Catulli Carmina

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A música coral Fortuna Imperatrix Mundi, que abre e encerra o oratório secular Carmina Burana, garantiu a popularização dessa obra de Carl Orff estreada em Frankfurt em 1937.

Ela faz parte de uma trilogia denominada Trionfi, que vai se completar com duas cantatas cênicas chamadas Catulli Carmina (Canções de Catulo) e Trionfo di Afrodite. É lamentável que Catulli Carmina seja pouco divulgada no Brasil. Creio que nunca foi montada em Porto Alegre, apesar dos apelos que Érico Veríssimo, fã da obra de Orff, dirigiu ao maestro Pablo Komlós. Este retribuiu com a montagem de Carmina Burana, grande trunfo da OSPA que lhe valeu convites para apresentar-se no Rio de Janeiro, no teatro e na televisão.

Orff utilizou no enredo das Canções de Catulo doze poemas de Gaius Valerius Catullus (84-54 a.C.), natural de Verona  e que viveu por vinte anos na Roma de Júlio César. Nessa época a sociedade entrava em uma fase de decadência e dissolução dos costumes. Catulo foi um poeta refinado e inovador que soube retratar esse ambiente. A grande paixão de sua vida foi a aristocrata Clodia esposa do cônsul Quintus Caecilius. Em seus versos Catulo descreve o amor que sentia por essa mulher, retratada sob o pseudônimo de Lésbia.

Os estudiosos contemporâneos classificam o ciclo de poemas como sem paralelo na literatura antiga, pela sinceridade de sua paixão e pela sensualidade explícita em seus textos. As cenas e declarações de amor, que permeiam os três atos, se encerram com o cinismo e a desesperança do amante ao constatar que Lésbia o traiu com outros homens.

O prólogo de Catulli Carmina é interpretado por um coro de jovens homens e mulheres que exaltam seus anseios sexuais. Muitas pessoas consideram esta obra um espetáculo impróprio, devido à licenciosidade do texto. Até o prólogo que está no You Tube sofreu censura parcial. A estreia dessa cantata ocorreu em Leipzig, no dia seis de novembro de 1943.

A obra não tem acompanhamento orquestral. O clímax musical é garantido pelo poderoso coro, um acompanhamento de quatro pianos e variados instrumentos de percussão. Os versos dos três atos são originais dos poemas de Catulo, enquanto os textos em latim do prólogo e do epílogo são de autoria de Carl Orff. Também são usadas algumas palavras em grego e etrusco.

Meu primeiro contato com Catulli Carmina foi através de um registro da Deutsche Grammophon, garimpado nas prateleiras da loja Estúdio Artes Reunidas. Este disco, contava com a soprano Annelies Kupper e o tenor Richard Holm, Coro da Rádio Bávara, pianos e percussão sob a regência de Eugen Jochum.

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O Trionfo di Afrodite, que conclui a trilogia, teve sua estreia no dia 13 de fevereiro de 1953 no La Scala, em Milão. Enquanto as duas primeiras cantatas remontam ao império romano e à era medieval, essa última aborda temas que nos levam à Grécia antiga.

Orff buscou inspiração em odes de Catulo, em poemas de Safo e no coro da peça Hipolytus, de Eurípedes. Além de pianos e percussão, há uma orquestra completa para acompanhar a narrativa, que trata dos rituais de uma boda greco-romana, em que é homenageado Himeneu, o deus dos casamentos. A obra se encerra com invocações à Afrodite, deusa do amor.

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Carl Orff (1895-1982) nasceu em Munique e estudou música com Kaminski. Em 1913, sua primeira ópera, Gisei, foi levada ao palco. Como estudioso de música antiga, fez o primeiro arranjo do século XX para a ópera Orfeu, de Monteverdi. Duas obras de Stravinsky – Édipo Rei e Les Noces – influenciaram o estilo de Orff, que dedicou parte de sua vida à educação musical. Um de seus projetos foi a abertura de uma escola para crianças, onde elas aprendiam ginástica, dança e música. Suas teorias estão preservadas até hoje, através de um tratado em cinco volumes intitulado Música para Crianças.

Clique aqui para assistir ao prólogo de Catulli Carmina com o coro dos jovens seguido pela advertência dos anciões.

 

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torelly@polors.com.br

 

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