Brahms e o Crepúsculo do Romantismo

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O compositor nasceu em Hamburgo, no dia sete de maio de 1833, filho de Johann Jakob Brahms e Johanna Henrika Christiane Nissen Brahms. A mãe era costureira e o pai tocava contrabaixo. Apesar de ser esbanjador e alcoolista, acreditava que o filho estava destinado a ser um menino prodígio. Juntou algumas economias para que ele estudasse piano, cello e trompa com o professor Otto Friedrich Willibald Cassel. Este, ao constatar que o aluno tinha uma grande vocação para a composição, encaminhou-o para o pianista e mestre em teoria musical Eduard Marxen. A partir dos doze anos, Brahms, para auxiliar o sustento da família, passou a tocar piano no submundo dos bares e bordéis da zona portuária de Hamburgo, onde teria sido abusado sexualmente pelas prostitutas e marinheiros.

Estas experiências provocaram profundos efeitos no relacionamento futuro com as mulheres. Certa vez explicou a um amigo as raízes de seu problema, ao dizer: o que você pode esperar de um homem que teve sua juventude amaldiçoada.

Brahms começou a compor aos 17 anos, mas era extremamente crítico com sua produção musical. Centenas de trabalhos foram destruídos pelo autor, antes que ele desse à luz seu Scherzo em Mi Menor e duas extraordinárias Sonatas em Dó Maior (op. 1) e Fá Menor (op. 2).

Influenciado pelo violinista húngaro Eduard Reményi passou a estudar a mistura dos estilos húngaros e ciganos que irão aparecer mais tarde na composição de suas danças húngaras. Brahms passou a viajar, acompanhando Reményi ao piano.

Num de seus giros Brahms encontrou em Hanover o compositor e violinista Joseph Joachim, já um famoso solista. Os dois estabeleceriam uma sólida amizade por todas suas vidas e anos mais tarde Brahms compôs para o amigo seu grande Concerto para Violino, op. 77.

Joachim havia sido primeiro violino na Orquestra de Liszt em Weimar e escreveu uma carta apresentando Brahms a Franz Liszt. Durante a visita do jovem músico à Weimar, Liszt ficou muito impressionado com a qualidade da música de Brahms e tocou para seus alunos o Scherzo op. 4.

De Weimar Brahms partiu para Düsseldorf onde encontrou Robert e Clara Schumann.

Robert, após escutar algumas das sonatas de Brahms, escreveu na imprensa local: chegou um jovem gênio que é a grande esperança da música alemã.

Lamentavelmente Brahms foi se aproximar de Schumann quando este estava próximo ao colapso mental que iria leva-lo a internação num asilo. Brahms foi atraído emocionalmente por Clara, como mulher e artista e sempre a acompanhou e auxiliou durante a enfermidade do marido. Depois da morte de Schumann, em 1856, Johannes e Clara mantiveram uma íntima amizade. Nunca houve evidências de que eles tenham sido amantes, mas até hoje existem inúmeras especulações.

Em 1863 Brahms mudou-se para Viena, para assumir o cargo de diretor da Viena Sing-Akademie. Nesta cidade ele iria viver por três décadas e meia, até sua morte.

Ao chegar a Viena, Brahms e Joachim iriam se voltar contra a música de Liszt. As idéias audaciosas deste compositor, em relação a novos estilos musicais, partiram dos tradicionais valores da música alemã. Valores que Brahms e Joachim consideravam sagrados. Nos anos seguintes a facção conservadora da música alemã (encabeçada por Brahms, Joachim, Clara Schumann e o crítico Eduard Hanslick) e a facção da música do futuro (conduzida por Liszt, Wagner, Bruckner, Hugo Wolf e uma hoste de seguidores) iriam batalhar frequentemente e com veemência através da imprensa.

Durante seus anos de Viena, Brahms atingiria seu amadurecimento musical, produzindo obras com raízes na grande tradição da música germânica, composta na forma sonata. Seus mestres eram Mozart, Haydn, Beethoven e Schubert. Muitos compositores da época seguiam este estilo de composição, mas eram acadêmicos e convencionais. Brahms era o único que conseguia fundir a abstração da forma clássica com o ardor do Romantismo. Ele ficou muito embaraçado quando Hans von Bülow o colocou como a terceira letra B formando o triunvirato Bach, Beethoven e Brahms, mas ele realmente era um descendente direto destes gênios da música.

Clara Schumann faleceu em 1890. Brahms iria morrer em 1897, devido a um câncer no fígado. Ele está sepultado no cemitério central de Viena, próximo às tumbas de Beethoven e Schubert.

Destacamos entre suas principais obras suas sinfonias e concertos, a música de câmara, Variações em um tema de Paganini, Ein deutsches Requiem e Alto Raphsody e o seu ciclo de canções (Lieder). Brahms e Schumann foram os grandes compositores neste estilo musical que seguiram a tradição consagrada por Schubert. As canções de Brahms revelam uma profunda comunhão com as mulheres, cujo relacionamento ele negou a manter na vida real.

Dentre sua vasta produção de Lieder, destacamos os ciclos Zigeuner Lieder, Deutsche Volkslieder, Liebeslieder e Vier ernste Gesänge.

Para os apreciadores das canções de Brahms, informamos que nos dias 22 e 28 deste mês, respectivamente no Foyer do Theatro São Pedro e no Instituto Goethe, haverá o Recital Johannes Brahms, onde a mezzo-soprano Angela Diel, acompanhada por Nei Fialkow ao piano e Vladimir Romanov na viola, interpretárá os principais lieder de Brahms. O autor destas linhas fará uma palestra sobre o compositor e o romantismo alemão.

Clique aqui e assista excertos de Zigeunerlieder e Quatro Canções:

 

torelly@polors.com.br 

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