Para ser útil, MBA deve ser feito no lugar e no momento certo

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MBA

A popularização da sigla MBA tornou a pós-graduação um requisito básico na lista de qualificações de qualquer profissional que deseja seguir carreira executiva. Mas há casos em que a pressa para adicionar mais essa linha no currículo – junto à falta de informação em relação a esse tipo de curso – pode atrapalhar mais do que ajudar.

Segundo coordenadores de escolas de negócio, há muitos casos de alunos que fazem um segundo MBA, pois só perceberam depois ou durante o primeiro curso que ele não era o que tinham em mente quando apostaram na sigla. “Essa é uma situação comum, levando em conta que o MBA virou praticamente obrigatório”, diz Karin Parodi, fundadora da consultoria Career Center.

É o caso do engenheiro mecânico Roberto Chaves, hoje gerente sênior de suprimentos da Embraer. Ele cursou o primeiro MBA em 2001, três anos após a graduação. Escolheu um curso de uma instituição de Santo André, no ABC Paulista, conveniada à Fundação Getulio Vargas, na esperança de que a “marca” da renomada escola oferecesse o diferencial para a carreira. No entanto, percebeu no meio do programa que não seria a mesma coisa. “O curso deixou a desejar. Além disso, o mercado não reconhece do mesmo jeito que um MBA da FGV”, diz.

Em 2011, depois de acumular diversas experiências em cargos de gestão – inclusive a gerência geral de uma joint-venture da Embraer na China -, Chaves resolveu “consolidar o conhecimento com um bom curso”. Em agosto de 2012, ele finalizou o MBA international da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Para Chaves, o problema na primeira vez não foi apenas a escolha do programa, mas a decisão de fazer um MBA em um momento em que ainda não tinha maturidade profissional suficiente. “Não adianta sair da universidade e buscar um programa desse tipo sem ter a bagagem necessária”, diz. Hoje, ele vê que um dos principais benefícios do curso é o background dos outros alunos da turma – no caso do MBA international, são todos altos executivos. “O primeiro curso que fiz era de fácil acesso, não tinha um público tão qualificado.”

Rodrigo Braga, dono da empresa de desenvolvimento de sistemas People Way, também passou duas vezes por um programa de MBA. Na primeira, o empreendedor se matriculou em um programa de gerência de projetos na FIAP, em São Paulo, logo depois de ter se formado em processamento de dados. Na época, havia acabado de assumir uma posição em que precisava atuar especificamente com a atividade. Para ele, o programa ajudou a entender melhor a gestão de projetos e a se apresentar como especialista naquela função, mas não contribuiu tanto enquanto MBA.

Pela sigla, Braga diz que esperava que o curso fosse lhe fornecer uma visão mais generalista. “Quando fui entender exatamente o que é um MBA, vi que o que eu fiz foi só uma pós-graduação”, explica. Hoje, ele cursa o MBA executivo da Business School São Paulo. Dono da própria empresa há seis anos, Braga sentiu falta de ter um conhecimento mais amplo de negócios, o que fez com que ele buscasse um programa “clássico”. Mesmo já sendo visto como gestor, ele considera o MBA importante para solidificar a experiência acumulada ao longo dos anos, além de ter comprovado práticas que já possuía por “instinto” e esclarecido áreas em que ele tinha dúvidas.

O uso indiscriminado da sigla preocupa organizações que reúnem escolas da área, como a Associação Nacional de MBA (Anamba). No Brasil, não há legislação específica para regulamentar esse tipo de curso, que entra na classificação de pós-graduação lato sensu junto com outras especializações. No exterior, o MBA tradicional é um “master in business administration”, e é considerado um mestrado de acordo com as exigências dos países. “A legislação brasileira tem um padrão diferente do que é globalmente aceito”, explica James Wright, membro do conselho diretivo da Anamba.

Desse modo, a sigla no Brasil é usada tanto por programas que seguem a linha dos MBAs tradicionais – com foco em gestão de negócios e com a exigência de que os alunos já estejam em níveis mais avançados da carreira -, quanto por cursos mais voltados para a área técnica – com menos horas/aula e, muitas vezes, foco em temas específicos como o de gerência em projetos. “Há uma grande confusão quando se tem uma sigla só”, diz Wright.

Para facilitar a busca por MBAs de qualidade, a Anamba lançou recentemente um novo padrão de credenciamento para incluir cursos com carga horária menor que a de MBAs tradicionais, mas que mantenham na essência o conteúdo em gestão e visão geral de negócio. Como o Ministério da Educação (MEC) exige que pós-graduações lato sensu tenham apenas 360 horas/aula, cursos de MBA que seguem as exigências do MEC poderão se candidatar ao padrão “Brasil” da Anamba. Os 20 programas de sete escolas que já são acreditados pela associação passam a receber o padrão “global de qualidade”, pois possuem 480 horas/aula.

Karin, da Career Center, explica que o ideal é que o profissional invista nesse tipo de curso pelo menos cinco anos depois de formado, e já com experiência em gestão de equipes. “A vivência faz muita diferença. É importante ter mais maturidade para aproveitar o conteúdo e a senioridade dos outros participantes”. Outro fator importante é escolher bem a instituição, para fazer valer o investimento de tempo e dinheiro. “Mesmo se não entrar de primeira no curso escolhido, vale a pena esperar”, aconselha.

O gerente de tecnologia da informação Luis Ricardo Trivellato também apostou em um MBA logo no início da carreira, quatro anos após a graduação. Formado em administração de empresas em Campo Grande, concluiu um programa em gestão empresarial na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, mesma instituição onde havia se formado.

Ele considera que o curso foi importante, mas, por ter se formado em administração, admite que o conteúdo foi parecido com o que viu na graduação. “Na época, fazia a diferença ter um MBA no currículo para se manter competitivo no mercado”, explica. “Hoje, é preciso que o curso seja realmente bom”, afirma.

Trivellato cursa, desde março de 2012, o MBA internacional da FIA. A decisão veio da vontade de voltar a estudar e agregar no currículo um programa voltado para líderes. Ele considera que estar em contato com uma turma de executivos com ampla experiência em gestão é um dos principais benefícios de fazer um MBA nesse estágio da vida profissional. Com o novo curso, ele espera também dar um próximo passo na carreira. “Ninguém faz MBA só para aprender”, diz.

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Por Letícia Arcoverde

Fonte: Jornal Valor Econômico

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