Não existe um “plano B”

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Se não quiser ficar à margem do desenvolvimento global, o Brasil terá de estabelecer uma estratégia de relacionamento com a China.

Dentro de alguns anos, o Brasil deverá entrar para o clube das cinco maiores economias do mundo – do qual fazem parte, hoje, Estados Unidos, China, Alemanha, Japão e França. Seremos, então, o país com o 5º maior PIB. Provavelmente, na época, já não teremos a maior taxa de juros do mundo, nem estaremos mais na companhia dos quatro países com a pior concentração de renda. Mas continuaremos liderando as exportações mundiais de soja, açúcar, carnes, celulose, café, suco de laranja, etanol de cana-de-açúcar, minério de ferro etc. Como o único critério para ser aceito nesse clube é a grandeza do PIB, o Brasil fará parte dele, mesmo distante dos demais sócios em aspectos decisivos: nível educacional da população; dimensão do mercado consumidor; participação na indústria mundial; transporte de cargas por ferrovia e hidrovia; taxa de investimento em relação ao PIB; participação do comércio exterior na formação do PIB; e investimento em ciência, tecnologia e inovação.

Uma das causas dessa rápida ascensão do Brasil no ranking das economias mundiais – era a 12ª maior, há apenas dez anos – é a relação com a China. Desde 2001, o comércio entre os dois países evoluiu de US$ 2,3 bilhões para US$ 77 bilhões no ano passado. As exportações brasileiras para o mercado chinês batem recordes ano após ano. Em 2011, foram de US$ 44,3 bilhões, quase o dobro das vendas para os EUA, que foram de US$ 25,9 bilhões. Nesse ritmo, que é superior a 40% ao ano, o comércio do Brasil com a China deverá chegar a US$ 300 bilhões em 2015. E há os investimentos no Brasil, cada vez maiores, em indústrias de diversos setores, de vários Estados. Cresceu tanto o ingresso de capitais chineses no Brasil, que, além de maior parceiro comercial e maior comprador de produtos agropecuários, a China se tornou também o maior investidor do setor produtivo brasileiro.

A sociedade brasileira assiste atônita a essa ofensiva comercial chinesa. As quantias crescentes tendem a ofuscar a análise qualitativa do que é comprado e do que é vendido pela China. Diversas lideranças industriais têm protestado, alertando sobre os riscos da desindustrialização que já estaria ocorrendo no Brasil. Alguns intelectuais – em geral, economistas – escrevem com frequência sobre os possíveis impactos dessa relação desigual em que o Brasil compra manufaturados e a China compra commodities, ambos em quantidades crescentes. Até agora, porém, o resultado das trocas comerciais com a China tem sido positivo para o Brasil, a ponto de responder por quase 40% do superávit total da balança comercial brasileira em 2011. No curto prazo, as compras e investimentos chineses são bem-vindos – mas será que eles resistem a uma análise de caráter estratégico?

O movimento de lá para cá segue claramente uma estratégia, perceptível nos discursos e ações dos dirigentes políticos e das empresas chinesas – apesar de serem de setores diferentes, eles revelam sintonia entre si, como se cada um soubesse sua parte no jogo. Enquanto isso, do lado de cá, há divergências em relação ao que fazer com a China nos governos, universidades, entidades empresariais e sindicais, mídia etc. O ambiente empresarial brasileiro está visivelmente “rachado” no tema China. De um lado, colocam-se os setores que estão ganhando muito dinheiro com a decolada chinesa – agronegócio, mineração e comércio. De outro, aparecem os segmentos do setor industrial, que estão perdendo. Sindicalistas, intelectuais, empresários e integrantes dos governos falam da possibilidade de ressurgimento do desemprego caso as importações de manufaturados da China continuem crescendo. Muitos temem a concessão de áreas de exploração de petróleo e a venda de terras agrícolas e minas a empresas chinesas – entre outros perigos
para a economia e soberania nacionais.

Quem analisa a situação do ponto de vista estratégico para o Brasil leva em consideração o que ocorreu com os Estados Unidos desde que a China iniciou seu programa de reformas e abertura, em 1980, logo depois do fim do bloqueio norte-americano (que durou de 1949 a 1979). Naquele ano, a China não estava entre as dez maiores economias do mundo; até 2020, será a maior economia mundial. Durante as décadas de 1980 e 90, a China realizou uma proeza impensável: conseguiu a transferência de milhares de indústrias dos EUA para o território chinês, onde elas respondem, hoje, por mais de 60% das exportações “made in China”. Esse fenômeno resultou na redução significativa da participação dos EUA na indústria mundial, no período 1980/2010 e na multiplicação da participação da China – de 1,5% para 15% do total.

Outro indicador impressionante dessa inversão do peso dos dois países no mundo é revelado pela Organização Mundial do Comércio (OMC): entre 1948 e 2010, a China saiu de 0,9% de participação nas exportações mundiais para 10,6% – já os EUA caíram de 21,7% para 13,2%. No mesmo período, os EUA mantiveram a sua fatia nas importações mundiais em 13%, enquanto a China saltou de 0,6% para 9,3%.

Arrepio na espinha

Perdendo para a China parte considerável da sua importância na indústria e comércio mundiais, os EUA tiveram de fincar pé nas exportações agrícolas e cortar fundo as despesas militares. Centenas de bilhões de dólares foram cortados do orçamento do Pentágono. Os efetivos das bases que ainda operam em quase todo o mundo foram diminuídos e as tropas que atuavam no Iraque começaram a ser retiradas. A prioridade militar dos EUA, agora, é o Pacífico, onde precisam manter presença ostensiva – justamente por causa da China. Registre-se que o encolhimento militar dos EUA é inversamente proporcional à modernização das forças armadas chinesas, que têm realizado expressivos investimentos em equipamentos bélicos, treinamentos etc. Mas nada é mais simbólico da transformação radical promovida pela China do que o fato de ela ser, hoje, a maior credora dos EUA, com quase US$ 1,5 trilhão em títulos do Tesouro norte-americano.

Como tudo isso ocorreu muito rápido e a situação chinesa de hoje é infinitamente superior à de 1980, causa arrepio na espinha pensar no que pode acontecer com o Brasil na relação com a China se deixarmos o barco correr para ver aonde a correnteza vai nos levar. Daí o medo, quase pânico de muitos que acompanham o assunto: de que as coisas cheguem a um ponto sem volta, que se traduziria, em termos práticos, no Brasil como grande exportador de commodities para o mundo – particularmente para a China – e dependente da importação de manufaturados – particularmente chineses. Tudo isso com perdas econômicas gigantescas, resultando em desemprego, queda da arrecadação e tudo o mais que os EUA enfrentam hoje.

Diferenças importantes

Ainda que esse quadro assustador se baseie no exemplo norte-americano, há aspectos diferenciais no caso brasileiro que devem ser considerados. Ter esse discernimento é fundamental para que possamos estabelecer nossa relação com a China em outras bases – de maneira a assegurar ao Brasil os recursos necessários ao seu desenvolvimento e melhor participação no maior mercado consumidor do mundo.

Sabemos da realidade brasileira; do potencial e das debilidades estruturais das diferentes regiões do país. Mas o que sabemos realmente sobre a China? O que se pensa a respeito nas nossas universidades, entidades empresariais e sindicais, governos federal e estaduais? E nas maiores cidades, nas empresas internacionalizadas e na mídia? Mesmo nos setores em que os ganhos são mais expressivos, como o agronegócio, poucos investem para conhecer as características do mercado chinês, as tendências das demandas e as possíveis iniciativas do governo e empresários do país. Todos eles estão engajados em lucrar com o agronegócio sem abrir mão da soberania alimentar – que é vital para a China.

Chega a ser perturbador constatar a leviandade com que o país é tratado por gente importante, que difunde informações erradas e uma dose considerável de preconceitos. É inegável que estamos despreparados para lidar em pé de igualdade política e comercial com a segunda maior economia do mundo. Felizmente, essa situação está mudando para melhor: há mais pessoas no Brasil se preocupando em aprofundar o conhecimento e as relações com a China e buscando oportunidades não apenas comerciais, mas também de intercâmbio em áreas diversas.

A soja é um bom exemplo dos benefícios da entrada decisiva da China no mercado mundial. O Brasil atingiu a produção de 1 milhão de toneladas em 1969; dez anos depois, chegou a 15 milhões de toneladas. Foram necessários mais 20 anos para a produção dobrar. Com a China comprando, em dez anos a produção brasileira dobrou novamente, atingindo 70 milhões de toneladas. O Brasil registrou um aumento expressivo não só na produção, mas também na produtividade – resultado de ciência, tecnologia e da utilização de insumos industriais. Essa mesma lógica serve para a celulose, etanol de cana-de-açúcar, carnes suína, bovina e de frango, fumo, suco de laranja, algodão e outros produtos agrícolas.

Maior compradora de produtos agropecuários do Brasil, a China provavelmente seguirá importando em velocidade muito superior ao do crescimento da sua economia. Sozinho, o país concentra 20% da população mundial e um grupo crescente de pessoas com maior poder aquisitivo. Dispõe de pouca água – apenas 6% da existente no mundo –, cujo manancial é mal distribuído e com risco de contaminação. Seu estoque de terras disponíveis para agricultura está no “limite vermelho”. E o esforço para aumentar a produtividade agrícola tem um custo muito alto, que requer subsídios cada vez maiores – sua produção de grãos tem se mantido em 550 milhões de toneladas. O detalhe aparentemente contraditório é que a China não só exporta produtos agrícolas como tende a se transformar rapidamente em um grande polo agroindustrial, utilizando matérias-primas próprias e importadas para a industrialização em larga escala de alimentos e de outros produtos.

Passar de maior importadora agrícola para maior exportadora de alimentos industrializados – papel, tecidos de algodão e outras fibras naturais, móveis de madeira, etc – para a Ásia será o grande “pulo do gato” do dragão chinês. Vendedora por natureza, altamente capitalizada, com 800 milhões de pessoas economicamente ativas, localização central, fronteiras terrestres e ligação ferroviária atual e futura com 15 países, a China revolucionará a logística de transporte mundial de uma maneira fantástica. O plano é construir ferrovias entre países da Ásia Central, na sua região oeste, e o Oceano Pacífico, onde detém os maiores portos do mundo e uma gigantesca frota mercante. Esse plano foi anunciado por autoridades do governo central chinês em 2008, na cidade de Chengdu, capital de Sichuan, durante um evento que reuniu 12 províncias e regiões autônomas, além de representantes dos países vizinhos. Quando estiver concretizada essa “Rota da Seda sobre trilhos”, as trocas comerciais da Ásia com o restante do mundo atingirão volumes impensáveis hoje.

A capacidade de transporte por ferrovia é uma das razões da imbatível competitividade chinesa. São, ao todo, mais de 80 mil quilômetros de ligações entre todos os municípios, capitais de províncias e de regiões autônomas, com trens que chegam 80 km/h no transporte de cargas e 100 km/h e 350 km/h no de passageiros. O movimento é muito grande – só perde para o dos Estados Unidos. Depois de construir a ligação ferroviária entre Qinghai e Lhasa (capital do Tibet, a última entre capitais que faltava) e as ferrovias de alta velocidade entre Beijing e Shanghai, o próximo objetivo é aumentar a malha para 100 mil quilômetros de extensão.

E no Brasil? Uma ferrovia ligando o oeste brasileiro ao Pacífico aumentaria a competitividade da exportação de soja para a Ásia, tornando o preço do produto brasileiro imbatível. Essa possibilidade, mais o potencial agrícola, florestal e mineral do país, tornam o investimento na construção muito atraente para empresas chinesas – que também se interessarão em vender locomotivas, vagões e trilhos. Considerando os cenários possíveis do setor agropecuário mundial para os próximos dez anos, essa ferrovia adquire uma importância extraordinária para o agronegócio brasileiro, cujo crescimento internacional (exportou US$ 94,6 bilhões ano passado, 24% a mais do que em 2010) incomoda muito a concorrência. O agronegócio norte-americano será o mais afetado por essa ferrovia na disputa pelo mercado asiático. Apesar disso, até onde se sabe, não há nenhum trabalho na região ou do governo federal sendo desenvolvido com o objetivo de atrair investimentos do país com a maior liquidez do mundo.

As oportunidades chinesas

Crescer tanto, com dezenas de milhões de pessoas migrando das áreas rurais e demandando infraestrutura e emprego nas cidades, gera várias contradições e desigualdades. Trata-se de construir, nos próximos 30 anos, o equivalente a dois “Brasis”. Calcular as quantidades necessárias de energia, cimento, aço, alumínio, vidro, madeira, plástico, e tudo o mais para tantos edifícios residenciais e comerciais, indústrias, escolas e hospitais chega a ser surreal. Além disso, durante o processo contínuo de migração e construção, deverá prosseguir ocorrendo aumento da renda e, por consequência, do consumo – como tem sido desde 1980. Foi assim que a China efetivou o ingresso na classe média de mais 300 milhões de chineses, elevando o seu mercado consumidor para inacreditáveis 700 milhões de pessoas.

Ainda que muitos analistas não acreditem que o fenômeno chinês vá continuar por muito tempo, é bom considerar essa possibilidade – e se preparar para aproveitar as oportunidades em todas as áreas. A China precisará importar mais, já que seu parque industrial não dá conta de atender à demanda doméstica, e muito menos ao crescimento decorrente da decisão governamental de continuar o crescimento via consumo interno. Mas de onde ela vai importar mais, se os custos de produção europeus, norte-americanos, japoneses e brasileiros são muito maiores dos que os seus? Por isso, a China precisará investir muito na própria China e no restante do mundo para aumentar sua capacidade de produção e reduzir custos. No ano passado, ela recebeu US$ 103 bilhões em investimentos estrangeiros – e teria investido no exterior pouco mais de US$ 60 bilhões. Esse movimento simultâneo (atrair investimentos e investir em outros países) continuará em grande escala. Ao mesmo tempo em que é “obrigada” a investir em ativos em outros países, a China precisa obter capital estrangeiro porque seu superávit na balança comercial está caindo (ano passado foi US$ 28 bilhões inferior ao de 2010). E a tendência é continuar assim, conforme aumentem as suas importações.

Prova da disposição de continuar atraindo capital estrangeiro é a decisão do governo chinês, em vigor desde 30 de janeiro de 2012, de abrir mais setores da economia ao investimento estrangeiro. O objetivo declarado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China e pelo Ministério do Comércio é atrair investimentos em “indústrias emergentes estratégicas”. Ou seja: economia de energia, energias alternativas, veículos de combustíveis alternativos, despoluição, tecnologias de informação de nova geração, biotecnologia, produção de equipamentos modernos e materiais avançados. Ao mesmo tempo, a China vai permitir o aumento do capital estrangeiro em alguns setores, velha reivindicação dos investidores – que se recusavam a ficar minoritários nas sociedades. O comunicado conjunto dá conta, ainda, de que o governo “continuará dando as boas-vindas aos investidores estrangeiros em indústrias de ponta e de serviços modernos” e também os incentivará a investir nas indústrias de reciclados.

As novas diretrizes do governo chinês reforçam a atração de investimentos e indicam por onde caminhará a política industrial do país nos próximos anos. O governo retirará o apoio ao capital estrangeiro na produção de automóveis, devido à necessidade de obter “um saudável desenvolvimento da produção nacional nesse setor”. Tampouco apoiará o investimento estrangeiro nos setores de silício policristalino e química de hulha, devido ao receio de excesso de oferta industrial e de capacidade instalada. Por fim, o governo chinês anunciou que vai elaborar “uma política detalhada para as regiões central e oeste do país, levando em consideração as diferenças de desenvolvimento regional”.

Mais investimentos no Brasil

A Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) conta com um escritório na China, em Beijing. Sua congênere chinesa, a Ccpit, com a qual possui acordo de cooperação, está estruturada em nível central, setorial, provincial e municipal. Enquanto o Brasil possui uma Apex, a China possui 700 Ccpit. Quando o Brasil se dispuser a atrair investimentos chineses, precisará de equipes da Apex também em Shanghai, Guangzhou e em outras grandes cidades chinesas. Terá de estar perto, terá de conviver, conhecer, estabelecer relações. Essa lógica vale, também, para a representação diplomática brasileira na China. Além da embaixada e consulado em Beijing, há consulados em Shanghai, Guangzhou e Hong Kong. A equipe brasileira é, hoje, bem maior do que era há dez anos – mas ainda não chega a 10% do efetivo norte-americano e é menos de um terço da representação do Canadá. Com um agravante: muda a cada quatro anos. Quando o diplomata começa a conhecer a China, ele vai embora.

O Banco do Brasil tem um escritório em Shanghai, onde está a maioria das empresas brasileiras na China. Mas faltam representações do Banco do Brasil em Guangzhou, no sul da China, e em Beijing, no norte. Aumentar a presença institucional do Brasil na China é fundamental para todos que queiram se relacionar com o país: estudantes, empresários, governos, artistas, esportistas. Enquanto o programa do governo federal de envio de estudantes para o exterior pretende “exportar” 75 mil jovens para o mundo, o governo Obama mostra disposição de mandar 100 mil estudantes somente para a China – contrapondo-se, assim, aos 130 mil estudantes chineses nos EUA. Obama quer que eles aprendam a língua e conheçam a cultura do principal adversário dos EUA.

Competição e competitividade

O panorama mundial é deveras preocupante. Mas, para muitos no Brasil, a relação comercial com a China é mais preocupante pelos riscos que implica – até porque algumas das empresas que querem vir para o Brasil são estatais. Ainda está vivo na memória o ocorrido na segunda metade do século passado, quando o Brasil foi “invadido” e “dominado” por empresas norte-americanas, alemãs, japonesas, francesas, italianas etc, que se tornaram donas de minas, fazendas e indústrias. De mais a mais, competir com as empresas chinesas parece ser impossível: elas trabalham com juros de 5% ao ano, quase metade da carga tributária brasileira, custos de produção e de transportes muito menores e margens de lucro inferiores às praticadas no Brasil.

Competindo com todos os países, o Brasil comprou e vendeu um total de US$ 482 bilhões em 2011. A maior dificuldade das empresas brasileiras é a competição com empresas do mundo inteiro que estão na China, há vários anos. Enquanto uma empresa do setor lácteo nacional reluta em investir no mercado chinês, empresas da China importam 100 mil vacas leiteiras por ano do Uruguai, Nova Zelândia e Austrália – com o objetivo de formar um rebanho leiteiro de alta qualidade. Hoje, a China já produz mais leite in natura do que o Brasil. Ao mesmo tempo, importa leite em pó a preços inferiores aos praticados por nossas empresas no mercado internacional.

O aumento da entrada de produtos chineses no Brasil é resultado da ação de empresas brasileiras, especialmente dos setores comercial, industrial e do agronegócio. São essas empresas que vão até lá para comprar barato, visando a uma redução de custos e à elevação de margens. Entidades empresariais desses setores organizam e levam comitivas para comprar na China. Esse movimento cresceu demais nos últimos cinco anos e resultou em um aumento na quantidade de empresas que importam da China. Só em 2011, as compras totalizaram US$ 33 bilhões.

Esse quadro complexo, contraditório e volátil requer da sociedade e do governo brasileiros definições de como lidar com a China. Precisamos de uma ofensiva articulada para estreitar relações nas áreas cultural, esportiva, educacional e de ciência e tecnologia. É um processo que passa pelo aumento da presença institucional do Brasil no país e pelo estímulo a ações de atração de investimentos e de penetração no mercado chinês – inclusive através de instalação de indústrias lá.

Temos necessidade e condições de fazer tudo isso. Nós só não temos um “Plano B”.

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Autor: Milton Pomar que é empresário e editor da revista em chinês “Negócios com o Brasil”.

Fonte: Revista Amanhã.

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