Afinal, qual é o papel de quem herda um negócio?

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Mesmo que prefira fazer uma carreira longe dos negócios da família, o herdeiro precisa aceitar o peso dos fatos: jamais deixará de ser herdeiro.

herdeiroO fundador de uma empresa familiar costuma ter vários objetivos de vida. Um deles é recorrente: que seus descendentes também se dediquem ao negócio que eles, com tanto empreendedorismo e dedicação, ergueram e colocaram no mercado. Mas nem sempre é isso que ocorre – e aqui cabem duas constatações: as relações familiares se tornaram muito mais complexas nas últimas décadas; e a empresa familiar é diretamente influenciada pelas famílias que controlam seu capital. Ou seja: os negócios em família são afetados também por questões afetivas e emocionais que regem as relações entre pais e filhos, irmãos e primos, fundadores e herdeiros. Especialmente num cenário em que existe patrimônio comum – um legado de propriedade de toda a família.

Na maioria das empresas familiares com que trabalhei, pude observar o mesmo padrão: os filhos são levados para dentro da estrutura dos negócios desde cedo – nem sempre por vontade própria. Essa decisão, tomada pelos pais, tem consequências positivas e negativas. Mas impacta não só a carreira como também a vida pessoal dos herdeiros.

A relação entre pais e filhos nem sempre é tranquila. E tende a ficar ainda mais complicada quando envolve fundadores de empresas e os atuais jovens de 18 a 30 anos, pertencentes às gerações Y ou Z. Primeiro, porque esses jovens cresceram em um ambiente com crescente liberdade de escolha, tanto profissional quanto pessoal – formação acadêmica, crença religiosa, expressão política, sexual etc. Hoje, os jovens se deparam com dezenas de novas possibilidades de carreira, bem mais do que aquelas que existiam há 30 anos. Além disso, o grande incentivo ao empreendedorismo, que hoje se materializa na criação das chamadas startups, leva não raros herdeiros a se associarem a amigos em busca de uma alternativa fora dos negócios da família.

Cabe, aliás, uma análise dos papéis que esses herdeiros podem assumir nesse novo cenário. Eles serão sócios? Serão líderes? Ou serão os principais gestores dos seus próprios negócios?

Ser sócio é um papel tão importante quanto complexo. Porque exige um componente principal: a confiança. Sócios devem colocar em prática os seus melhores esforços para que a confiança se mantenha entre eles não só nos períodos de bonança, mas também nas fases de conflito que eventualmente ameaçam a relação societária.

Líder, o herdeiro terá de entender seu papel de mantenedor da saúde de seu negócio. Normalmente, líderes enfrentam muitos ônus e alguns bônus. Nessa condição, o herdeiro deve metabolizar os ônus, entendendo-os como problemas do dia a dia de um empreendedor, e usando-os como motivação para se esforçar mais e buscar resultados ainda melhores.

Ser dono do próprio negócio é um papel que coloca o herdeiro de frente para todos os processos e interlocutores de uma empresa: clientes, fornecedores, mercado, concorrentes, governo, bancos etc. Em suma, será o responsável por encaminhar seu negócio para o nível de estabilização comercial e econômica.

Ao se tornar empreendedor, não poderá se esquivar da condição de herdeiro. Deverá enxergar seu papel de sócio – ou futuro sócio – da empresa da família e parte integrante de seu patrimônio. Ou seja, precisará se posicionar claramente em um mix de papéis: sócio, gestor, membro da governança familiar e corporativa. É uma decisão difícil, mas fundamental para que ele se mantenha próximo da família e em harmonia com seus interesses mais caros.

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Autor: Eduardo Najjar é especialista em negócios familiares, consultor associado da Empreenda, de São Paulo

Artigo originalmente publicado na Revista Amanhã http://www.amanha.com.br/

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