A parte de cada um

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

Uma escola de cerca de 200 alunos fornece um contraponto ao pessimismo que ronda certas abordagens da situação da educação. No intervalo de um ano, a referida instituição teve a fachada restaurada, construiu um muro de 2m50cm de altura, serve quatro refeições por dia, organizou uma biblioteca lúdica e _ detalhe que parece saído do sonho impossível de algum pedagogo visionário _ garantiu, com recursos do Tesouro, mais de um netbook para cada estudante matriculado. Não se está narrando a história de um estabelecimento de ensino do Hemisfério Norte, e sim da Escola Estadual de Ensino Fundamental Aurélio Reis, no bairro Jardim Floresta, zona norte de Porto Alegre.

O segredo da Aurélio Reis não é uma receita mágica de gestão, nem recursos excedentes doados por beneméritos. O fator que permitiu à escola dar um salto em sua infraestrutura em tão curto espaço de tempo foram seus professores, pais e alunos. Foram essas mulheres, homens e crianças comuns, que em nada diferem da imensa maioria da comunidade escolar brasileira, que possibilitaram o salto de qualidade verificado desde 2011. A mobilização permitiu que a diretora da escola, Nássara Scheck, ela própria profundamente imbuída da possibilidade de promover mudanças, lutasse por recursos e soluções para a instituição.

Um dos diferenciais do projeto da escola é o funcionamento em turno integral. Ao longo do dia, os estudantes têm acesso a oficinas de judô, capoeiras, dança, letramento, ciências e informática. O refeitório serve quatro refeições diárias. As portas da Aurélio Reis permanecem abertas aos sábados e domingos. Nas dependências da escola, não há sinais de vandalismo. O próximo passo, para o qual a comunidade escolar já se prepara, é a informatização. Tudo começou há cerca de seis anos, quando pais, alunos e professores se reuniram em mutirão e deram início a uma reforma do local, com a ajuda da comunidade.

Os computadores colocados à disposição dos alunos da Aurélio Reis foram comprados com recursos públicos, o que mostra que é possível, sim, fazer mais com os recursos existentes e colocar ao alcance dos jovens ferramentas indispensáveis para seu ingresso na contemporaneidade. Escolas de Aceguá e Bagé já contam com equipamentos semelhantes, e outros chegarão a Santana do Livramento, Quaraí, Jaguarão e Uruguaiana. Mais importante do que os netbooks, porém, é o bem intangível que a Aurélio Reis tem de sobra: a capacidade de se aglutinar em torno de um projeto comum e lutar por ele até conquistá-lo. A experiência da escola porto-alegrense pode servir de estímulo para que, em outras partes do país, sejam buscados resultados semelhantes por meio dos mesmos instrumentos. Quando dotada de projetos adequados, a união dos cidadãos comuns é poderosa e pode produzir melhorias surpreendentes, sem que para isso seja preciso aguardar a intervenção benfazeja de algum ente poderoso num futuro distante. A mudança da face da educação no Brasil pode começar aqui e agora.

Fonte: Editorial Zero Hora

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone