Jornalistas vão às ruas exigir fim da censura

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Na mesma semana em que anunciou uma reforma em seu sistema penal, com o possível fechamento dos campos de trabalho forçado, o Partido Comunista da China (PCC) deu exemplos de que manterá a rédea curta com ativistas e meios de comunicação. O jornal Semanário do Sul (em tradução literal) teve um editorial banido pela censura, gerando revolta em microblogs e nas ruas de Cantão, no Sul do país. E o polêmico Artigo 73, que institui a detenção em local secreto, sem que o preso tenha direito a encontrar um advogado, foi aplicado pela primeiro vez – seu alvo foi um homem de 62 anos.

Semanário do Sul aproveitou o Réveillon para reivindicar reformas democráticas. O editorial não passou pelo censor, que o substituiu por um texto louvando o regime comunista.

A revolta foi da redação para a internet. Estudantes assinaram cartas abertas pedindo a demissão do censor. Celebridades publicaram declarações de apoio aos protestos em microblogs – o que levou o governo a fechar diversas contas nesses sites – e centenas de pessoas deixaram flores em frente à sede do jornal.

Na terça-feira (8/1), jornalistas e ativistas uniram-se nas ruas de Cantão num protesto usando máscaras e ostentando cartazes exigindo liberdade de expressão. Encontraram no caminho um movimento fiel ao PCC, empunhando bandeiras da China e chamando os manifestantes de “traidores”. A polícia teve de apartar algumas brigas. “É o único jornal do país, relativamente falando, mais capaz de reportar a verdade”, defendeu Cheng Qiubo, ativista pró-democracia. “Estamos furiosos com sua censura. Queremos que os meios de comunicação sejam livres.”

Prisão polêmica

O desejo de Cheng, porém, parece cada vez mais longe da realidade. Anteontem, o ativista Zhu Chengzhi, de 62 anos, tornou-se o primeiro caso conhecido de aplicação do Artigo 73, a controversa nova lei que permite a prisão em local desconhecido e por tempo indeterminado de pessoas que “ameaçam a segurança do Estado”. A detenção ocorreu em Shaoyang, também no Sul. As autoridades informaram à família de Zhu que ele ficaria sob “vigilância domiciliar”.

O artigo legaliza uma prática iniciada em 2011, quando o regime chinês deteve preventivamente dezenas de ativistas, temendo que, inspirados pela Primavera Árabe, eles incitassem movimentos pró-democracia no país. A família deve ser notificada em 24 horas, mas a polícia não é obrigada a revelar o paradeiro do preso.

Zhu é acusado de “incitar a subversão”, por postar online fotos de Li Wangyang, encontrado morto numa enfermaria de Shaoyang com o pescoço amarrado numa corda feita de ataduras de algodão. A declaração do governo de que Li se suicidara enfureceu estudantes e ativistas.

Fonte: O Globo / Observatório da Imprensa

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