Uma Biografia e 16 Memórias

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

PIOTR_TCHAIKOVSKY__BIOGRAFIA_1348892988P Os apreciadores da música de Tchaikovsky estão de parabéns. A Casa Editorial G. Ermakoff, do Rio de Janeiro, acaba de lançar Piotr Tchaikovsky – Biografia. A obra foi escrita pelo historiador russo Alexander Poznansky que decidiu explorar a fundo a vida do compositor.

Ele dedicou-se ao tema por um período de 25 anos, catalogou correspondência ativa e passiva num total de sete mil cartas, a obra musical completa, a iconografia (são apresentadas cerca de 400 fotos em seu livro), bem como pesquisou os arquivos russos, anteriormente inacessíveis aos biógrafos do compositor. O fruto de seu longo e exaustivo trabalho resultou nesta obra que podemos afirmar ser hoje a mais atual e fiel biografia do compositor. Poznansky não teve a intenção de fazer um estudo musicológico, mas sim oferecer, dentro do possível, uma descrição da vida de Tchaikovsky, de seu ser, interior e exterior.

Este livro é um marco em termos de biografias, pois até seu lançamento, possuíamos poucas fontes de consultas. A primeira obra post mortem, escrita por seu irmão Modest Tchaikovsky, foi editada no início do século XX, em três volumes. As informações ali contidas foram cuidadosamente selecionadas.

Existem muitas lacunas relativas a fatos derivados da homossexualidade do compositor, omitidas pelo autor para não comprometerem a memória do irmão. A homossexualidade de Piotr Tchaikovsky só veio à tona após a publicação, em 1934, de sua correspondência com Nadejda Filaretovna von Meck, mecenas que o patrocinou durante 13 anos.

No romance Sinfonia Patética, o escritor Klaus Mann o transforma em personagem introvertido, enquanto o cineasta Ken Russel o apresenta no filme Delírio de amor como um neurótico excêntrico.

Após lermos a contundente biografia de Tchaikovsky, custamos a entender como um homem que teve sua vida atormentada por suas tendência sexuais conseguiu compor músicas tão expressivas e cativantes como as dos balés O Lago dos Cisnes, O Quebra Nozes, A Bela Adormecida, assim como a Sinfonia Patética e o grandioso Concerto para Violino e Orquestra.

9788535916683-500x500A Sociedade da Neve

Conheci o cardiologista Roberto Canessa em janeiro deste ano, quando participamos de um seminário na cidade de Gramado. Tivemos uma agradável convivência, oportunidade em que ele me recomendou a leitura do livro A Sociedade da Neve, editado no Brasil pela Companhia das Letras. O doutor Roberto foi um ardoroso participante do Clube de Rugby Old Christians e tinha apenas 19 anos quando embarcou com sua equipe para disputar algumas partidas no Chile.

No dia 13 de outubro de 1972, o avião fretado que rumava para Santiago, com 45 passageiros, chocou-se contra a cordilheira dos Andes. A aeronave partiu-se em dois pedaços e a parte frontal da fuselagem deslizou pela neve. Um terço dos passageiros e todos os tripulantes morreram durante o impacto. Alguns feridos não resistiram mais do que alguns dias, deixando 24 sobreviventes isolados no topo das montanhas, a quatro mil metros de altura e suportando temperaturas noturnas de 30 graus negativos.

O grupo estava num local desolado e praticamente inacessível, sem reservas de alimentos, a espera de um resgate. Após dez dias, escutaram pelo rádio portátil que as buscas tinham sido suspensas, já que dos 37 desastres aéreos ocorridos na cordilheira, nunca houve sobreviventes.

Abandonados pelo mundo, entregue às suas próprias forças num ambiente hostil e ameaçador desprovido de fauna e vegetação, os sobreviventes se viram frente a uma dramática decisão: a única alimentação disponível era a carne e a gordura dos companheiros mortos. Eles teriam que alimentar-se desses restos mortais para poder seguir sobrevivendo.

No dia 29 de outubro ocorre uma nova tragédia. Durante a noite, uma avalanche soterrou a fuselagem do Fairchild, único abrigo disponível. Muitos lutaram para atravessar a densa camada de neve que cobria todos os corpos. Ao saírem do túmulo branco, constataram que oito companheiros não haviam conseguido chegar à superfície. O grupo ficou reduzido a 16 pessoas. Só havia uma esperança. Atravessar a cordilheira e estabelecer contato com a civilização.

Roberto Canessa e Fernando Parrado, devido às condições físicas e emocionais foram os que partiram em busca de auxílio. Durante dez dias fizeram uma esgotadora caminhada entre os altos picos e despenhadeiros dos Andes, enfrentando altitudes de cinco mil metros e temperaturas que chegavam a 40 graus negativos durante a noite. Canessa e Parrado não conheciam as regras básicas do alpinismo, não possuíam equipamento e roupagem adequada. Eles foram movidos por suas forças internas e pela férrea obsessão de atingir seu objetivo que era o de salvar o grupo. No décimo dia de marcha eles conseguiram chegar a uma zona de pastagens, em território chileno, e pediram auxílio para um humilde peão. Este fez contato com as autoridades e dois dias após, helicópteros da Força Aérea Chilena resgataram os 14 jovens que haviam ficado na montanha.

Decorridos mais de 35 anos da tragédia dos Andes, o escritor uruguaio Pablo Vierci convenceu a cada um dos sobreviventes a escrever o que ficou gravado em suas memórias durante os 72 dias em que ficaram na montanha. As 16 memórias são entrelaçadas por capítulos escritos pelo próprio Vierci, que busca entender como, abandonados no meio do nada, cercados por uma paisagem gelada e estéril, os sobreviventes do desastre construíram uma sociedade única, regida pela incerteza e pelo espectro sempre presente da morte. Mas também uma sociedade pautada pela solidariedade e pela possibilidade de realizar o que parecia impossível e inimaginável.

Clique aqui para visitar o site oficial dos sobreviventes dos Andes:

http://www.viven.com.uy/571/default.asp

 adagio-logo1

torelly@polors.com.br

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone