Tudo pelo social

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Você e sua empresa não precisam mais decidir se e como entrarão nas redes sociais, vocês já estão dentro delas.

A esta altura do jogo, as redes já estão falando de você, da sua marca, dos seus produtos. Ouvi-las tem de fazer parte do seu negócio. Pesquisá-las tem de fazer parte do seu negócio. Mas o que você mais precisa mesmo é de uma estratégia.

E não é uma estratégia de defesa, mas de ataque, e estratégia não só para o que dizer, mas também para o que ser. Porque só existe uma coisa mais social do que uma pessoa: uma empresa.

Quem não agregar esse valor da comunicação total ao seu negócio terá desvantagem competitiva diante das empresas que já fazem ou farão isso bem.

Há um potencial social natural em toda empresa que agora terá de ser mais acessado e desenvolvido sob o custo da obsolescência. Olhe para a sua atividade e pense como a capacidade de comunicação total pode transformá-la, para dentro e para fora. É preciso encontrar esse ângulo, que certamente está lá e será necessário neste mundo com a velocidade do último chip.

Não é fácil, não tem histórico, mas é intenso e rápido, muito rápido. Fortes emoções estão garantidas.

As marcas agora devem ter sua personalidade, sua integridade e sua opinião.

Antes era um monólogo, agora é uma conversação, mais dissonante que consonante, e muito mais democrática do que antes. Impossível de entender pensando pequeno, criando limites.

Para começar, social não é uma mídia, é um espírito. Um espírito animal. Tudo o que poderia um dia ser social, agora será.

Música pode ser social. Leitura pode ser social. Fotografia pode ser social. TV pode ser social. Comprar pode ser social. Viajar, se informar, estudar, encontrar um emprego, um(a) namorado(a) são todas atividades que podem ser sociais e por isso se organizam e se organizarão cada vez mais em torno de redes como Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e outras que virão e irão.

Você não precisa se tornar um especialista nessas novas ferramentas, até porque elas passam. Seja um especialista em comportamento, entenda a suprema tecnologia humana, aquilo que chamamos de alma.

Aliás, é bom lembrar que as redes sociais sempre foram dominantes e determinantes – das associações mercantis da Idade Média aos fluxos de migração global. Foi com essa capacidade de organização social que vencemos tantos desafios.

No Coliseu romano, a plateia já usava o dedão para cima ou para baixo, como fazemos hoje no Facebook, para mostrar aprovação.

As redes sociais estão com tudo, mas elas não têm uma regra fixa. O que já sabemos: não basta anunciar, é preciso comunicar; não é só oferta, é relacionamento; não fique indiferente.

Mais do que a mensagem e do que o meio, agora é o modo. O modo social.

Mas é preciso tomar cuidados.

O sujeito entrou cabisbaixo no consultório do psiquiatra e explicou:

“Doutor, não sei o que está acontecendo comigo. Só ando com a cabeça baixa, olhando na direção do chão, não falo com ninguém, não ouço ninguém, não consigo ter longas conversas, manter o foco. Minhas mãos doem, meu pescoço dói. Doutor, o que eu tenho?”.

“Um Blackberry.”

Piada é uma das maneiras mais fáceis de contar verdades. O perigo das redes é o da alienação, do distanciamento pela proximidade superficial. É preciso equilíbrio e coerência. O que se faz na rede deve-se fazer fora da rede. Quanto mais o “on” estiver junto com o “off”, mais força as duas bandas dessa nova realidade terão.

E não podemos confundir conexão com conversação. Afinal, fãs não são próximos e seguidores não são amigos.

O brasileiro é um ser social por definição e criação. As redes aqui avançam com rapidez maior do que na maioria dos lugares, e ficamos conectados mais tempo do que os outros.

Isso só vai aumentar. Você não pode ficar de fora. Você já está dentro. Acomode-se. Incomode-se. Comunique-se.

E não digite com os dedos, digite com a alma.

Autor: Nizan Guanaes / Folha de S.Paulo.

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