Como nasce uma fonte para mídia

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Há teses variadas. Uma fonte pode nascer por conveniência de ambas as partes. Como parte da evolução de um relacionamento. Por iniciativa de um ou mais executivos de uma entidade ou por iniciativa do jornalista. E, sobretudo, por acaso. Alguém se torna fonte quando é envolvido por uma aura de credibilidade. E passa a figurar na mente do jornalista como parte de uma parcela confiável e bem-intencionada da sociedade. Mas os jornalistas hoje trabalham bastante com fontes circunstanciais: porteiros, secretarias, funcionários de terceiro escalão. São pessoas desconhecidas, que reinam na invisibilidade e fazem parte de um exército vigoroso de informantes. E há também as fontes ligadas a sindicatos que colhem informações sigilosas, também no anonimato, e as relatam para lideranças que, posteriormente, fazem chegar os fatos às redações.

Jornalistas experientes costumam identificar correntes de oposição nas empresas e fontes qualificadas, porém críticas dos setores econômicos e órgãos governamentais. Por meio destes, ficam sabendo do que acontece. E o que está para acontecer. E existem fontes que são fontes sem saber. São executivos e empresários que falam demais. Os jornalistas valorizam muito quem critica. Mas, comumente, sabem distinguir quem só critica de quem faz. Valorizam o negativismo de algumas fontes, mas sabem distinguir aqueles que pregam a salvação nacional sem nada fazer daqueles que têm gosto pela ação.

Há quem pense que ser uma boa fonte é economizar palavras para parecer profundo, mal-humorado para parecer sério e se indignar com tudo para parecer honesto. Equívoco. O jornalista separa o joio do trigo. No dia-a-dia costuma privilegiar o conflito, o imprevisto e uma boa dose de ceticismo, mas sabe observar o que é catarse ou oportunismo do que é fato. O sentimento ético é muito forte porque muitos jornalistas foram atraídos para a profissão por causa do seu conteúdo moral. Muito sonharam em ser jornalistas para criticar o poder, transformar a sociedade. Predomina nas redações uma cultura da honestidade. As questões de consciência são levadas bastante a sério. Em conseqüência, há muita pressão contra a corrupção, a desonestidade, a irresponsabilidade e qualquer forma de preconceito. A diversidade intelectual faz germinar constante, e saudável, choque de opiniões.

A fonte verdadeira é aquela que percebe essas sutilezas e fornece informações capazes de resistir à mais rigorosa checagem. Se agir assim, pode ganhar projeção, ter sua carreira favorecida pela própria mídia e se destacar. Os executivos mais experientes cultivam a mídia, mesmo quando não podem aparecer. Semeiam o relacionamento para colher seus frutos na ocasião oportuna. Não podem é cometer o sortilégio da manipulação. Se agirem assim, podendo aparecer ou não na mídia, deixarão de ser fonte sem sequer deixar uma boa lembrança.

Fonte: De Cara com a Mídia, de Francisco Viana, Portas Abertas ( Walter Nori e Célia Valente ), Quem tem medo de ser notícia?, de Marilene Lopes e Manual de RP, de Stuart Turner. Compilação: Inácio Knapp.

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