O Brasil vai crescer pouco – mas poderia ser pior…

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“A crise mundial não é uma crise como as outras que aconteceram”. Essa é a constatação do economista e professor do Insper, Eduardo Giannetti, que palestrou sobre a crise da zona do euro no 7º Fórum Internacional de Seguros, promovido pela Allianz Seguros, em São Paulo. Enquanto muitos economistas engrossam a nuvem de pessimismo sobre a economia, Giannetti, como um bom moderado, prefere definir a instabilidade como um momento de “retração”. O problema, porém, pode estar sendo amenizado. A abertura dos cofres alemães para salvar países como a Espanha e a Grécia de uma crise ainda mais profunda, irá estabilizar a zona do euro – e trazer mais confiança aos investidores.

Mesmo com o resgate dos países náufragos da zona do euro, o mau tempo deverá durar por mais algum tempo – e o crescimento da economia brasileira em meio a esse cenário deverá ser ameno, mas pode ser comemorado. Apesar de longe do patamar histórico de 2010, quando o país atingiu 7,5% de elevação do PIB, o modesto crescimento de 3% é um alento, especialmente porque mostra que vão longe os tempos em que o Brasil era “hipersensível” à economia mundial. “O fato de o Banco Central estar reduzindo os juros em meio a uma crise significa que os tempos são outros”, diagnostica Giannetti. De fato. Um país antes refém da estabilidade dos outros mercados mundiais, agora parece ser um dos regentes da orquestra que dita o equilíbrio do mercado. “O pagamento da dívida externa e a mobilidade social que o país viveu colaboraram para blindar o país”, observa Giannetti. Nos últimos anos, o Brasil transferiu 35 milhões de pessoas com baixíssimo poder aquisitivo para a classe C, uma camada que hoje é representada por mais de um bilhão de habitantes do mundo. O economista faz uma comparação metafórica para ilustrar o cenário social brasileiro. “Os ricos cresceram como os europeus e os pobres como os asiáticos”.

Se o Brasil já não está sensível à crise externa como em outros tempos, também não está imune, como ficou claro com a desaceleração da economia – o que gera uma forte retração dos investimentos do setor privado. “A consequência é a queda nas vendas externas e a diminuição da demanda interna de bens de capital” constata Giannetti. Na tentativa de encorajar a retomada dos investimentos, o governo vem adotando medidas de reduções tributárias que, segundo Giannetti, são sinais de maturidade política. “Reduzir o custo da energia elétrica e desonerar os custos do trabalho mostram uma vontade do governo em colaborar com o crescimento”, afirma Giannetti. Mas ele admite, também, que ainda é necessário muito mais iniciativas do governo para reduzir de modo eficiente os custos de produção.

A China desacelerando?

Principal parceiro comercial do Brasil, a China aparece na análise de Eduardo Gianetti como uma grande incógnita nos próximos anos. Mesmo que o governo chinês esteja anunciando um crescimento no mesmo patamar dos últimos trinta anos (o que equivale à média de 9%), Eduardo Giannetti alerta para uma possível diminuição no ritmo de prosperidade. “Os níveis de consumo de energia do país não condizem com as projeções de crescimento”, assinala Giannetti.

Fonte: Revista Amanhã.

 

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