Corelli, Torelli e Albinoni

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Arcangelo Corelli

O advento do disco “long-play” em 1948 ampliou o leque de lançamentos e opções para os apreciadores da música erudita. Até o final dos anos quarenta as gravações disponíveis concentravam-se nas músicas de compositores do século XIX. Bach e Mozart eram pouco divulgados. As características dos discos de 78 RPM não estimulavam os fabricantes a lançar grandes produções. Alguns exemplos: os admiradores de Beethoven tiveram que esperar de 1932 a1939 para que Artur Schnabel concluísse a primeira e histórica gravação das 32 Sonatas para piano. Elas ocuparam 15 álbuns contendo 125 discos de 78 RPM. Caso alguma gravadora se dispusesse a gravar Der Ring des Nibelungen, a obra completa resultaria em 112 discos. Para a audição de Götterdämmerung haveria a necessidade de inúmeras interrupções para executar setenta trocas de discos.

A evolução do long play para o compact disc foi outro grande avanço da indústria fonográfica. A nova técnica possibilitou o lançamento de dezenas de autores e obras desconhecidas do grande público, que são raramente incluídas no repertório tradicional das salas de concertos. Na década de cinquenta só havia uma versão das “Quatro Estações de Vivaldi”, gravada por Leopold Stokowski. Hoje essa obra pode ser encontrada em dezenas de interpretações, executadas pelos principais conjuntos e regentes de renome do cenário internacional.

Para os que estão se iniciando no mundo da música clássica, há uma tendência de condicionamento à “síndrome das obras primas”. Estas não deixam de ser essenciais e de suma importância na formação de um apreciador dos clássicos. Por outro lado, escutá-las a exaustão nos traz o risco de que elas se tornem rançosas e esvaziadas de sua imensa energia espiritual.

Convido os leitores a se aventurarem nas obras de três compositores italianos, responsáveis pelos fundamentos da forma instrumental que se convencionou chamar Concerto. A palavra italiana concertare significa concordar ou associar-se. Já em latim, concertare significa lutar. Na dualidade entre cooperação e luta vamos encontrar a essência dos princípios do concerto. Eles preconizam um contraste de sonoridade, como colocar um grupo de vozes contra os instrumentos, um grupo de metais contra as cordas ou um grupo de solistas contra o restante do conjunto. Esse estilo originou-se na segunda metade do século XVI nas escolas de Roma e de Bolonha, indo atingir seu apogeu no século XVII com a escola de Veneza.

Arcangelo Corelli (1653-1713): aprendeu a tocar violino com os grandes mestres de Bolonha, fixando residência em Roma a partir de 1675.  Corelli é uma figura essencial na história da música. Sua escola de violino floresceu por mais de um século e o compositor cristalizou o concerto grosso como uma das mais importantes formas instrumentais de música do período Barroco. De toda sua obra merece destaque a Opus seis, com seus doze Concerti Grossi.

Giuseppe Torelli (1658-1709): enquanto Alessandro Stradella e Arcangelo Corelli desenvolviam o estilo concertato na escola de Roma, os compositores da escola de Bolonha davam os primeiros passos em direção ao concerto solo. Giuseppe Torelli foi o mais importante compositor dessa escola e seu papel foi preponderante na construção do novo estilo musical. Torelli introduziu a norma de dividir o concerto em três movimentos, como por exemplo: Vivace, Largo e Allegro Sua obra máxima que caracteriza o concerto em sua forma definitiva é a Opus oito que leva o título de Concerti grossi con pastorale per il Santissimo Natale. Apesar do título a Opus oito tem apenas seis Concerti grossi, sendo os demais Solo concerti.

Tomaso Albinoni (1671-1751): até hoje sua obra mais conhecida é o  famoso Adágio. Albinoni foi um dos mestres da escola de Veneza e nos deixou um imenso legado composto por 57 óperas, 97 sonatas e 60 concertos. Junto com Torelli e Vivaldi foi um dos mais importantes compositores da fase inicial do Barroco. Seus doze concertos do Opus cinco são o que de melhor existe para ilustrar seu repertório. É uma pena que a preferência das gravadoras, pelas obras de Vivaldi, tenha colocado a música de Albinoni em plano secundário.

Concertos para dois Violinos – este disco nos traz os melhores momentos dos concertos do Opus 8 de Torelli e do Opus 5 de Albinoni. Vivaldi também está presente com alguns de seus concertos para dois violinos. A execução é da Orquestra de Câmara da Eslováquia, sob a regência de Bohdan Warchal. Gravadora Movie Play.

Clique aqui para assistir o Concerto Grosso para dois violinos, Op. 8, nº 5,em Fá Maiorde Giuseppe Torelli:

 

torelly@polors.com.br

 

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