Vencedoras por opção

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

 

Se o mundo corporativo navega em águas turbulentas e encontra ambientes de negócio que tendem a tornar-se cada vez mais hostis, a receita para conduzir uma empresa bem-sucedida exige combinação entre disciplina fanática, “paranoia produtiva”, ambição e criatividade empírica. Estas características moldam os líderes das companhias estudadas por Jim Collins e Morten T. Hansen em “Vencedoras por Opção – Incerteza, Caos e Acaso / Por que Algumas Empresas Prosperam Apesar de Tudo”.

Resultado de pesquisa realizada durante nove anos com empresas de diversos segmentos, o livro traz lições para administrar e criar negócios em tempos de crise. Ensina como aproveitar momentos de exuberância econômica (ou de sorte) para alicerçar negócios promissores e traz exemplos bem reais de líderes que fizeram a diferença por observar o ambiente e tomar decisões baseadas em dados. O diferencial está exatamente na experiência empírica, que mostra o comportamento dos líderes e companhias que prosperam, enquanto os concorrentes se afligem com a sobrevivência de seus negócios.

Para os autores, com planejamento, análise do mercado e obstinação é possível criar o futuro, já que não dá para prevê-lo, e prosperar mesmo diante de incertezas. Jim Collins, estudioso da história de grandes companhias e também autor de “Feitas para Durar” e de “Empresas Feitas para Vencer”, conversou com o jornal Valor sobre o livro e a aplicação de seus conceitos no Brasil- que, até agora, tem sentido menos intensamente os efeitos da crise financeira mundial e, portanto, pode ser visto como um lugar de oportunidade para o crescimento das empresas.

A seguir, a entrevista.

Valor: É possível transferir, e aproveitar, a experiência das empresas estudadas para o livro em economias emergentes como a brasileira, que vive um momento de melhor crescimento econômico?

Jim Collins: Sim. O interessante do estudo é a análise de empresas diferentes, em diversos segmentos, que prosperaram apesar da crise. Ao entender como elas se diferenciaram das demais e superaram as dificuldades, empreendedores em todo o mundo podem utilizar os conceitos para entender o potencial de suas empresas. O Brasil agora está estável, mas já passou por muitos momentos de crise, do qual emergiram grandes empresas. No livro, admitimos que existam momentos de sorte. Eles devem ser aproveitados. Mas sorte sozinha não basta. Os bons líderes aproveitam esses momentos para avançar.

Valor: Como as empresas brasileiras podem fazer isso?

Collins: Devem planejar e dedicar tempo para construir negócios e planos de expansão. A disciplina é amiga da sorte. Sem ela, a sorte passa e a empresa não prospera. É ótimo estar bem posicionado no Brasil e preparado para atender às demandas crescentes do mercado. Mas, sem disciplina para planejar cada passo de forma obstinada, de nada adianta viver um bom momento. Durante toda a trajetória dos estudos, não me deparei com um único caso de desempenho sustentado por obra e graça da sorte.

Valor: Quais são as características dos líderes de alto desempenho, que não deixam as intempéries afetar seus planos de crescimento?

Collins: A pesquisa mostra que os líderes de sucesso em ambientes turbulentos não tinham habilidade visionária para prever o futuro. Eles não eram mais dispostos a arriscar, mais corajosos ou mais criativos. Mas eram mais disciplinados, empíricos e “paranoicos”. Trabalham arduamente e mantêm humildade em relação à equipe. Evitam burocracia e não se prendem à hierarquia. Por isso, conseguem imprimir seus valores, princípios e padrões de desempenho. Há uma característica, a “paranoia produtiva”, que faz o líder avaliar cenários catastróficos, testar hipóteses e buscar conhecimento antes de tomar decisões. Com uma boa base empírica, os líderes são capazes de agir de forma assertiva. Estão prontos para as intempéries antes de elas ocorrerem.

Valor: Mas e a intuição e a criatividade, características tidas como valiosas?

Collins: Realmente, muitos admiram líderes com intuição e criatividade. Mas, como a sorte, é preciso ter disciplina para utilizar essas características. O ideal é unir intuição, criatividade com a base empírica. Tomar decisões intuitivas é muito arriscado. Os líderes sempre se perguntam: “Como saber se minha intuição está certa?” e “Como me preparar para as grandes decisões?”. Nossos estudos revelam que é mais fácil com uma validação empírica.

Valor: Quais são as principais características das empresas de alto desempenho?

Collins: Em nosso trabalho, apelidamos as empresas de alto desempenho de 10X. Escolhemos esse nome porque essas companhias não se limitaram a sobreviver ou ter sucesso. Seu objetivo claro era prosperar de verdade. Como resultado dessa ambição, superaram em pelo menos dez vezes os resultados dos concorrentes em seus setores, no período estudado. Analisamos desempenhos extremos em ambiente extremos e descobrimos que essas empresas têm uma boa história para contar.

Valor: Qual característica mágica têm líderes como Mark Zuckerberg, criador do Facebook, que, mesmo em tempo de crise, foi destaque com uma oferta pública inicial (IPO) que atingiu US$ 104 bilhões?

Collins: Não estudei o Facebook. Ainda é cedo para dizer o que esta geração de líderes e as empresas da internet têm de especiais. Posso apenas afirmar que eles têm uma ótima história para contar.

Fonte:  Ediane Tiago |  Valor

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone