Beethoven, Poulenc e Um Piano na Esquina

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

Imagem1  

Dando continuidade à apreciação do repertório dos diversos concertos que aconteceram em Porto Alegre na terceira semana de abril, iremos nos dedicar à Quarta Sinfonia de Beethoven e às obras de Francis Poulenc executadas pela Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro e no concerto para piano do StudioClio.

A quarta sinfonia de Beethoven é comparada a uma delicada donzela entre dois gigantes nórdicos. Outros a consideram como um livro de somenos importância, espremido entre a Ilíada e o Dom Quixote.

Longe disso, considero esta obra como uma importante contribuição ao mundo da música. Não podemos esquecer que Beethoven estava no limite entre o período clássico e o romântico. A guerra se espalhava por toda Europa após Napoleão vencer a Polônia nas heroicas batalhas de Jena e Auerstädt.

Beethoven acabara de estrear a Eróica e Fidélio, suas obras mais avançadas e polêmicas. Descansado, ele entrou numa fase de descontração. Ao iniciar sua quarta sinfonia em ré maior ele retornou à simetria clássica, já que havia se afastado dos modelos de Haydn e Mozart. O primeiro movimento, um allegro tem um tema, que ao estilo de Haydn, impera do princípio ao fim. Os temas subsidiários são episódicos e seu desenvolvimento é rudimentar. Um estilo característico do romantismo, de alta sensibilidade aparece no adagio em sol maior.

Quanto à execução desta obra por uma orquestra de câmara, nos pareceu extremamente correta. Não devemos esquecer que a sinfonia nº 3 – Eróica estreou no palácio do príncipe Lobkowitz, sendo executada à época por uma orquestra de câmara.

Da obra de Francis Poulenc(1899-1963), tivemos no Theatro São Pedro a apresentação do Concerto para dois Pianos. Os intérpretes foram Olinda Allessandrini e Paulo Zereu, que se apresentaram no dia 18, com o espetáculo Um Piano para dois, oportunidade em que interpretaram a Sonata para piano de Poulenc a quatro mãos.

Este compositor foi considerado o playboy da música francesa, já que nascera de uma família rica e era muito bem posicionado na sociedade. Após concluir seus estudos musicais, entrou para o iconoclasta grupo Les Six, liderado por Jean Cocteau. Do mesmo faziam parte Darius Milhaud, Georges Auric, Arthur Honegger, Germaine Tailleferre e Louis Duret. O grupo rejeitava o inflado romantismo de Wagner e consideravam imprecisas as obras de Debussy e Ravel.

Consideramos Poulenc o mais aplicado músico desta turma, já que o mesmo era exímio em contraponto e buscou inspiração em Stravinsky e Eric Satie. Foi o único do grupo a buscar novos caminhos. Após sua conversão ao catolicismo, sua música tornou-se mais conservadora. É o período da composição de Le Dialogue des Carmelites, La voix humaine e do Gloria.

Seu Concerto para dois Pianos data de 1932 e é considerado o mais exuberante de seus concertos.

O concerto do StudioClio também contou com a execução da Sonata em dó maior, de Mozart, da Fantasia em fá menor de Schubert – para mim o grande momento da noite – e de três Danças Eslavônicas, de Antonin Dvorák.

Imagem3

Conheci Olinda Allessandrini no início da década de 1990. Creio que seu primeiro disco, gravado na Assembleia Legislativa, com obras de Villa Lobos, deu início à brilhante carreira desta nossa conterrânea, nos palcos internacionais. Não deixaria de encerrar esta coluna sem recomendar o mais novo disco de Olinda que leva o sugestivo título de Um Piano na Esquina. Ele nos deleita com as Doze Valsas da Esquina, de Francisco Mignone e cinco peças de Carlos Guastavino, entre elas o tradicional Bailecito.

Clique aqui e assista o duo Alessandrini – Zereu executando fragmento da Sonata de Mozart:

Clique aqui para assistir o 1º movimento do Concerto para dois Pianos de Francis Poulenc:

 

adagio-logo1

torelly@polors.com.br

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone