Políticas públicas inteligentes

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“As cidades são o maior artefato já criado pelo homem. Sempre foram objetos de desejos, desafios, oportunidades e sonhos.” É com essas palavras que Carlos Leite abre seu livro: Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes –  sobre desenvolvimento sustentável. O autor, arquiteto entusiasta do urbanismo, se dedicou a mostrar os caminhos para o planejamento urbano e a indicar exemplos a serem seguidos por governantes quando o assunto é desenvolvimento sustentável.

Desde 2007, o mundo presencia uma realidade nova, historicamente radical: há mais gente nas cidades do que no campo. Há cem anos, apenas 10% da população mundial vivia em cidades. Atualmente, somos mais de 50%, e até 2050 seremos mais de 75%. Por isso, Leite apresenta várias alternativas para que as metrópoles se estabeleçam como sustentáculos do planeta. “Megacidades funcionam. Megacidades lideram. Megacidades se reinventam. Se elas adoecem, o planeta torna-se insustentável. No entanto, a experiência internacional – de Barcelona a Vancouver, de Nova York a Bogotá, para citar algumas das cidades mais verdes – mostra que as metrópoles se reinventam”.

A partir de estudos de casos, Carlos Leite detalha como as cidades podem se regenerar de forma criativa, a fim de aproveitar melhor os espaços e garantir uma melhoria na qualidade de vida da população urbana. “O combate às mudanças climáticas requer a participação de bilhões de pessoas que habitam um planeta com recursos finitos e hábitos que urgem ser revistos.” Esses hábitos envolvem desde ações pontuais (como as reformas para os eventos que vão mobilizar o país – Copa do Mundo e Olimpíadas), até trabalhos a longo prazo (envolvendo maneiras de poluir menos, emitir menos gases e utilizar melhor os espaços urbanos).

Tomando como base países que estão em um patamar econômico semelhante ao do Brasil (como China e Índia), Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes detalha ações que podem garantir que, no futuro, os recursos do planeta sejam suficientes para acomodar toda a população. Afinal, a evolução das comunidades e dos ambientes urbanos nos forçam a procurar maneiras mais criativas para garantir condições de moradia, mobilidade, segurança, cultivos e governança. Com a apresentação de conceitos bem embasados em urbanismo sustentável, Leite estimula o debate sobre como encaixar evolução e sustentabilidade, criando ambientes urbanos mais saudáveis.

Processo pode ser acelerado

Há 15 anos pesquisando comunidades urbanas que adotaram soluções inovadoras, Carlos Leite,  lança mão de uma figura de linguagem dos tempos analógicos para explicar o apetite das grandes corporações mundiais nessas novas áreas de negócios. “Há um lado A e um lado B que caminham juntos”, afirma. O aspecto positivo, diz o arquiteto, é a possibilidade cada vez mais real de haver uma central de inteligência capaz de operacionalizar e gerenciar tudo o que acontece em uma comunidade, o que tende a permitir uma gestão mais eficiente, com menor desperdício de recursos e maior transparência na relação entre o cidadão e o poder público. “O cidadão vê uma árvore caída, liga de seu smartphone para a central, a atendente registra o caso, envia um serviço para o local e resolve o problema, tudo acompanhado on line pelo solicitante. Ou, marca uma consulta on line no hospital mais próximo onde houver um especialista. Tudo isso é fascinante.”

Porém, o lado considerado “assustador” é a perspectiva de que informações públicas passem a ser compartilhadas pela empresa privada. Para Leite, isso reforça o papel da sociedade no acompanhamento das transformações.

Para o arquiteto e urbanista Fabio Duarte de Araújo, do departamento de pós-graduação em gestão urbana da Universidade Federal do Paraná, o incremento de parcerias entre empresas e governos depende fundamentalmente de políticas públicas inteligentes. “O governo precisa estabelecer uma série de benefícios e padrões de eficiência social, urbana e ambiental que estimule as empresas a investir em soluções que são custosas.”

O arquiteto sugere propostas viáveis. “O governo federal, via BNDES, por exemplo, poderia abrir linhas de financiamento baseadas na eficiência social e ambiental das empresas, como redução do consumo de água e seu reaproveitamento e técnicas mais eficientes na geração e reciclagem do lixo. Já o municipal pode estabelecer parâmetros de eficiência urbanística e a ela vincular isenções de IPTU, por exemplo.” Entre essas ações, Araújo propõe uma política de pontuação para empresas que conseguirem reduzir o consumo de energia em fins não produtivos (como em iluminação) e que envolvam a colaboração dos funcionários.

Fonte: Guilherme Meirelles / Valor Econômico.

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