Empresas precisam saber conectar os profissionais

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O cartão de visitas de Fred Kofman funciona como uma provocação à curiosidade do interlocutor. Fundador da consultoria internacional Axialent, que com apenas sete anos de mercado já atua em 35 países e fatura US$ 25 milhões por ano, Kofman não se apresenta como CEO ou sócio da companhia. Ele é o Chief Spiritual Officer (CSO), posição que considera equivalente à de um líder espiritual no ambiente corporativo.

Não é somente no título, porém, que se concentram as características pouco convencionais do consultor. Ph.D em economia pela Universidade de Berkeley e ex-professor do MIT, o autor do best-seller “Consciência nos negócios” (editora Campus) defende que a compaixão e o altruísmo são habilidades essenciais para os líderes atuais.

A filosofia de trabalho da Axialent, que tem entre seus clientes organizações como Microsoft, Itaú BBA, Unilever e Natura, é a de inspirar pessoas criando ambientes motivadores nas empresas. Para Kofman, o desafio de reter talentos vivido por muitas companhias no Brasil está ligado à falta de inspiração e de conexão dos profissionais com as organizações onde trabalham. “O raciocínio é simples: se a empresa perde seus colaboradores, é porque eles acham que outro lugar será melhor. E esse julgamento é baseado em condições financeiras e não financeiras”, explica.

Na opinião do consultor, o lado econômico é o de resolução mais fácil. Ou a empresa cobre a oferta, caso o profissional valha o investimento, ou o deixa partir. Os aspectos não-financeiros, no entanto, são os mais importantes. “Na maior parte das vezes, as pessoas não saem por um aumento salarial tão grande, mas sim porque falta inspiração, orgulho ou um ambiente saudável”, diz Kofman. Ele ressalta que um dos grandes problemas para as companhias está no fato de que os altos executivos lidam melhor com dinheiro do que com emoções. “Essas questões demandam muito comprometimento dos gestores”.

Uma das estratégias adotadas pela Axialent para inspirar pessoas é o hábito de meditar antes de reuniões de negócios. Kofman explica que a prática de parar para refletir por alguns minutos antes dos encontros é disseminada também entre clientes e parceiros da consultoria. O objetivo, segundo ele, é se concentrar no que realmente importa para o grupo. “Falar apenas sobre as ocupações do momento não nos ajuda a ganhar tempo”, afirma. Depois da reflexão, os participantes expressam seus pensamentos e todos, sem exceção, têm a chance de dizer o que consideram importante. “Na maioria das reuniões, as pessoas simplesmente se sentam e começam a falar, enquanto só uma pequena parcela dos presentes emite opiniões”, compara.

Considerar também os aspectos emocionais nas relações corporativas, para Kofman, está entre as características necessárias para a formação de um líder maduro. “Em um cenário de negócios complexo, a habilidade de enxergar interdependências e horizontes de longo prazo é essencial. Mas isso vem junto com a compaixão e a consciência de que você pode afetar a vida de outras pessoas”, diz. Ele cita a crise atual como um exemplo de falta de perspectiva. “Me surpreendeu o fato de esses acontecimentos terem chocado a todos, pois a crise era óbvia. Os líderes de negócios não só têm uma visão míope como ignoram fundamentos econômicos essenciais”, critica.

Reforçar os conhecimentos sobre economia, porém, não é o único dever de casa para a alta direção das companhias. Kofman acredita que a turbulência global deve estimular gestores a preparar seus times para lidar com situações de crise rotineiramente. “Se você só treina em tempo bom, terá muitos problemas quando chegar uma tempestade. Por isso é preciso ter planos de contingência”, aconselha.

Por Vívian Soares para o jornal Valor Econômico.

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