IDH: por que parou, parou por quê?

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Apesar da notícia do “crescimento zero” do Brasil no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, em 2012 não ser uma surpresa, pois reflete uma desaceleração de longo prazo do IDH brasileiro, fica a pergunta sobre por que o país não consegue avançar nesse indicador. O Brasil agora se encontra na 85ª posição do IDH, muito atrás de países como Chile (40ª), Argentina (45ª), Uruguai (51ª), Cuba e Panamá (59ª) e México (61ª).

Uma olhada rápida nos três principais grupos de indicadores do IDH mostra que pouco mudou de 2011 para 2012. Com base nos dados oficiais atualizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, temos que na saúde a expectativa de vida ao nascer no país cresceu apenas 0,4% em 2012 passando a 73,8 anos (a mais baixa entre os maiores países da América Latina).

Similarmente, na educação, as duas variáveis que medem o progresso do país permaneceram inalteradas, ou seja, a variável “anos médios de estudo” continuou em 7,2 anos (também a mais baixa entre esses países latino-americanos) e a variável “anos esperados de estudo” seguiu em 14,2 anos em 2012. Já em relação à renda nacional bruta, a situação não foi muito melhor, pois ela cresceu apenas 0,65%, passando a US$ 10.152 per capita em 2012.

No entanto, se pararmos para pensar, como poderia ser o contrário? Temos a maior taxa de abandono da escola primária entre grandes países da América Latina (24,3%), uma das maiores taxas de homicídios (21 por 100 mil habitantes), o pior índice de satisfação com a saúde (somente 44% de pessoas satisfeitas), uma das mais altas taxas de mortalidade infantil (17 por 1 mil nascidos vivos) e de maior fertilidade na adolescência (76 por 1 mil mulheres entre 15-19 anos).

O foco estreito da política social brasileira em programas de transferência de renda ignora que o desenvolvimento é um fenômeno multidimensional e que para produzir justiça social precisa focar no que  é básico na sociedade. O IDH parou porque a cidadania brasileira ainda não tem claro o suficiente que é preciso exigir de seus governantes um compromisso com padrões mínimos e básicos de saúde e educação para uma vida mais digna.

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Autor: Flavio Comim que é professor de economia da UFRGS

Artigo originalmente publicado na Zero Hora

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