Jorge Gerdau alerta para risco da inviabilização do Estado gaúcho

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“O Estado não vai aguentar”. Foi com essas palavras que o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau e da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, sentenciou o destino dos cofres públicos gaúchos caso não sejam tomadas medidas efetivas contra o déficit da previdência. Ele foi o palestrante desta quarta-feira (21) no encontro Tá Na Mesa, promovido pela Federasul, em Porto Alegre.

Se além de evitar um rombo ainda maior nas contas o governo gaúcho também quiser elevar seus índices de competitividade – o que Gerdau defende insistentemente –, a reforma obrigatoriamente passa, também, por logística e educação. Embora pareça pouco, tratam-se dos pontos mais complicados de serem modificados. “Estou preocupado com nossos filhos e netos e o futuro que deixaremos para eles”, desabafou.

“É um processo que leva anos, mas tem que começar pela definição clara de onde se quer chegar. Poucos órgãos de governo sabem onde se quer chegar”, lamenta Gerdau. Ele garante que é por este caminho que a curva que hoje é descendente se tornará ascendente. “A sociedade precisa entender que o que vem sendo feito há dezenas de décadas precisa mudar”, sustenta.

Por estar diante do público gaúcho, Gerdau se ateve principalmente aos problemas do Rio Grande do Sul. “Devemos colocar como meta ser primeiros em educação, zerar o déficit da previdência e construir uma logística competitiva”, elencou. Confira, abaixo, as principais percepções do empresário sobre os pontos nevrálgicos para o crescimento do Estado:

Educação

“É um problema que os órgãos públicos e as grandes empresas resolvem: fazem concurso e pagam ótimos salários. Mas o crescimento sustentável depende da educação básica. Com a estrutura atual, vamos formar um competidor do nível dos asiáticos?”, provoca o empresário.

Logística competitiva

Responsável por 18,9% do custo de produção da indústria gaúcha, a logística foi defendida como outro ponto fundamental para o desenvolvimento. Ao expandir sua análise para a infraestrutura em geral, Gerdau destaca o problema do saneamento: nacionalmente, a média de tratamento é de 29%. No Rio Grande do Sul, esse índice cai para 15%. “A meta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento é de 75%”, aponta.

Previdência sustentável

Gerdau destacou fortemente o déficit da previdência estadual. A conta é simples: as despesas batem em R$ 7,2 bilhões, enquanto a arrecadação, somando-se as contribuições patronal (R$ 1,05 bilhão) e dos servidores (R$ 550 milhões), deixa uma conta de R$ 5,6 bilhões para os cofres públicos. “O Estado não vai aguentar. São R$ 5,5 bilhões que poderíamos estar investindo na construção de escolas e centros de desenvolvimento”, lembra.

O exemplo deve vir da Europa onde mesmo países como a Grécia, que passa por grandes problemas, praticam regras bem diferentes. Enquanto aqui servidores podem se aposentar com 25 anos de contribuição e 50 anos de idade, na Grécia o tempo de contribuição chega a 40 anos e a idade mínima, 60 anos. “Como o Rio Grande do Sul é um Estado muito mais rico, tem esses números”, ironiza.

Governança

“Todos os processos são importantes, mas o mais importante de todos é a governança”, defende Gerdau. Ele utiliza o exemplo do Japão, que nos anos 1980 já se preocupada com o estudo detalhado de processos – atitude replicada no próprio grupo Gerdau e, mais tarde, pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC). “Liderança, metodologia e conhecimento técnico dos processos sempre levam a excelentes resultados”, garante.

Poupança

Gerdau desenvolveu o que acredita ser o círculo virtuoso da economia. Tudo começa pela poupança, que em seguida propicia investimentos. A partir deles, vem o natural crescimento econômico e, fatalmente, a geração de empregos. Com mais empregos, cresce o depósito de riquezas na poupança. “Passamos 20 anos crescendo 2% ao ano. Por quê? Porque país que poupa abaixo de 20% não cresce mais do que 2,5%”, defende.

Fonte: Revista  Amanhã 

 

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