Em favor do capitalismo, um outro capitalismo

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O  foco de Colin Mayer em Firm Commitment – Why the Corporation is Failling Us and How to Restore Trust in It, livro recentemente lançado pela Oxford University, é centralizado na corporação empresarial, que ele vê como uma criação notável, mas que deixou de ser um “servidor” para se transformar (com a influência de governos) em um monstro. “Não é exagero dizer”, escreve, que, por sua negligência, incompetência, ambição ou fraude, as corporações são uma ameaça a nosso meio de vida e ao mundo em que vivemos”. E isso vem de um fundador, ex-reitor e hoje professor de estudos de administração da Saïd Business School, de Oxford.

O principal alvo da lúcida análise de Mayer é o curto-prazismo que se acoplou – especialmente – ao comportamento empresarial britânico, graças a regras que dão aos acionistas, sejam os de longo prazo ou aos que ficam com os papéis por apenas três dias, os mesmos direitos. Isso, para Mayer é como “se estivéssemos conferindo direito de voto a membros da população que pretendessem renunciar a sua cidadania amanhã”.  É também um sistema em que aquisições hostis podem facilmente destruir postos de trabalho, mercados e a ética em companhias há muito tempo estabelecidas – como ele descreve no caso da Cadbury, uma empresa fundada por protestantes quakers, comprada pelo conglomerado americano Kraft. Os atuais esforços para corrigir isso não funcionam: as regras existem para serem dribladas, enquanto a responsabilidade social das empresas são um curativo numa ferida gangrenada.

Seu principal antídoto é a “firma confiável”, que opera de acordo com três princípios. Primeiro, precisa tornar públicos seus valores e que estes sejam compartilhados por funcionários, clientes e acionistas. Segundo, esses valores são confiados a um conselho (“trustees”) que não administra a empresa, mas age em nome dos acionistas. Terceiro, os acionistas de longo prazo devem estar no controle e ter privilégios, por meio da alocação de ações com direito a voto, que seria negadas aos investidores de curto prazo interessados apenas em lucros rápidos.

Mayer não vê apenas uma forma de organizar a economia. Parte de sua explicação para o maior dinamismo dos Estados Unidos é a combinação de modelos. Até sua variante de composição acionária diversificada às vezes é vista como funcionando bem. Mas na prática, e como princípio de aplicação universal, argumenta Mayer, isso está destruindo nossa economia e nossa moralidade empresarial. Apenas com a redescoberta de valores vitorianos de parcimônia e comprometimento é que a instituição central do capitalismo – a corporação – poderá ser salva.

Fonte: John Lloyd / Financial Times / Valor Econômico

 

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