O homem que descobriu o Brasil

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

Com prefácio de Delfim Netto, a biografia O Homem Volkswagen chega às livrarias e revela ideias, estratégias e operações do executivo visionário que, por 20 anos, comandou a maior indústria automotiva do país.

Em 1973, quando o convidaram a presidir a Volkswagen brasileira, Wolfgang Sauer já trazia na bagagem o empreendedorismo, a ousadia e a visão de futuro, que, pelas duas décadas seguintes, o tornariam protagonista de alguns dos mais significativos (e inusitados) eventos da indústria nacional.

Considerado um dos líderes do que se convencionou chamar de 2ª  Revolução Industrial Brasileira – ao lado de José Mindlin (Metal Leve) e de Abraham Kasinsky (Cofap), ambos falecidos –, Sauer foi apontado por uma edição especial da revista Exame na virada do milênio como um 20 grandes empreendedores brasileiros do século.

Uma honra merecida por esse alemão, naturalizado brasileiro, que sempre acreditou no potencial de crescimento do Brasil e defendia o país toda vez que a matriz queria encerrar as operações da Volks por aqui. A história lhe deu razão: hoje o Brasil figura entre os principais fabricantes e é o quarto maior mercado mundial de veículos.

Sauer lançou boa parte dos pilares que alicerçam essa história. Já na década de 1970 ele saiu pelo mundo em busca de novos mercados, o que permitiu à Volkswagen brasileira ingressar nos anos 1990 (e na globalização) com presença em 100 países, inclusive a China. É dele também o mérito pela articulação da maior exportação mundial já feita de um único modelo de carro. O episódio, que rendeu US$ 1,7 bilhão, ficou conhecido como Operação Iraque e exigiu coragem e negociações com governos, além de logística e operações dignas de cinema.

Sempre olhando adiante, investiu na ampliação do mercado criando o Consórcio Nacional Volkswagen e o Banco Volkswagen, brigou com a matriz para implantar uma linha de produção de caminhões (que atualmente detém quase 50% desse segmento do mercado) e criou a Autolatina, unindo as operações da Volks e da Ford em busca de maior eficiência numa época na qual mal se falava em fusões.

Íntimo dos círculos do poder, Sauer era consultado pelos presidentes que governaram o país nessas duas décadas e convivia de perto com os geniais papas da economia de então, como Roberto Campos, Delfim Netto (que o fazia madrugar em Brasília) e Mário Henrique Simonsen (com quem cantava árias de Wagner madrugada adentro).

A convivência com o poder, porém, nunca o impediu de agir coerentemente com seus valores. Tanto que ele teve coragem para processar o Estado contra o controle de preços e fez questão de usar o diálogo para negociar com os tabalhadores na década de 1980, quando o movimento sindicalista no ABC estava no auge e paralisou a fábrica da Volks por 42 dias.

Os bastidores dessas e de muitas outras histórias emergem das páginas escritas por Maria Lúcia Doretto neste livro que combina as lembranças do autor com depoimentos e uma pesquisa consistente da evolução do automobilismo e da industrialização brasileira pós-Kubitschek. Leitura obrigatória para executivos, estudantes e empreendedores de todas as áreas.

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone