Der Ring des Nibelungen, a história de um épico (III)

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Existem 36 personagens no Ciclo do Anel. Alguns aparecem apenas em uma cena e desempenham papéis secundários, como os deuses Froh, Donner e Freia, em Rheingold e o pássaro da floresta, em Siegfried. Erda, a deusa da terra, tem um desempenho importante na trama, mas sua aparição é muito breve, tanto na quarta cena de Rheingold, como na primeira cena do 3º ato de Siegfried. Portanto, iremos dar destaque aos personagens que estão presentes em quase todo o ciclo e exercem papéis de primeira grandeza,

Wotan, alter ego de Wagner, junto com o mortal Siegfried e a valquíria Brünnhilde, são os personagens mais relevantes do ciclo. Ao redor deles gravitam Alberich, o nibelungo, os gigantes Fafner e Fasolt, Fricka, esposa de Wotan, Mime, o nibelungo que criou Siegfried na floresta, Waltraute, uma das nove valquírias, Hunding, esposo de Sieglinde, Siegmund, o herói que resgata a espada Nothung, as três sereias do Reno, as três Nornas, Hagen, Gunther e Gutrune. O semideus Loge só canta em Rheingold, mas ele também é uma peça chave no enredo deste drama musical.

Quanto à música do Anel, diferentemente da maioria das óperas italianas, onde o autor recebia um libreto e deveria colocar música sobre o texto, Wagner escreveu o libreto de todos seus dramas musicais. Apenas no início da carreira ele compôs três óperas com libretos baseados em autores consagrados. Enquanto trabalhava no texto, ideias sobre a parte orquestral e a linha vocal, iam sendo anotadas em pentagramas anexos, muitos deles com comentários do autor. Como grande parte destes originais foi preservada, tornou-se mais fácil para os estudiosos de sua obra, avaliar o estilo musical de Wagner e seu método de composição. Wagner levou 22 anos para escrever a música de Der Ring des Nibelungen.

Entre o rascunho original, até chegar à partitura orquestral de Rheingold e Die Walküre Wagner foi relativamente rápido. O rascunho do primeiro drama foi escrito entre 1º de novembro de 1853 e 14 de janeiro de 1854. A partitura completa foi iniciada em fevereiro do mesmo ano, e estava completa no mês de maio. Em junho de 1854 ele começou a rascunhar os esboços musicais de A Valquíria e completou o 3º atoem dezembro. A partitura orquestral foi mais demorada, consumindo 15 meses de trabalho (janeiro 1855-23 de março de 1856).

Os problemas tiveram início durante a composição de Siegfried. O 1º ato, entre esboços e partituras, começou em junho de 1854 e foi finalizado em março de 1856. Ao chegar ao 2º ato, Wagner trabalhou nos esboços de maio até agosto de 1857. Ele só iria retomar a continuação desta obra doze anos mais tarde, em março de1869. A partitura do 3º ato foi concluída em fevereiro de 1871.

Vários episódios contribuíram para esta interrupção: o caso amoroso de Wagner com Mathilde Wesendonck que o inspirou a escrever uma ópera baseada no amor incondicional e delirante. Desta decisão nasceu Tristan und Isolde. Em paralelo o compositor estava assustado com as dimensões gigantescas de seu ciclo e estava convencido que não existia um teatro na Alemanha com estrutura capaz de encenar sua tetralogia. Ao mesmo tempo, Wagner necessitava dinheiro em curto prazo, e Tristan lhe pareceu a ópera ideal para encenar em qualquer teatro, pois não requeria cenografia complexa e o elenco de cantores era reduzido. Ao mesmo tempo ele teve a oportunidade para estrear seu Tannhäuser na Opera de Paris, cidade que poderia consagrá-lo como compositor. Para isso ele foi obrigado a reescrever sua ópera, numa nova versão que hoje é conhecida como versão Paris, enquanto a ópera original é denominada versão Dresden. Um ciclo de concertos em Londres e a ideia de começar uma nova ópera que seria Die Meistersinger von \Nürnberg.

Esta interrupção de alguns anos na composição do Der Ring não deixou de ser positiva. Wagner havia madurecido musicalmente, principalmente depois da revolução musical ocorrida em Tristan und Isolde. Se compararmos a música do 3º ato de Siegfried com a dos atos anteriores, sentiremos uma nova dimensão no estilo do autor. Terminada a partitura de Siegfried em fevereiro de 1871, Wagner começou a trabalhar no prólogo de O Crepúsculo dos Deuses  no dia dois de outubro de 1869. Finalmente, ele veio a escrever a última nota que encerra a tetralogia. Ao lado do ponto final, ele escreveu: Completado em Wahnfried no dia 21 de novembro de 1874. Não tenho nada mais a dizer!

Um dos temas que mais preocupava Richard Wagner, quando da concepção de sua tetralogia, foi o tamanho da orquestra e os instrumentos necessários. Como não existiam instrumentos para reproduzir determinados sons que estavam na cabeça do autor, Wagner desenvolveu de três a quatro novos instrumentos que atendessem seus requisitos. De todos eles, o mais importante é a chamada tuba wagneriana, instrumento do naipe dos metais, situado entre a tuba convencional e a trompa francesa. Ao final desta matéria, disponibilizamos um filme de curta duração, onde músicos do Metropolitan Opera House discorrem sobre os principais motivos condutores (leitmotifs) do Der Ring, e nos apresentam a tuba wagneriana. Bruckner tornou-se um fã deste instrumento, e a maioria de suas sinfonias conta com a presença de um mínimo de quatro destas tubas.

Quanto ao tamanho da orquestra, os manuscritos originais indicam a necessidade de uma orquestra com 107 instrumentos. Este número foi ampliado para 119 quando da estreia do ciclo em Bayreuth, no ano de 1876. Na segunda produção do Anel, efetuada em 1896, este número foi aumentado para 124 instrumentos.

Discografia recomendada: iremos nos ater às principais edições em CD, muitas delas produzidas inicialmente para discos LP, e mais tarde remasterizadas, com um consequente ganho de qualidade.

Para os que estão se iniciando no Der Ring, recomendamos a gravação de Sir Georg Solti, realizada em estúdio, com a Wiener Philarmoniker Orchester, entre os anos de 1958 e 1965. São 15 compact discs, com um elenco fabuloso, que inclui Wolfgang Windgassen, Règine Créspin, Birgitt Nilsson, Kirsten Flagstad e Hans Hotter. Selo London

Para os que preferem gravações ao vivo, nossa recomendação é o registro feito por Karl Böhm, nos Festivais de Bayreuth de 1966 e 1967. 14 CD’s. Selo Phillips

Hoje existem à disposição do público várias gravações em DVD. Recomendamos a produção de Pierre Boulez e Patrice Chèreaux, para o Anel do Centenário. Em sua primeira apresentação, em 1976, a moderna concepção cenográfica de Chèreaux irritou o público tradicional que vaiou ao final. Wolfgang Wagner, neto do compositor, manteve a produção até 1980, sendo que no último ano ela foi ovacionada ao final de Götterdämmerung.

Para os apreciadores de montagens tradicionais, nossa recomendação vai para o Anel do Metropolitan, gravado sob a direção de James Levine.

Para os leitores que porventura perguntem se o Der Ring ainda tem procura, informamos que a fila de espera para participar do Festival de Bayreuth supera os dez anos. Um ingresso pessoal para assistir na noite de estreia a nova montagem do Metropolitan custava cinco mil dólares. Houve pessoas que pagaram US$ 25.000,00 para assistir ao espetáculo no camarote central e após o espetáculo, participar de uma ceia de gala com o elenco da obra.

torelly@polors.com.br

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