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Ao longo de quase um século de vida, Peter Drucker lançou 39 livros que, somados, alçaram-no à condição de “pai” da administração. Muitas das principais lições de Drucker ganham, agora, uma obra especial, recém-lançada no Brasil, com edição de Rick Wartzman, diretor executivo do Instituto Drucker. Drucker em 33 Liçõestraz reflexões do consultor austríaco em temas que vão desde a gestão na complexidade das grandes organizações até pensamentos mais íntimos ou subjetivos, mas não menos interessantes – tais como a palestra proferida em 1943, em que Drucker perguntava a si mesmo como a existência humana era possível.Apesar das diferenças entre os temas abordados, existe um que permeia todo o livro: a mudança histórica do trabalho, desde a manufatura até a era do conhecimento – processo estudado em detalhes por Drucker, especialmente na segunda metade de sua vida.

Na obra, é possível notar algumas características que sempre acompanharam o “pai da administração”. Uma delas é sua versatilidade como orador. Ainda que tivesse a humildade como uma de suas principais virtudes – segundo testemunho de Wartzman, que o acompanhou ao longo de anos –, Drucker não deixava de dominar tudo sobre o que falava. Em um discurso em 1991, por exemplo, mostrou ousadia ao afirmar categoricamente que, nos Estados Unidos, “nenhum programa público desde 1950 deu certo”. Em outra oportunidade, chegou a dizer que Deming, o guru da qualidade, estava “totalmente obsoleto”.

Possivelmente um dos trechos mais significativos de Drucker em 33 Lições seja uma palestra proferida em Los Angeles, em 1997. Na ocasião, Drucker discorria sobre as mudanças de humor na economia global, chamando-a de refém do “nonmoney” – expressão que ele mesmo cunhou para se referir ao dinheiro volátil. “A maioria desses bilhões que flutuam por aí na economia mundial é dinheiro apenas no sentido mais restrito e teórico do termo”, constatou. Na ocasião, Drucker recriminava o fato de que nada era resultado de produção ou de transações econômicas. A mera especulação seria o combustível perfeito para que o mundo entrasse em pânico – não uma, mas várias vezes. “Eu diria que será possível contar com um pânico como esse pelo menos duas vezes ao ano durante os próximos anos (…). Precisamos aprender como gerenciar a dependência da moeda estrangeira de sua organização”, ensinou. Não por acaso, diversos países passaram por graves crises na década seguinte.

No mesmo discurso, Drucker anteviu o inevitável processo de integração econômica entre os países – que, mais tarde, acabaria se manterializando na globalização. Ao mesmo tempo em que isso aconteceria, previu Drucker, o mundo ficaria mais fragmentado politicamente – líquido e certo. Diante da previsão de tantos fatos que acabariam por se suceder, o pensador sugeriu aos executivos, já no fim de sua fala, alguns preceitos básicos da gestão. Um deles apregoava que os CEOs deveriam se perguntar que tipo de questionamento seria vital para administrar suas organizações – para consumo próprio ou de seus subordinados. Para ele, as respostas viriam de fontes externas.

Rick Wartzman procura reorganizar as ideias de Drucker em um texto de leitura fácil, mas sem pecar pela superficialiadade. Felizmente, o desafio proposto a Wartzman é transposto. Falecido em 2005, aos 95 anos, Drucker permanece vivo nas mentes de executivos mundo afora. Agora, com Drucker em 33 Lições, as novas gerações poderão se aproximar um pouco mais do homem que estruturou a teoria da administração.

Fonte: Marcos Graciani / Revista Amanhã

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