Planejar para quê?

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Associar-se com os japoneses, no caso a Panasonic em 1977, pode ser traduzido por sete meses de discussão e apenas dois para a fábrica funcionar.

Cada reunião tinha a sua pauta com um item novo, e assim foi até a exaustão.

Moral da história: o japonês planeja muito e erra pouco, enquanto nós planejamos pouco, subestimamos o planejamento e o fazemos com atraso; como compensação, erramos muito, e os erros custam muito caro.

Vejamos alguns casos que demonstram a irresponsabilidade de políticos demagogos e populistas: o Rio Grande do Sul teve dobrado o número de municípios em 10 anos, e ainda hoje o fruto dos plebiscitos fajutos mostra a imprudência e a irresponsabilidade dos autores.

Oitenta por cento dos municípios gaúchos possuem menos de 20 mil habitantes, enquanto 67% têm menos de 10 mil habitantes.

O que significou isso: geração de cabides de emprego, pois a constituição de um município exige um prefeito, um vice-prefeito, uma Câmara de Vereadores, uma delegacia de polícia, a estrutura do Poder Judiciário e por consequência o preenchimento de todas as vagas que se abrem para abrigar a estrutura necessária, sem falar nos CCs e nos funcionários-fantasmas.

Aliás, esqueci-me do único integrante que nada custa para o poder público, que é o padre, quando não for o bispo.

É óbvio que quando um país cresce em ritmo lento, medido pelo PIB, conclui-se que aos prefeitos cabe administrar a escassez de recursos, pois se multiplicou por dois o custo operacional dos municípios, restando cada vez menos recursos para investimento e infraestrutura.

Quando a irresponsabilidade dos políticos autores do crime de multiplicação dos municípios se traduz em tragédia que não foi anunciada mas aconteceu, muda-se o teor do discurso, substituindo a euforia na multiplicação pela choradeira da escassez.

E aí, pergunto, o que fazer?

Na minha opinião, nada, a não ser consumir as receitas divididas pela multiplicação feita… E aí vem o pior: os municípios, em grande parte nanicos, gastam o produto de seus impostos praticamente em pessoal.

E os investimentos em infraestrutura necessária para atender aos reclames da sociedade?

Com as mãos amarradas, os prefeitos mais ousados endividam os municípios, quando têm crédito, e os demais simplesmente deixam o tempo passar, e de quando em quando são convidados para integrar a CPP, Caravana dos Prefeitos Pedintes, que vai a Brasília pedir auxílio do governo federal, que, como todos sabem, não tem o que dar, apesar de ser o centralizador dos recursos provindos da arrecadação; no entanto, os recursos existem, basta que se olhe o custo da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

Por exemplo, esse caso é a prova da irresponsabilidade do não planejamento indispensável, que levou e leva suas vítimas à constatação de que foi cometido um grave erro ao promover, pela política demagógica, a inviabilização do pleno desenvolvimento dos mais de 400 municípios do RS.

Quem paga a conta?

Sem dúvida, a sociedade que habita o “andar de baixo”, enquanto os do “andar de cima” não estão nem aí.
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Autor: Empresário Paulo Vellinho
Fonte: Zero Hora

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