A inovação que gera revoluções

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 A Sears já inovava no século passado

Atualmente, cada vez mais empresas exploram a tendência de “conexão fácil” para promover avanços e criar as inovações que efetivamente podem mudar o mundo. Aproveitando a convergência dos avanços tecnológicos e analíticos, essas empresas conectam pessoas, empresas, governos e outras instituições de maneiras inovadoras e significativas – oferecendo proposições que beneficiam a todos na cadeia de valor. Essas inovações ajudam as empresas a manter uma vantagem competitiva num momento em que os consumidores esperam que os serviços sejam oferecidos em todos os lugares, de maneira imediata e sem complicações. Elas criam um novo contexto econômico, tornando-se cada vez mais acessíveis para criar uma singularidade espaço-tempo – como se estivessem “sempre disponíveis” ao consumidor.

Costumo dizer que esse tipo de inovação é uma “conectinovação”. Trata-se de uma nova forma de conectar pessoas, empresas e outras instituições – e, assim, criar e captar novos valores. Tais inovações tendem a ser divisores de água que transformam radicalmente a dinâmica competitiva de uma indústria. Esse fenômeno não é recente – vem ocorrendo há tempos, muito antes do surgimento das gigantes pontocom, como a Amazon.com e o Google, e das estrelas emergentes da Web 2.0, como o Facebook e o Twitter. Elas acontecem  há bastante tempo e podem ser vistas em diversas empresas e instituições de pequeno e médio porte.

Disponível em qualquer lugar

Desde séculos antes do primeiro transistor, as empresas buscam formas de diminuir a distância entre as pessoas – sejam as distâncias de tempo, espaço ou, até mesmo, as distâncias culturais. Essa aproximação é viabilizada pela oferta de serviços melhores, mais ágeis e confiáveis. As igrejas, mesquitas e templos, presentes em todos os lugares com uma arquitetura, simbologia e mensagens extremamente consistentes, foram as primeiras entidades a “conectinovar” – e fizeram isso milhares de anos atrás. Com elas, muitos devotos começaram a ler e instantaneamente entender o que a arquitetura de uma determinada religião significava. Além disso, elas dispunham de serviços e estruturas uniformes e consistentes com as expectativas que despertavam – independentemente de onde estivessem.

Muitos anos depois, iniciativas semelhantes chegariam à iniciativa privada. Uma das primeiras empresas a se tornar “conectinovadora” foi a Sears. Em 1900, a companhia lançou o primeiro catálogo que permitia aos fazendeiros de Iowa pesquisar e adquirir uma variedade de produtos muito superior à oferecida nas lojas locais – independentemente de onde eles estivessem.

Disponível a qualquer hora

Durante o Império Romano, os aquedutos significaram um avanço gigantesco – subitamente, tornaram a água disponível a qualquer momento e a qualquer lugar. Por meio dessa “conectinovação”, as pessoas puderam usufruir de água de boa qualidade – e não perdiam mais tempo tentando encontrar e transportar água por longas distâncias.

Na primeira metade do século 20, as estações de rádio começaram a oferecer entretenimento durante as 24 horas do dia, cuja transmissão era de qualidade uniforme e instantaneamente disponível para diversas famílias dentro de uma vasta área geográfica. Na prática, elas encurtaram as distâncias e o tempo se tornou um fator quase irrelevante na divulgação de notícias, informações e entretenimento. Agora, tudo era possível ao girar de um botão.

Empresas que “conectinovam”

Atualmente, algumas empresas “conectinovam” através de informações e tecnologias. Outras transportam artigos e pessoas com mais agilidade, promovendo crowdsourcing ou estando presentes em todos os lugares. As empresas também “conectinovam” oferecendo recursos antes inacessíveis para a maioria das pessoas, além de soluções em tempo real para atender a necessidades básicas como saúde, amor e segurança. Por exemplo:

• A Alibaba.com, que intermedeia as vendas de produtos fabricados na China; a Zipcar, que universalizou a locação de veículos; e a Universidade de Phoenix, com a educação – todas elas estão utilizando a informação, a comunicação sem fio e a internet para poderem oferecer diferentes tipos de serviços em qualquer lugar e a qualquer hora.

• A Ferrovia da China, com trens de alta velocidade; a FedEx, com aviões e caminhões; o sistema de entrega de pizzas, com carros, motos e bicicletas; e a Box.Net, com a internet – todas elas estão tornando cada vez mais itens disponíveis ao levar com mais rapidez pessoas, encomendas, comida e documentos digitais a seus destinos.

• A FutureWorks da P&G, com novos produtos; a Hult Global Case Challenge, com soluções para combater a pobreza; e o Mercado das Pulgas de Brooklyn (Brooklyn Flea), com o espaço para teste de produtos – todos estão utilizando a inteligência e os conhecimentos coletivos através de técnicas de crowdsourcing.

• O McDonald’s e a Construrama, com suas redes de franquia; o Grameen Bank e o projeto One Laptop per Child, com grupos comunitários; a e-Choupal, com quiosques de internet; a Natura e a BzzAgent, com redes humanas – elas conseguem distribuir seus produtos e serviços a áreas distantes e remotas de maneira confiável.

• A Airbnb, com hospedagem; a CloudFab, com impressões em 3D; e a Quirky, com desenvolvimento de produtos – de uma forma ou de outra, elas tornaram alguns recursos, antes considerados incompartilháveis e inacessíveis, amplamente disponíveis à população. E o fizeram a preços razoáveis.

As “conectinovações” estão abrindo portas para um mundo que combina elementos comerciais antes incompatíveis. Elas conectam desde micro a macroempresas de formas que seriam inconcebíveis uma geração atrás. As empresas podem reunir informações e recursos em uma escala global para oferecer a seus clientes produtos e serviços cada vez mais personalizados.

As empresas que “conectinovam” enxergam o mundo como um todo e têm apenas o céu como limite. Elas se projetam dez vezes maiores e alcançam seus objetivos de maneira dez vezes mais rápida – e barata.

Fonte:  Hitendra Patel, diretor do Center for Innovation, Excellence and Leadership, em
Cambridge (EUA), e autor do livro 101 Inovações Revolucionárias. Publicado na Revista Amanhã.
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