Companhia de Balé, formar uma nova Orquestra Sinfônica e abrir a Casa de Ópera no Covent Garden.

Na Revista Digital provou-se que economia e cultura podem coexistir, já que em setembro de 2012 a coluna Adagio completou dez anos de permanência em suas páginas. Consigno aqui meus cumprimentos a toda a equipe da POLO RS e da Revista Digital por atingirem tão significativa meta.

Hoje dedicaremos algumas linhas ao controvertido crítico Norman Lebrecht, cuja bibliografia sempre representou inesgotável fonte para enriquecer meus textos.

Lebrecht nasceu em Londres em 1948 e é novelista e crítico musical. Trabalhou nos jornais Daily Telegraph e Evening Standard. Desde o ano 2000 trabalha na BBC 3 conduzindo programas de entrevistas com personalidades do mundo da música. Seu blog Slipped Disc é um dos mais lidos sites culturais, registrando um acesso mensal de 800.000 leitores.

Já publicou 12 livros sobre música. Sua obra mais conhecida é O Mito do Maestro, já lançado no Brasil. Lebrecht tem uma multidão de fãs e uma legião de inimigos. O crítico de óperas, Michael Tanner, a respeito do O Mito do Maestro, escreveu no suplemento literário do The Times: Este é o livro mais repulsivo que li em minha vida.

Já o crítico Robert Craft elogiou o conteúdo do mesmo livro, considerando O Mito do Maestro como O Livro do Ano na área musical.

A mais recente obra de Lebrecht é Why Mahler? Em suas páginas o autor traça um perfil radical do mais influente músico do início do século XX.

Entre suas outras obras, recomendamos: A Música em Londres, Reminiscências de Mahler, Vida e Morte da Música Clássica. Guia para a Música do Século XX, Covent Garden: a História que não foi contada, O Livro das Anedotas do Mundo Musical.

Ao final do livro Vida e Morte da Música Clássica o autor elenca as 20 piores gravações de música clássica, bem como as cem melhores gravações do gênero. Quatro obras dos aniversariantes citados no início da matéria estão contempladas na lista dos Cem Mais:

Wagner: Tristan und Isolde

Kirsten Flagstad, Ludwig Suthaus, Blanche Thebom.

Philarmonia Orchestra/ Wilhelm Furtwängler.

EMI: London, 10-23 de junho de 1952.

Verdi: Aida

Renata Tebaldi, Mario del Monaco, Ebbe Stignani, Santa Cecilia Academy Chorus and Orchestra/Alberto Erede.

Decca: Rome, agosto de 1952.

Britten: Peter Grimes

Jon Vickers, Heather Harper, Jonathan Summers, Royal Opera House Chorus And Orchestra/ Colin Davis

Philips: London, abril de 1978.

Lutoslawski: Paganini Variations

Martha Argerich, Nelson Freire

Philips: La Chaux-au-fonds, Switzerland, agosto de 1982.

Para finalizar, dedico a todos aniversariantes da coluna de hoje, esta original versão do Parabéns a Você interpretada por Nicole Pesce nos estilos de Beethoven, Bach, Brahms, Chopin e Mozart:

 

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 torelly@polors.com.br

 

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