Começa a conferência do futuro

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A imprensa destaca, nas edições de quinta-feira (14/6), o início da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O tom predominante das reportagens carrega para o lado das dificuldades em concluir o documento com as propostas que devem estar contidas no compromisso final do encontro e apresenta os cálculos de quanto a economia predadora já custou ao planeta.

O centro dos debates é a construção de um sistema econômico mais justo e que tenha como objetivo principal não o crescimento em senso estrito, mas o desenvolvimento sustentável e integrado. Essa é a nova utopia da humanidade, e seus pressupostos já se integram ao noticiário e às opiniões como uma possibilidade concreta.

A descrição das dificuldades para se chegar a um acordo inicial sobre o que deve estar contido nas deliberações finais do encontro dissimula a importância das grandes mudanças que já ocorreram no mundo entre a conferência de 1992 no Rio de Janeiro e esta que acontece vinte anos depois.

Por cima de todas as manifestações de pessimismo que proliferam nos jornais, é preciso reconhecer que as duas últimas décadas foram marcadas por um conjunto de transformações que estão produzindo um novo sistema econômico e uma nova consciência global.

Novo conceito

É consenso, por exemplo, que os países devem buscar a transição das fontes de energia, consolidando a tendência a priorizar as formas limpas de produção e seu uso eficiente. Esse é um dos quesitos que ainda mantinham travados os debates na véspera da abertura oficial dos trabalhos – os delegados buscam um acordo para definir o compromisso de dobrar, até 2030, a participação das fontes renováveis no pacote de energia e obter igual resultado no nível de eficiência energética.

Qualquer pessoa pode observar, nas lojas de eletrodomésticos, o que isso pode significar: praticamente não há novos produtos que não exibam o selo de eficiência e cuja publicidade não destaque o design “ecológico” e o planejamento da reciclagem de seus componentes.

Em muitos países, como o Brasil, a legislação que rege o funcionamento das indústrias já exige o compromisso de toda a cadeia produtiva com a destinação dos materiais após o período de utilização.

Embora formalmente seja necessário preencher os protocolos, pode-se observar que já está em curso a consolidação daquilo que alguns chamam de “economia verde”. O desafio agora é oficializar uma regulamentação que seja capaz de prevenir retrocessos e evitar que as sucessivas crises do capitalismo venham a justificar a retomada de métodos já condenados pela ciência e pelo senso comum.

Em termos macroeconômicos, apenas alguns retardatários ainda consideram que o desenvolvimento é medido pelo Produto Interno Bruto – infelizmente, muitos desses analistas antiquados encontram espaço privilegiado na imprensa.

Apesar de todas as evidências de que as autoridades reunidas na Rio+20 não conseguirão definir os indicadores adequados para o novo conceito de desenvolvimento, sabe-se que o PIB já ficou para a história como métrica econômica principal.

Razões para otimismo

O que produziu essa série de mudanças, que se manifestam claramente no comportamento dos cidadãos comuns e nos valores de muitas empresas, foi a plenitude de informações que passamos a ter a partir da última década do século passado.

Passou rapidamente o tempo em que a questão do futuro da vida humana no planeta se restringia a campanhas de alerta sobre as chuvas ácidas na Europa e nos Estados Unidos ou sobre o risco de extinção das baleias, do mico-leão e do urso panda.

Apesar do pessimismo que marca pontualmente o noticiário sobre a Rio+20, é preciso registrar que os avanços são inexoráveis porque as informações corretas sobre o estado do mundo estão produzindo uma nova consciência.

Não se trata apenas de registrar o avanço do conhecimento científico, mas também de reconhecer que as novas tecnologias de informação e comunicação permitiram levar esse conhecimento a todos os cantos do mundo, como efeito colateral da globalização.

As mídias tradicionais demoraram, mas aparentemente entenderam seu papel e mais recentemente, a partir da divulgação dos estudos sobre a origem antropogênica das mudanças climáticas, divulgados em fevereiro de 2007, passaram a dar mais crédito às pregações dos ambientalistas.

Mas tem sido através dos meios digitais, onde qualquer pessoa pode livremente expor suas ideias, que a preocupação com a sustentabilidade se integrou à cultura.

Essa é a razão principal para espantar o pessimismo.

Fonte: Observatório da Imprensa /  Luciano Martins Costa

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