Quem é o pai da inovação?

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Que o Brasil tem apostado mais em pesquisa, não há dúvida. Em março deste ano, o governo federal anunciou o financiamento de 5,8 mil novas bolsas de estudo no exterior. Mas todo esse esforço corre o risco de continuar sendo pouco útil para as empresas e o mercado. Ainda há regras a serem esclarecidas quando o assunto é a busca pela inovação dentro das universidades e empresas brasileiras, principalmente no que se refere a propriedade intelectual e contrapartidas entre público e privado.“É importante que tenhamos um marco regulatório de propriedade intelectual”, entende Nelson Fujimoto, secretário de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ele apoia sua defesa no exemplo dos Estados Unidos, onde o pesquisador é dono do que desenvolve. “Aqui ainda não se sabe se é a universidade, o pesquisador ou a empresa que financia a pesquisa”, lamenta.

Ricardo Felizzola, coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), aponta para um problema de gestão. “Sem ela não se chega à inovação. Demorar para corrigir a burocracia do país é não aproveitar as oportunidades que o mundo está dando”, entende.  Outro erro apontado por Felizzola é dissociar a inovação do ensino básico. “Em quatro ou cinco anos talvez não tenha ligação, mas em 30 anos o elo da pesquisa não será com laboratórios, mas com a educação básica”, garante.

Aos empresários, um recado: inovação implica risco. Felizzola lembra que sempre há a possibilidade de o mercado se comportar diferentemente do que havia sido projetado. Para atenuar este problema, afirma que é imprescindível uma gestão correta dos recursos, além de garantias governamentais. “A Finep já arrisca mais. Aconselho o BNDES a fazer o mesmo. Diz-se que a taxa [de juros para financiamento à inovação] é baixa, mas ainda é uma das mais altas do mundo”, protesta. E faz um alerta: “Não adianta fazer política para a indústria se quando esta política ficar pronta a indústria tiver morrido. Há questões estratégicas e emergenciais. A inovação é estratégica, mas é emergencial fazer o empresário ver sua importância”.

Fujimoto, do MDIC, garante que até 2014 o governo federal deve investiir cerca de R$ 16 bilhões em inovação, dos quais R$ 6 bilhões via Finep e R$ 5 bilhões via BNDES. “Criamos 19 comitês setoriais compostos por vários órgãos do governo, já que as prioridades de cada setor estão atreladas à política industrial: saúde, defesa, comunicações, etc. Nestes espaços discutimos medidas emergenciais com o governo”, explica.

Fujimoto defende, ainda, uma revisão no atual modelo de inovação aplicado no Brasil. Segundo ele, hoje temos o que se denomina “modelo empurrado”, no qual se faz uma invenção e depois se tenta vendê-la. O secretário entende que o ideal é partirmos para o modelo “puxado”, ou seja, desenvolve-se de acordo com demandas observadas no mercado. Por fim, defende a inovação incremental como saída para soluções rápidas e importantes. “A Apple não inventou o sistema touch, mas revolucionou o mercado aperfeiçoando e dando novas aplicabilidades a ele”, lembra.

Fonte: Pedro Pereira/ Revista Amanhã
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