Músculos para a batalha do varejo no Sul

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

 

Aposta em atendimento de qualidade e lojas com ambiente diferenciado

 

Há corporações capazes de reproduzir em seu negócio a atual configuração do cenário econômico.Exemplo disso é o Grupo Herval, de Dois Irmãos (RS), que congrega nada menos que 17 empresas. A LF Ferramentas é a única das companhias que está sentindo algum efeito da crise financeira que tem golpeado a indústria. A divisão especializada em equipamentos e bens de capital viu o ritmo de crescimento de seus negócios recuar de 40%, em 2011, para 10% nos últimos meses. No entanto, a desaceleração da LF não deve interferir no auspicioso objetivo do Grupo Herval em alcançar, já neste ano, o faturamento de R$ 2 bilhões – 40% a mais do valor obtido em 2011.

A grande mola propulsora do fortalecimento do caixa será o varejo, que vai muito bem, obrigado. Não é sem razão que o grupo quer multiplicar até quatro vezes a bandeira iF Soluções Planejadas, marca de móveis e rede de franquias para as classes A e B, hoje com 33 lojas. A maré anda tão boa na Herval que as empresas do grupo, atualmente, tem 300 vagas em aberto – não conseguem preencher funções que vão de gerente de loja até cargos de direção administrativa. “Brincamos que temos dificuldade de preencher salários que vão de minguados R$ 1 mil até polpudos R$ 100 mil”, propagandeia Germano Grings, diretor responsável pelo segmento Varejo no Grupo Herval.

A oferta tentadora de salários tem um fundo de verdade. Grings afirma, mesmo sem revelar números, que o grupo tem alta capacidade de investimento. Também pudera: 60% do faturamento é fruto de capital próprio. Por essa razão, o executivo não teme a chegada da Máquina de Vendas ao sul, empresa que recentemente fez um acordo acionário com a catarinense Salfer. Na opinião de Grings, o varejo de móveis e eletrodomésticos tem muito a consolidar do Paraná para baixo – especialmente no Rio Grande do Sul. “Por aqui as muitas empresas familiares que ainda existem são bem administradas, o que as faz saudáveis e, logicamente, as coloca na mira de grandes players nacionais”, aponta Grings.

Para encarar os gigantes, o Grupo Herval aposta em atendimento de qualidade e lojas com ambiente diferenciado, como é o caso da rede de lojas taQi, especializada em materiais de construção, móveis, eletrodomésticos, bazar e informática. Com 70 unidades no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a rede aposta na comodidade para atrair o público oferecendo lojas-conceito. O varejo de lojas de rua, como os modelos de Casas Bahia e a Máquina de Vendas, segundo Grings, não devem vingar por muito tempo mais. “Os consumidores que terão mais renda buscarão varejistas que lhe ofereçam bons produtos, mas também uma experiência de compra atraente e confortável”, teoriza. Grings acredita que modelos de lojas como os outlets norte-americanos proliferarão no Brasil dentro de uma década. Por esse motivo, ele teme mais os concorrentes estrangeiros do que os nacionais. “Não é um jogo fácil. É uma partida de gigantes. Somos um pequeno guerreiro, mas que tem os pés firmes”, salienta.

Fonte: Marcos Graciani / Revista Amanhã.
Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone