É lá que eu vivo em paz?

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

O momento que vivemos é de apatia e perplexidade. Os números oficiais da violência em Porto Alegre são ambíguos, há pouca ou quase nenhuma mobilização da sociedade civil em torno da questão da segurança e falta clareza da política pública sobre as prioridades e metas para a cidade. Falar em violência é desagradável, mas ao invés de enfrentá-la a sociedade gaúcha e porto-alegrense tem preferido evitá-la, escandalizando-se a cada nova manchete.

É que como Rio e São Paulo são bem mais violentos do que Porto Alegre… mesmo? Entre 2000 e 2010, a taxa de homicídios (por 100 mil pessoas) caiu 80% em São Paulo e 57% no Rio, mas teve uma queda de apenas 6,4% para Porto Alegre. Assim, enquanto a taxa de homicídio é de 13 em São Paulo e 24 no Rio, é de 36,8 em Porto Alegre, quase três vezes a de São Paulo e maior do que cidades no mundo consideradas violentas, como Bogotá, na Colômbia, com uma taxa de 23 em 2010.

Se gastamos pouco em segurança pública, como sugere o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2012 (que indicou queda de 28,4% no gasto do Estado entre 2010-2011) ou se simplesmente gastamos mal, nunca saberemos. A transparência das contas públicas é baixa e de difícil entendimento para o cidadão comum avaliar como as contas são feitas.

O que os habitantes de Porto Alegre sabem é que furtos e roubos e diversas situações de violência já se tornaram corriqueiros. Os 24.098 furtos feitos até o início de outubro deste ano ou os 11.386 roubos (sem falar nos furtos e roubos de veículos) já fazem parte do cotidiano da cidade. E o pior é que parece que essa é somente a ponta do iceberg de uma sociedade na qual a violência já foi trivializada e banalizada. Nesse mesmo período, 77 mulheres já foram assassinadas na cidade por violência doméstica, um aumento de 40% em relação a todo o ano passado.

Engana-se no entanto quem acha que a violência é um problema somente do governo. A violência é um problema público, no sentido mais amplo da palavra, que envolve a todos. A violência cotidiana, das humilhações, das discriminações, do trânsito embrutecido, da falta de cortesia, de educação e de respeito é parte de um contexto no qual melhoramos individualmente mas pioramos coletivamente.

Quer romper os grilhões da apatia e ajudar a construir uma Porto Alegre com paz? Criamos uma página no Facebook chamada “É lá que eu vivo em paz”. Entre lá. Saiba como participar.

___________________________________________________________________________________

Autor: Flavio Comim que é economista

Fonte: Zero Hora

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone