8 dicas para dar adeus ao chefe e montar sua startup

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Cansado de seu chefe e da rotina na empresa? Que tal seguir o exemplo americano e partir para uma startup? Elas crescem rápido e têm na tecnologia a base de seus negócios.

As startups se popularizaram nos Estados Unidos durante o boom da internet, no final da década de 1990, e agora começam a marcar presença no Brasil de forma mais intensa. Hoje já são mais de 6 mil no país, ou quase 1 000% mais do que nos anos 2000, segundo a Associação Brasileira de Startups. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Deloitte, o país já é considerado o segundo mais atrativo para investidores internacionais, atrás apenas dos Estados Unidos.

Em julho deste ano, dois grandes fundos americanos, o Redpoint e o e.ventures, anunciaram uma parceria no Brasil para injetar 130 milhões de dólares em empresas iniciantes. O resultado da união, o Redpoint e.ventures, buscará apenas startups cujos negócios sejam focados em internet. O interesse é justificado. “Empresas ligadas à inovação, como as de web, precisam de menos gente e dinheiro para crescer de forma rápida”, diz Adalberto Brandão,diretor do GVcepe (Centro de Estudos de Venture Capital e Private Equity da Fundação Getulio Vargas) e coordenador do Desafio Brasil. O evento, a maior competição de startups de base tecnológica do país, viu quase triplicar o número de inscritos nos últimos dois anos. “O empreendedorismo já se transformou em opção de carreira”, diz Brandão.

De acordo com dados do GVcepe, somente no ano passado foram investidos 750 milhões de dólares em empresas novatas, contra 300 milhões entre 2005 e 2008. No final de agosto, o governo federal anunciou um plano de 486 milhões de reais em investimentos para incentivar a área de tecnologia no país. Desse total, 40 milhões serão destinados às startups. É pouco? Pode ser, mas pelo menos é um começo.

Quer ter um negócio de sucesso? Veja, abaixo, um passo a passo para criar sua startup e casos de sucesso de quem já fez.

1. Para começar, uma boa ideia – Em 2011, Vinícius Roveda, José Sardagna e João Zaratine entraram para a lista de 1,2 milhão de brasileiros que abrem um negócio próprio todos os anos. Na época, os três trabalhavam em uma empresa de Santa Catarina e tinham dificuldades para controlar online as finanças do escritório. A solução foi desenvolver um programa de gestão que, de tão bom, acabou adotado até por outras empresas. “Quando percebemos o potencial do produto decidimos nos dedicar a ele”, diz Roveda.Surgiu assim a ContaAzul, startup que fez treinamento no Vale do Silício, obteve investimento e já se prepara para expandir.

A história dos três colegas é o melhor exemplo de como surgem as boas ideias: a partir de um problema. “Se a pessoa se concentra nisso, pode identificar uma oportunidade,seja pela ausência de uma solução seja porque as soluções existentes não são boas”, diz Adalberto Brandão, do GVcepe.

Outra dica é participar de competições e encontros de startups, os chamados meetups. Esses eventos são ótimas formas de trocar experiências.

Num desses eventos, a ContaAzul foi selecionada pela aceleradora americana 500 Startups. Um tipo de incubadora fora das universidades, as aceleradoras oferecem toda a estrutura que a empresa precisa para alavancar a ideia. No caso da ContaAzul foram quatro meses de aprendizado na Califórnia. “Os investidores valorizam o time, que deve ter as competências para fazer o negócio funcionar”, diz Roveda, formado em ciência da computação. O sócio Sardagna também fez ciência da computação, enquanto Zaratine cursou administração de empresas.

2. Monte um bom time – Os sócios da ContaAzul possuem a equipe considerada ideal: uma mistura de pessoas com experiências técnica e em negócios. Dados da Startup Genome, uma rede mundial com mais de 80 mil empreendedores e investidores cadastrados, mostram que times com essa formação mista arrecadam 30% mais dinheiro e conseguem fazer crescer 2,9 vezes mais sua base de usuários.

Não à toa, Niklas Zennström, o cofundador do Skype e do Kazaa, deu um único conselho aos futuros empreendedores web após uma palestra em maio, no Insper, em São Paulo: “Se você não é um engenheiro, deveria virar o melhor amigo de um e torná-lo seu cofundador”.

A afirmação mostra o quanto pessoas capazes de desenvolver o produto são importantes nesse tipo de empreendimento. Afinal, é a equipe técnica que deve resolver as questões que envolvem transformar uma ideia em um negócio.

3. Defina o modelo de negócio – “Quando decidimos criar a ContaAzul, a primeira medida foi pesquisar o mercado”, diz Vinícius Roveda. A partir daí, o time passou a responder a uma série de perguntas, como qual problema específico dos usuários o software deveria resolver, quem teria interesse nele e como o produto seria vendido.

Todas essas (e muitas outras) questões fazem parte do chamado Modelo de Negócio, um plano estrutural que ajuda o empreendedor a planejar o projeto. Uma das melhores maneiras de defini-lo é usar a ferramenta Business Model Canvas (BMC), um quadro no qual as principais perguntas estão divididas em nove retângulos temáticos.

Na área Media Lab do site do Desafio Brasil há um link para uma explicação detalhada de como preenchêlo. Já o blog Startup Biz Model posta, também em português, modelos de quem deu certo – como a Lemon ou o Peixe Urbano. Mas preencher o BMC não é sinônimo de sucesso. Uma das máximas do mundo das startups é a de que nenhuma ideia sobrevive intacta ao primeiro contato com os consumidores.

4. Valide sua ideia – Para evitar que dinheiro seja gasto em um plano cheio de falhas, toda ideia precisa passar por um processo de validação que leva de seis meses a um ano. “Validar significa encontrar clientes reais, usá-los para melhorar o produto e comprovar que existe um mercado para ele”, diz Felipe Lachowski, fundador da Startup House, que ajuda empreendedores a transformar uma ideia em um modelo definido.

Um dos projetos da Startup House é um sistema de envio de cartões pelo correio. A hipótese era a de que as pessoas gostariam de compartilhar fotos de forma mais pessoal do que nas redes. Para testá-la, um site foi criado e interessados começaram a enviar seus arquivos. “Com menos de 200 reais conseguimos saber quem era o público, qual a taxa de retenção do site e qual o tipo de imagem mais enviado”, diz Lachowski.

Testes simples e baratos como esse podem ser feitos pelo próprio time de empreendedores. Como parâmetro, também vale conferir a Startup Compass, ferramenta para avaliação de desempenho com informações de mais de 10 mil startups de internet de todo o mundo.

O serviço é gratuito, mas baseia-se só em números. Dados da Startup Genome, que mantém a ferramenta, mostram que é bom contar com um auxilio mais pessoal. Afinal, quem alia a preocupação com as medições de dados à presença de um mentor levanta sete vezes mais investimentos, mostram as estatísticas. Cabe às incubadoras e às aceleradoras dar esse suporte aos novos projetos.

5. Acelere o negócio – Não existe regra definida para quando uma startup deve procurar a aceleradora. “Muitas vezes a empresa já fatura mais de 1 milhão de reais por ano, mas ainda não conseguiu a validação necessária para atrair investidores de peso”, diz Rafael Duton, um dos criadores da 21212. A aceleradora, fundada no ano passado por brasileiros e americanos, tornou-se referência para estrangeiros em busca de oportunidades no país.

Além de fornecer um espaço físico, as aceleradoras costumam investir entre 20 mil e 150 mil reais nas startups selecionadas. É com esse dinheiro que serão realizados os processos de validação final da ideia e de construção do chamado MVP, sigla em inglês para produto minimamente viável. Um exemplo? Quando a ResolveAí chegou à aceleradora 21212, sua ideia era criar um sistema de auxílio ao usuário para conseguir o meio de transporte mais rápido em qualquer lugar que estivesse. Com pesquisas e orientação, a startup focou primeiro em táxis e criou um aplicativo para celular que localiza motoristas e usuários. Hoje, o serviço está sendo implementado nas frotas do Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.

Parte importante do processo de aceleração é o contato com outros empreendedores. A Wayra possui um espaço de 1 200 metros quadrados em São Paulo para seus times. Outro ponto forte das aceleradoras é a rede de mentores, empresários e executivos que ajudam, sem custos, os que estão começando. Para eles, é a oportunidade de ter contato com novos negócios. Como pagamento pelos serviços, a aceleradora entra como sócia e fica com 5% a 20% do negócio. Se der errado, o empreendedor não precisa devolver o dinheiro. “Empreender é arriscar. Em média, só um em cada dez projetos dá certo”, diz Duton. “E para que isso aconteça é fundamental levantar dinheiro”.

6. Obtenha investimento –O tipo de financiamento depende de cada projeto e de seu estágio. Linhas de crédito especiais, como as do BNDES, podem se encaixar em alguns casos. No entanto, os diferentes tipos de investidor que oferecem dinheiro e orientação é que sáo a combinação ideal para as startups.

Os chamados investidores anjo, por exemplo, são empresários ou executivos que colocam dinheiro em ideias promissoras. “Além do capital, trazem uma rede de contatos e experiência valiosa para o dia a dia do negócio”, diz Cassio Spina, da Anjos do Brasil, uma das associações que reúne esse tipo de investidor no país. Sozinhos ou em grupos, colocam entre 100 mil e 1 milhão de reais em projetos embrionários. Ficam com fatias que variam entre 5% e 20% do negócio. Já os fundos do tipo Venture Capital (VC) ou Private Equity (PE) utilizam recursos próprios e de terceiros para injetar quantias mais polpudas nas startups das quais se tornam sócios. Gestores profissionais, eles podem mexer na estrutura do negócio, mas deixam o controle nas mãos do empreendedor. Os VCs costumam investir durante todos os estágios da empresa e ficam com 20% a 50% do capital. No Brasil, Astella, Criatec e o recém-criado Redpoint e.ventures são alguns dos que oferecem um programa de mentoria, além de aportes que variam entre 250 mil e 4 milhões de reais.

Os fundos de PE desembolsam ainda mais para elevar um modelo de negócio já bem-sucedido a um novo patamar. A ponte entre o dinheiro e o empreendedor é feita pelas aceleradoras, por competições de startups e pelos meetups. Associações como a Anjos do Brasil e o Desafio Brasil cadastram startups, anjos, mentores e investidores para esses encontros. “Ao conversar com o investidor, é sempre bom mostrar algum resultado, seja o MVP, seja a audiência online”, afirma Spina.

7. Construa um site – No caso das startups, montar um site pode significar bem mais do que ter um cartão de visitas na web. Se a página não é o próprio negócio em si (caso de redes sociais, por exemplo), é muitas vezes a plataforma de acesso ou meio de fazer o download do serviço ou produto. Para evitar problemas no futuro, vale registrar mais de um endereço, com duas ou três variáveis do nome da empresa em diferentes domínios (.com, .br ou .net, por exemplo).

Sites como o GoDaddy oferecem uma busca rápida por todos os domínios, mostrando quais estão disponíveis e seu preço. Normalmente os serviços de hospedagem se encarregam de fazer o registro. Investir em perfis nas redes sociais também é obrigatório, não só para divulgar o produto, mas para interagir com atuais e futuros clientes.

8. Esteja Nas redes sociais –Uma pesquisa realizada pela consultoria Bain & Company nos Estados Unidos mostra que consumidores que se relacionam online com as empresas gastam entre 20% e 40% mais com elas. “Nas redes sociais, a startup pode ser mais ágil porque tem menos burocracia para aprovar postagens do que as grandes empresas”, afirma Pedro Ivo, presidente da Agência Riot, especializada em mídias sociais. Para tirar vantagem, vale fazer posts com referências a notícias do dia ou a piadas que circulam na web, os chamados memes. Mas é importante manter o foco para não criar perfis que o time da empresa não consegue atualizar. Em geral, Facebook e Twitter são as redes sociais onde a empresa não pode deixar de estar. “Aproveite que a base de seguidores é menor para criar um relacionamento mais pessoal, ouvindo críticas e chamando as pessoas pelo nome”, diz Ivo.

Muitas dessas plataformas criam também novas oportunidades de negócios. Um exemplo disso aconteceu com a Netshoes. Maior loja virtual de produtos esportivos da América Latina, a empresa já registra vendas originadas na rede social Pinterest, por exemplo. É esse tipo de mudança de comportamento gerada pelas redes sociais que, aliado a outros fatores, abre espaço para os empreendedores. Com o crescimento do acesso móvel, o aumento das conexões de banda larga e a expansão da classe C, o Brasil torna-se carente em áreas já maduras em outros mercados. “O momento é este”, afirma Gustavo Caetano, presidente da Associação Brasileira de Startups. “Os investidores já olham para o Brasil como um país que está criando tecnologia e inovação.

Erros a evitar – Agora é a hora de mostrar que sua ideia é boa e que você é capaz de fazer alguma coisa.” Já parou para pensar em quê?

Para Fábio Bruggioni, presidente da Holding Digital do Grupo RBS, fundo que investe em empresas de mídia digital, e-commerce segmentado e mobile, um dos principais elementos para o sucesso de uma startup é a qualidade do time. “Privilegiamos sócios ou fundadores que mostrem uma relação com seu produto que vai além da comercial”, afirma Bruggioni. “Ter paixão aumenta as chances de sucesso. Se é um app para fotos, por exemplo, queremos ver se a pessoa possui histórico com fotografia. Também gostamos de que um dos membros tenha conhecimento robusto de tecnologia. Isso faz toda a diferença para colocar o negócio em pé. Tecnologia não se contrata, ela tem de ser intrínseca ao projeto, fazer parte da ideia.”

Outra questão é a escalabilidade do negócio. Se precisa de muita mão de obra para crescer, ou se é limitado geograficamente, dificulta. Os investidores não gostam de empreendedor cuja meta é vender o projeto no curto prazo. “Qual é a chance de o negócio funcionar se já se dá a largada pensando em vender?”, diz Bruggioni.

Por Paula Rothman, de INFO EXAME.

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