Impulsionando a inovação

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Em vez de esperar por infinitos incentivos do governo, as empresas devem investir em áreas específicas – alimentando a inovação, ao invés da imitação.

Em qualquer país, empresas reclamam que os incentivos fornecidos pelo governo nunca são suficientes para impulsionar práticas inovadoras. Mas é importante lembrar que inovação é algo muito mais amplo que pesquisa, desenvolvimento ou invenção – ações que frequentemente exigem uma fonte externa de financiamento. Algumas das inovações mais bem-sucedidas são as que desenvolvem novos modelos de negócios, alterando a forma de se entregar um produto ou realizar um serviço. Essas inovações exploram maneiras distintas para aproveitar os ativos existentes, sem a necessidade de investimentos muito altos. Até 1972, por exemplo, o McDonald’s só servia almoço e jantar. A introdução do café da manhã foi, à primeira vista, uma mudança bem simples: passou-se a oferecer, em um novo horário, o mesmo tipo de hambúrguer servido em outras ocasiões. Não foram necessários novos restaurantes, novas estruturas de cozinha ou novos empregados. Nos anos 1980, nos Estados Unidos, mais de 25% de todos os cafés da manhã fora de casa foram consumidos em um McDonald’s. Com isso, a empresa expandiu seu potencial de receita em um terço, criando uma nova oportunidade de vendas.

As pessoas podem ser instigadas à inovação, de forma interna ou externa, através de parcerias, alianças e networks com universidades e empresas na cadeia de valor. Na Coreia do Sul, a Samsung e a LG têm um papel importante no ensino e na orientação do programa acadêmico das escolas de engenharia. Com isso, pretendem identificar e estimular os talentos certos no tempo certo. Essas mesmas empresas também olham para fora da Coreia, buscando forjar parcerias que beneficiem a todos, estendendo o acesso ao conhecimento e à tecnologia. Assim, essas companhias criam e dirigem um ecossistema de inovação que gera resultados nos negócios, abrangendo a princípio o mercado local e lançando alicerces para a conquista de espaços mais amplos, mundo afora. O mercado local é a chave para quem está aprendendo a negociar – contudo, mais cedo ou mais tarde, surge o desejo de competir com as melhores empresas e atrair os clientes mais exigentes no cenário global. É então que as empresas deixam de ser apenas imitadoras e se tornam realmente inovadoras. Entre os exemplos desse processo, pode-se citar a Braskem, que se tornou global após dominar os polímeros verdes no Brasil.

Em vez de esperar os incentivos do governo todos os anos, as empresas devem utilizar esse dinheiro para energizar e mobilizar as pessoas, equilibrando os ativos e propiciando a criação de produtos e serviços que gerem crescimento sustentável (ou seja, autofinanciado). Quando esses incentivos ficam concentrados em áreas específicas, o resultado é um crescimento substancioso. Um exemplo disso é o foco dirigido ao programa espacial pelo governo dos EUA nos anos 1960. O presidente John F. Kennedy exigiu que, até o final da década, a Nasa colocasse um homem na lua e o trouxesse de volta em segurança. O investimento trouxe inovação e liderança às universidades e às empresas, como Motorola (rádios), McDonald Douglas (aeronaves) e Dupont (Teflon). Esse tipo de investimento foi feito pela China no setor dos trens de alta velocidade; a Índia fez o mesmo em relação à informática, e a Coreia do Sul, no segmento de tecnologia de mostradores.

Cada país escolhe sua área de foco, com base em suas necessidades de mercado. Um foco em trens de alta velocidade não faria sentido na cidade-estado de Cingapura, mas faz todo sentido em um país do tamanho da China. Em relação ao Brasil, há vários focos possíveis: extração de petróleo nas profundezas do mar, biocombustíveis, agro/biotecnologia. Isso poderia levar as universidades a um pensamento de vanguarda, enquanto as empresas produziriam produtos e serviços de classe mundial para a área em foco. Também não é difícil imaginar o Brasil criando liderança em áreas como ecoturismo, ou tornando-se a próxima “Bollywood” das Américas, a julgar pela popularidade das telenovelas brasileiras em vários países latino-americanos e mesmo junto à população hispânica dos Estados Unidos.

Infelizmente, a maioria das empresas é imitadora, pois essa é uma estratégia confortável para seus líderes. Somente quando esses executivos derem o primeiro passo, as empresas poderão começar sua jornada rumo à verdadeira inovação. Isso aconteceu com a Cemex no México, a Reliance na Índia, a Hwawei na China e a Hyundai na Coreia do Sul. E quanto a você ou seu líder – são corajosos o suficiente para tornarem-se globais e virarem verdadeiros inovadores?

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Por Hitendra Patel que é Diretor do Center for Innovation, Excellence and Leadership, em Cambridge (EUA), e autor do livro 101 Inovações Revolucionárias

Fonte: Revista Amanhã

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