Apenas 36,2% do esgoto do País passa por tratamento

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Diariamente, são despejados em torno de oito bilhões de litros de fezes, urina e outros dejetos nas águas dos córregos, dos rios e do mar de todo o País. Desse montante, apenas 36,28% da coleta de esgoto passa por tratamento.

A situação crítica de boa parte dos municípios brasileiros na área do saneamento básico foi divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Trata Brasil, que realizou uma pesquisa com as 100 maiores cidades, envolvendo números de 2010. Um dos dados mais alarmantes identifica que quase metade da população dos locais consultados não conta com coleta de esgoto.

Baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto Trata Brasil constatou que nessas 100 cidades vivem 40% dos habitantes do País, ou 77 milhões de um total de 191 milhões de pessoas, e que mais de 31 milhões moram em lugares onde o esgoto corre a céu aberto.

O município com o melhor índice no ranking foi Santos, no estado de São Paulo, que tem 100% da população com abastecimento de água, 100% com coleta de esgoto e 76,76% de esgoto tratado. O investimento da cidade na área foi de R$ 176 milhões.

Entre os municípios gaúchos, um deles se destacou negativamente na avaliação, ficando na 92ª posição. Gravataí encontra-se no final da lista por apresentar, em 2010, apenas 68,83% dos moradores com abastecimento de água, 20,92% com coleta de esgoto e 20,92% com tratamento.

O secretário de Governo do município, Luiz Zaffalon, afirmou que o dado sobre o abastecimento na cidade está errado. Segundo ele, 5% da população vive na área rural, onde a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) ainda não atua. O restante, que mora na área urbana, tem água tratada, chegando a mais de 90%.

“No que se refere ao esgoto, os índices estão corretos. São péssimos números em relação ao saneamento, mas acima da média para a maioria dos municípios gaúchos. As cidades do Estado jamais terão a universalização do esgoto tratado se o modelo atual não mudar”, explicou Zaffalon.

O problema, na opinião do secretário, é que para investir em esgoto custa cinco vezes mais do que em água. Contudo, a tarifa cobrada é mais barata. Além disso, ele levanta outro agravante: a não obrigatoriedade das casas fazerem ligação com a rede coletora. “Sem ter uma lei que obrigue, a população não faz”, ressaltou.

A Capital encontra-se na 49ª posição, com a totalidade da população tendo abastecimento de água e 87,69% de coleta, mas apenas 16,36% de tratamento do total gerado, número menor que o de Gravataí. Esse último indicador é calculado em relação à água consumida pelos moradores da cidade.

Na avaliação geral do País, 40 municípios tratam 20% ou menos de seu esgoto. Além disso, apenas 6% tratam mais que 80% do esgoto que produzem. Já o nível de excelência, ou acima de 81%, só existe em seis localidades: Sorocaba (SP), Niterói (RJ), São José do Rio Preto (SP), Jundiaí (SP), Curitiba (PR) e Maringá (PR).

Uma observação positiva é que Porto Alegre ficou na 18ª posição entre os municípios que mais investiram na área, tendo destinado, em 2010, mais de R$ 145 milhões. “O objetivo deste levantamento é mostrar como estão as grandes cidades, que tem poder econômico e sabem como buscar recursos. Também pretendemos valorizar quem investe e incentivar os que não estão bem”, disse o presidente do Trata Brasil, Édison Carlos.

Fonte: Jessica Gustafson / Jornal do Comércio

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