Não adianta sonhar com PIB chinês

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O Brasil não tem estrutura para suportar um crescimento econômico de 7% a 9% ao ano por mais de dois períodos consecutivos, fato que ocorre com alguns países emergentes como Índia e China. Infelizmente, nem se houvesse uma agenda séria de reformas estruturais como a tributária, trabalhista, previdenciária e política, que travam o crescimento econômico, seria possível vislumbrar melhores condições sociais.

O Brasil tem características de país desenvolvido e necessidades de país emergente. Por um lado, realizou avanços importantes – como o processo de industrialização e urbanização iniciado no pós-Segunda Guerra – e que são características de países desenvolvidos. Por outro, as necessidades se concentram em elevar o nível de infraestrutura logística, reduzir o elevado nível de burocracia e baixar os custos de produção – fatores que, em parte, são observados em países emergentes.

Outro ponto importante, e que determinou a atual posição do Brasil no contexto econômico global, foi a manutenção da estrutura política do país. Anos a fio, o voto indireto atrofiou o crescimento e desenvolvimento econômico, atrasando em pelo menos três décadas o atual ciclo de investimento, produção e consumo que tem determinado mudanças nas classes sociais de menor renda.

Mais recentemente, ao longo das décadas de 1990 e 2000, o mundo das finanças e negócios se transformou de forma significativa, com impactos relevantes e distintos sobre a dinâmica macroeconômica entre os países desenvolvidos e emergentes. Enquanto o grupo de países desenvolvidos perde constantemente sua posição majoritária na composição da riqueza global, os emergentes seguem avançando. Até 2035, devem ocupar as primeiras colocações do ranking.

A origem dessa mudança está no avanço do processo de abertura de mercado das economias emergentes, na ampliação da internacionalização das empresas e no aprofundamento da globalização financeira. Nesse contexto, é importante ressaltar uma vez mais – e sem demagogia – que uma economia próspera, com melhora do padrão de vida e geração de emprego e renda tem como seu principal fundamento um sistema financeiro sólido. Portanto, é necessário evoluir na questão da regulação rígida do setor no hemisfério norte e reconhecer que a expansão da economia decorre dessa condição inadiável.

O modelo de crescimento econômico observado no Brasil, nos últimos anos, que tem se apoiado no consumo das famílias – e no fomento do crédito –, não está esgotado. Mesmo sem as reformas necessárias para um crescimento qualitativamente melhor e sustentado ao longo do tempo, o país pode crescer com base no modelo atual por muitos anos sem comprometer a solidez do seu sistema financeiro. Isso porque o nível de renda está em crescimento e ampliação de suas faixas em virtude do processo de qualificação. O sistema de concessão de crédito no Brasil é rígido e restritivo, fortemente apoiado nas questões da solvência financeira das famílias. Além disso, os atuais níveis de inadimplência permanecem muito distantes das condições críticas ou de alerta observadas nas economias desenvolvidas.

Finalmente, é fato que o crescimento econômico brasileiro observado desde meados da década de 1990 – que resistiu a diversos planos econômicos e crises mundiais – recai sobre a capacidade do cidadão brasileiro de se reinventar e equilibrar suas necessidades sociais e desejos materiais. E superar, assim, as condições quase proibitivas ao consumo interno – como as elevadas taxas de juros, a carga tributária obscena e a inflação que corrói o seu poder de compra.

Fonte: Alex Agostini / Revista Amanhã

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