A silhueta da minha cidade

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Confirma-se a hipótese de que cada pessoa tenha em mente uma cidade feita exclusivamente de diferenças, uma cidade sem figuras e sem forma, preenchida pelas cidades particulares. Italo Calvino, As cidades invisíveis.

Andar pelas ruas de uma cidade exige arte e uma leitura de sinais que suas marcas e caminhos transmitem. Como é agradável passear e contemplar (e imaginar) quem por ali já andou. Há uma linguagem secreta habitando esses lugares por onde passam o flâneur e a criança, como afirma Olgária Matos. E dessa paisagem, os nativos gostam? Para ser estimada (e cuidada) por seus moradores, acredito que uma cidade, qualquer cidade do século XXI, deve seguir alguns pontos.  Zelar cuidadosamente do passado e bem utilizar prédios históricos é fundamental. O que a especulação imobiliária fez com as cidades históricas é o resultado de um juízo, ainda que inconsciente, de não-valor e de uma vontade destruidora substancial pervertida, ainda que inconfessa. A luta não é entre cultura e incultura, mas entre duas culturas, a segunda das quais tem como meta a destruição da primeira, tida como oposta e como obstáculo a seu desenvolvimento (Carlo Argan).

Uma cidade só é uma cidade quando consegue contar sua história. “Mas a cidade não conta o seu passado, ela o contém como as linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas. Essa cidade que não se elimina da cabeça é como uma armadura ou um retículo em cujos espaços cada um pode colocar as coisas que deseja recordar”, diz o viajante Marco Polo. Essa cidade também deve planejar e investir no futuro e garantir uma educação de alta qualidade para as suas crianças. Educar deve ser uma obsessão generalizada. Os empresários e cidadãos dessa cidade devem colaborar com os gestores públicos na tarefa de construir uma cidade admirada por seus habitantes. Com muitas escolas.

Essa rede de boas escolas será a base desta cidade mais digna e preparada para o futuro. Uma cidade mais limpa, mais bonita, mais justa e mais humana porque terá educação de qualidade para todos.

Essa cidade do século XXI tem que ser preferencialmente do homem e não da máquina, por mais clichê que a afirmação possa ser. Vozes precisam se levantar em favor de uma cidade mais calorosa e humana. Generosas calçadas, praças e parques e menos espaço para carros. Mais bicicletas e ciclovias. Confortável e eficiente transporte público.

Estou ansioso para andar em minha cidade e encontrar fortes sinais de mudanças para melhor e ter a bela silhueta da foto acima, obtida em uma manhã de agosto, na Praça da Alfândega, como padrão.

Autor: Inácio Knapp.

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