A militância interesseira

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Aquele que empunha a bandeira de seu candidato a um cargo público estará fazendo por ideologia ou meramente interesse privado e profissional? “Meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder. Ideologia! Eu quero uma pra viver. Ideologia! Pra viver…”, diz a letra de Cazuza, lá nos anos 80, quando já se deparava pela falta dela e, ao mesmo tempo, via na ideologia um motivo pra viver. Um conjunto de ideias que vem antes de qualquer coisa para mostrar a verdade que se quer chegar. Uma verdade para todos com a pretensão de ser o mais universal possível, portanto, longe de ser particular. Isso se chama de ideologia. Na política, antes do interesse particular, vem o interesse público. Antes do meu interesse, do interesse de obter benefícios pessoais, ganhar ou manter o trabalho, por exemplo, vem o interesse da sociedade, da cidade, do Estado, do país. Acima do candidato deveria vir o partido com sua respectiva ideologia que representa suas idéias. Entretanto, não é o que ocorre, comprovando que os partidos políticos, nos quais os candidatos estão vinculados, na sua essência não possuem ideologia. “O amor é a única lei” é uma ideia cristã, contra a idéia pagã da “lei do olho por olho e dente por dente”. Saberemos distinguir a ideologia do PMDB para o PP? E trago estes dois que no passado eram MDB e ARENA para lembrar aos mais antigos que lá atrás existia uma diferenciação entre suas ideias, portanto, existiam idéias que lhes eram próprias. Hoje não há mais ideias que podem diferenciar este daquele e na uniformização das ideias não há diferença. Então, ter este ou aquele no poder, não muda nada, ao menos em termos substanciais e estruturais. No âmbito nacional, por exemplo, dificilmente haverá um presidente que feche o Senado Federal por inutilidade, mesmo tendo a vontade popular ao seu lado. Os interesses sufocam as ideias. O mesmo permanece, independentemente do partido que assumir o poder. Para nós povo eleitor, na ausência da ideologia o que pode fazer a diferença é a pessoa do candidato e, por isso, votamos nele e não no partido que ele representa. Assim, por mais cruel que seja, nos resta dizer que aquele que empunha a bandeira em causa própria, e assume uma militância interesseira, não tem outro motivo a fazer.  Enquanto os partidos não tiverem suas próprias ideias e a partir delas definirem seus planos de governo, empunhar a bandeira do candidato continuará representando um ato muito mais profissional.

Marcos Kayser – Empresário e filósofo voluntário da Agenda 2020.

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