Cameratas, Monteverdi e a criação da Ópera

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As cameratas florentinas: Apesar da enorme importância de Cláudio Monteverdi na história da ópera, ele não foi o pioneiro no desenvolvimento desse novo estilo musical. Em 1580, na cidade de Florença, músicos poetas e filósofos costumavam se reunir em sociedades chamadas cameratas. O tema predileto desses encontros era a natureza da tragédia grega.

Suas principais fontes estavam na obra de Aristóteles, que descrevia o importante papel desempenhado pela música na desempenho das tragédias de Sófocles e Eurípedes. Os membros da camerata Bardi, uma das mais influentes de Florença, concluíram que as tragédias gregas eram encenadas num estilo declamatório, lembrando uma forma musical de discurso.

Os teóricos do grupo, o conde Giovanni Bardi e Vincenzo Galilei – pai do astrônomo Galileu Galilei – juntamente com o músico Giulio Caccini, romperam as regras da polifonia e criaram o estilo recitativo, passando a colocar a música a serviço das palavras. Monteverdi confirmaria essa tendência em 1605, afirmando: As palavras devem ser as senhoras da música, não suas servas.

Em 1601, Caccini reuniu suas teorias no livro Le nuove musiche, ensaio que lançou as bases sobre as novas técnicas de composição e canto recitativo. O início do século XVII assistiu a um dos maiores momentos da evolução da história da música: o término do período Renascentista, o início do período Barroco, a criação da ópera e o surgimento da homofonia.

Antes de Monteverdi entrar em cena, os pioneiros foram músicos menores, pertencentes às cameratas de Florença.

Jacopo Peri, compositor e cantor na corte dos Medicis escreveu Dafne (1597), considerada oficialmente a primeira ópera da história da música. Sua segunda obra, Eurídice, foi apresentada durante as comemorações das bodas de Maria de Médici com Henry IV da França, em 1600. O sucesso desta obra teve um papel decisivo na consagração do novo gênero, batizado de ópera, pelos membros da Camerata Bardi.

A tragédia grega continuou instigando as teorias musicais e de encenação, através dos séculos. Todos os conceitos desenvolvidos por Richard Wagner para sua concepção do drama musical integrado foram resultado de pesquisas nestas fontes.

Um dos filósofos que melhor se aprofundou na relação entre a música e a tragédia foi Friedrich Nietzsche. Em seu primeiro livro, A Origem da Tragédia, o filósofo alemão descreve a influência dos estilos dionisíaco e apolíneo no mundo das artes.

 

Cláudio Monteverdi (1567-1648) Apesar do pioneirismo dos músicos das cameratas florentinas, Monteverdi foi o músico responsável pelo desenvolvimento e consagração da ópera. Quando jovem estudou em sua cidade natal com Marco Antonio Ingegneri, maestro di capella da Catedral de Cremona.

Durante vinte anos de sua vida profissional, Monteverdi trabalhou na família de Vincenzo Gonzaga, duque de Mântua. Nessa primeira fase de sua vida, o compositor dedicou-se a escrever motetos e madrigais, estilo de música dominante na época tendo sua obra publicada em oito livros.

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A partir do quinto volume (1605) ele mudou radicalmente sua forma de compor, recebendo muitas críticas dos mestres de teoria musical. Ele começou a romper as formas da polifonia e a usar dissonâncias. Estas representam tensão e instabilidade, contrabalançando os momentos de relaxamento e concentração proporcionados pelas consonâncias.

A primeira ópera de Monteverdi, Orfeo, foi escrita em 1607e encenada com grande sucesso. No ano seguinte, como parte das comemorações do casamento de Francesco Gonzaga, filho do duque de Mantua, Monteverdi apresentou uma segunda ópera, chamada Arianna. O sucesso foi enorme, e é lamentável que suas primeiras obras nunca tenham sido publicadas. Nos dias de hoje, só se conhecem alguns fragmentos de Orfeo e Arianna.

Com a morte de Vincenzo Gonzaga, o compositor deixou a corte e voltou a residir por algum tempo em Cremona. Seu próximo destino foi Veneza, onde assumiu o cargo de diretor musical da Catedral de São Marcos. A primeira casa pública de óperas da Europa, o Teatro São Cassiano, foi inaugurado nessa cidade, em 1637.

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As últimas óperas de Cláudio Monteverdi sobreviveram ao tempo e são encenadas até os dias de hoje. São elas: Il ritorno d’Ulisse in patria (1640) e L’incoronazione di Poppea (1642), seu trabalho mais grandioso.

 

Clique aqui para assistir ao dueto do III ato da Coroação de Popéia:

Clique aqui para assistir Amore da ópera o Retorno de Ulisses à sua pátria:

http://www.youtube.com/watch?v=3okjIiKvBlY

 

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torelly@polors.com.br

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