Cidades inteligentes e soluções permanentes

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A coleção de problemas enfrentados nos grandes centros urbanos – que vão do tráfego caótico ao deficiente atendimento ao cidadão em áreas como saúde, educação e segurança, além de questões estratégicas ligadas ao fornecimento de água e energia – mobiliza o setor público e dá impulso a novos negócios. O atendimento de demandas crescentes, de forma eficiente e sustentável, uma tarefa de alta complexidade estimula a busca de soluções tecnológicas integradas e economicamente viáveis.

A proximidade dos mega eventos esportivos que o Brasil irá sediar aumenta a urgência de se encontrar soluções e coloca o país no radar de grandes corporações. A Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 são preciosas oportunidades para o desenvolvimento de produtos customizados que atendam as necessidades locais com soluções de longo prazo, que contribuam para a construção de cidades mais inteligentes.

Dez dos 15 municípios brasileiros que têm mais de 1 milhão de habitantes irão sediar partidas da Copa 2014. “O Rio de Janeiro é hoje um laboratório vivo para aplicações voltadas para cidades inteligentes”, afirma Rodrigo Uchoa, diretor de desenvolvimento de negócios da Cisco.

No primeiro semestre, a Cisco anunciou investimentos de R$ 1 bilhão até 2016, o que inclui a construção de um centro de inovação no Centro do Rio, que deverá estar em operação em 2013. O foco será em soluções de sistemas de telecomunicações, na comunicação entre sensores, redes cabeadas e sem fio, data centers e aplicações inteligentes de análises de informações, principalmente em infraestrutura urbana, entretenimento e esportes. “É a substituição das velhas tecnologias pelas novas, com serviços mais inteligentes e base tecnológica que sustentam a informação”, diz.

Algumas experiências já estão sendo aplicadas pela Cisco, como no Centro de Operações Rio (em parceria com a Prefeitura e a IBM) e em um projeto de inclusão digital na Baixada Fluminense.

Desde 2007, a IBM reforçou o conceito de sustentabilidade com a campanha global Planeta Mais Inteligente. A empresa tem quatro estratégias de crescimento e uma delas é a área de cidades inteligentes. “Temos cerca de dois mil casos qualificados no mundo, já implantados ou em discussão”, diz Gustavo Rabelo, diretor de cidades inteligentes da IBM Brasil.

Anualmente, a companhia investe US$ 6 bilhões em P&D, e espera, só com a área de cidades inteligentes, faturar US$ 10 bilhões em 2015. No Brasil, a IBM inaugurou em 2011 um laboratório de pesquisa, mais focado em óleo e gás, mas que já resultou em soluções como uma ferramenta de previsão meteorológica no Centro de Operações Rio.

A GE anunciou investimento de R$ 500 milhões na construção de um centro de pesquisas global, também no Rio. “Vamos desenvolver ali as pesquisas de sistemas inteligentes e integração de sistemas, que estão relacionadas às áreas tradicionais da companhia, como geração e transmissão de energia elétrica e saúde”, diz Daniel Meniuk, da área responsável por cidades inteligentes.

Para o executivo, os gestores públicos estão mais atentos a projetos que reduzam o impacto ambiental. Ele cita a participação da empresa no projeto que substituiu a iluminação da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, por lâmpadas de LED. “Estamos também envolvidos em projetos de maior eficiência em reúso de água e também em energia eólica”, diz.

Para Sergio Boanada, diretor de cidades e mega eventos da Siemens Brasil, a aplicação do conceito de cidades inteligentes está diretamente relacionada a eficiência. “O que buscamos é gerenciar a energia com controle e de forma inteligente”, diz. Em abril, a empresa inaugurou em Curitiba o seu primeiro centro de pesquisas para redes inteligentes (smart grids) no país. A iniciativa fez parte de um plano de investimentos de US$ 600 milhões. O foco é o desenvolvimento de medidores inteligentes, que são fabricados em suas unidades no exterior.

Projetos voltados ao conceito de cidades inteligentes não são exclusivos de grandes corporações. “Ideias empreendedoras e inovadoras podem contagiar o setor privado em vez de serem absorvidas e desvirtuadas”, afirma o economista e professor da ECA/USP, Gilson Schwartz, que em 1999 lançou o Projeto Cidade do Conhecimento, iniciativa premiada na Rio+20 pela Unesco com o selo “20 Ideias Para Girar o Mundo”. Um dos projetos virtuais desenvolvidos por Schwartz chama-se Moedas Criativas.

Trata-se de um fundo imaginário de moedas que estimula o uso em ações práticas envolvendo cultura e cidadania. O envolvimento do usuário em iniciativas no mundo real se traduz em bônus, algo como um sistema de milhagem aérea. Em São Paulo, Schwartz fechou convênio com a Fecomércio e pretende envolver segmentos como o de padarias.

Para Heloisa Tricate, gerente para o setor público da SAP, as companhias que lidam com TI devem beneficiar-se muito com a Lei de Acesso às Informações Públicas, sancionada no fim de 2011 por Dilma Rousseff. Segundo Heloisa, os cerca de 27 milhões de usuários de smartphones são clientes em potencial para aplicativos que estabeleçam mais transparência na relação entre os cidadãos e a administração pública.

Nos próximos meses, a SAP deverá anunciar a implantação de um centro de pesquisas específico para o setor público. Será o quinto da empresa no mundo. A ideia prevê integrá-lo a universidades, centros de pesquisas e parceiros para gerar soluções sustentáveis e inovadoras para as grandes cidades. A companhia não revela os investimentos. Segundo Heloisa, a SAP investe anualmente US$ 2 bilhões em P&D.

Em temos de dimensão geográfica, o maior projeto de cidades inteligentes em andamento no país fica em uma área de 240 hectares, no município pernambucano de São Lourenço da Mata, a 19 quilômetros de Recife. Trata-se de uma parceria entre a Odebrecht e a NEC para a construção do complexo Cidade da Copa. “Será a primeira “smart city” da América Latina”, afirma Massato Takakwa, diretor de negócios para governo da NEC Brasil. “Será uma conjunção de várias tecnologias em uma mesma plataforma, em operações de gerenciamento, circulação de informações e monitoramento”, afirma. O complexo prevê a construção de uma arena esportiva (orçada em R$ 532 milhões, a ser inaugurada na Copa), centro empresarial, universidade, hotel e área residencial. A conclusão total pode se dar em um prazo de até 20 anos.

Fonte: Guilherme Meirelles | Valor Econômico.

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