Os reis da Valsa Vienense (I)

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Joseph Lanner                                                Johann Strauss I

A valsa era a música dançante mais tradicional nos principais salões da Europa, muitas décadas antes do surgimento de Johann Strauss, O Napoleão da Valsa. Este não inventou o popular ritmo musical, mas foi um dos criadores da valsa vienense. Quando Johann I (anos mais tarde ele seria sucedido por seu filho Johann Strauss II) tinha 19 anos, assumiu o posto de violinista na orquestra de Michael Pamer. Esta formação, dedicada à música ligeira, costumava apresentar-se no Prater, tradicional parque doado pelo imperador e logo transformado numa das maiores áreas de recreação pública de Viena.

Johann reparou que ao finalizar uma valsa alemã, os pares aplaudiam e reclamavam em coro, sem sair da pista até que a orquestra interpretasse outra valsa. A partir desta época ele iria concentrar todo seu processo criativo para escrever músicas neste novo ritmo. O compositor da moda na ocasião era Joseph Lanner, cujas músicas dançantes começavam a conhecer-se em toda Europa como valsas vienenses.

Strauss conseguiu incorporar-se à orquestra deste conhecido músico e apresentou ao mesmo suas primeiras composições, na realidade brilhantes imitações do estilo da música de Joseph Lanner. Uma grande amizade se estabeleceu entre os dois e tão grande é a confiança pessoal e a compenetração profissional entre ambos que eles se alternam na direção da orquestra. Aos 22 anos Strauss passa a ocupar o pódio em forma definitiva quando em 1826 estreia nos jardins do Zwei Tauben (Duas Pombas) sua primeira valsa de grande êxito, a Tauberlwalzer.

No ano seguinte Strauss forma sua própria orquestra, composta pelos principais músicos de Lanner e inicia uma brilhante carreira independente. Seu centro de operações é o Sperl, o mais célebre pavilhão dançante de Viena e por consequência, o mais frequentado. Estava localizado no centro do Prater, conhecido até hoje por sua famosa roda gigante, local onde se dá o famoso encontro de Orson Welles e Joseph Cotten no clássico filme O Terceiro Homem.

O caminho aberto por Lanner encontra em Johann Strauss I um talentoso seguidor e ambos, com suas respectivas composições e orquestras passam a ser os reis da valsa vienense que triunfa como dança popular e de salão em toda Europa.

Johann Strauss pai casou-se bastante jovem e tinha apenas 21 anos quando nasceu seu primeiro filho, no dia 25 de outubro de 1825. Ele foi batizado com o nome do pai e até hoje é conhecido como Johann Strauss II. Com o passar do tempo e com o surgimento de novos herdeiros, o pai tomou a firme decisão de que nenhum de seus filhos se encaminharia para a vida musical. Ele achava que já havia atingido o sucesso, pois começara a carreira como um simples violinista e em poucos anos dirigia uma reconhecida orquestra de bailes e era um consagrado compositor de valsas. Sonhava para seus filhos um futuro mais sólido e respeitável, como homens de negócios ou profissionais liberais dentro da aristocrática sociedade vienense.

Mas o desejo paterno não conseguiu impedir que o pequeno Johann manifestasse uma forte inclinação para a música, em especial para a valsa. Com seis anos ele iria compor a primeira parte da obra que mais tarde seria publicada com o título de Erster Gedanke (A primeira ideia). Estimulado pela mãe ele começa a estudar violino e composição às escondidas do pai. A pequena conspiração familiar foi levada a diante graças às inúmeras obrigações artísticas do pai. Este foi nomeado, em 1834, chefe da Banda do Primeiro Regimento da Milícia Vienense e no ano seguinte assume a função de Diretor de Bailes da Corte Imperial. Ambos os empregos eram mais honoríficos o que permitiu a Strauss seguir dirigindo sua orquestra como também dar início a uma série de turnês musicais por toda Europa.

Em 1842, Strauss sênior consegue para o jovem Johann II um emprego de assistente financeiro num tradicional Banco de Viena e parte par uma série de apresentações em Londres O jovem Strauss não suporta a nova atividade profissional e após alguns meses de trabalho, junto com outros colegas de boemia, funda uma pequena orquestra de baile.

Os membros da banda juvenil decidem levar sua música para a Hungria, Romênia, Transilvânia. O sobrenome Strauss abre as portas para ele e são feitos dezenas de concertos em pequenas cidades e aldeias como Semlin, Arad, Temesvar, Kronstadt. Os músicos atravessam os Cárpatos Para atingirem Kympena, Ploesti e Bucarest.

Nessa fase começam suas desventuras. Um dos administradores da orquestra foge com a caixa forte e eles ficam sem dinheiro. São assaltados por bandoleiros, nas montanhas e chegam à capital da Romênia esfarrapados, mais parecendo um bando de foragidos. A aristocracia de Bucareste já conhecia a fama de Johann Strauss I, o que permitiu ao jovem Strauss conseguir um adiantamento financeiro, para que os integrantes da orquestra pudessem alojar-se numa pensão e comprar roupas novas. Após uma dezena de apresentações eles atingiram um determinado equilíbrio financeiro, mas mesmo assim tiveram que empenhar grande parte de seus instrumentos musicais para conseguirem custear a viagem de volta para Viena.

No próximo artigo: O compositor Johann Strauss II assume o posto de rei da valsa, a rainha de todas as festas.

Clique aqui para assistir a Marcha Radetzky, de Johann Strauss I:

Clique aqui para escutar Neue Wiener Laendler, de Joseph Lanner:

 

 

torelly@polors.com.br

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